O meia-atacante Angel Di María revelou que sua família recebeu várias ameaças de morte em meio a negociações para um retorno ao Rosario Central, e isso pesou para o argentino seguir no Benfica por mais uma temporada. O jogador de 36 anos revelou que sua irmã recebeu em sua casa uma cabeça de um porco e uma bala na testa, junto com uma mensagem avisando que, se ele voltasse ao clube que o revelou, a próxima cabeça seria de sua filha Pia.
Nos últimos meses, o clube e o jogador negociaram um possível retorno ao clube onde ele foi revelado, que era favorável ao projeto, mas ele desistiu da ideia devido a gravidade das ameaças contra ele e sua família.
Rosario é uma das cidades mais violentas
A cidade de Rosario é uma das cidades com maiores índices de violência atualmente na Argentina, em razão da ascensão de facções de tráfico de drogas. Di María já fez declarações citando preocupações com as altas taxas de homicídio, o que teria suscitado as ameaças que ele vem recebendo.
Assim, as hostilidades não teriam ligação somente à questão entre as torcidas organizadas de futebol, conforme a própria polícia argentina já afirmou, mas sim com o contexto de violência urbana local.
A ministra de segurança do país, Patrícia Bullrich, chegou a classificar o caso de ameaças contra o jogador como ”narcoterrorismo”. No início do ano, ela disse que mantinha conversas com a família de Angel a fim de tranquilizá-los com a apresentação de ações do governo para melhorar a situação da cidade. Mas em abril o jogador oficializou sua decisão de não voltar ao clube onde foi revelado.
Di María pensava em voltar ao Rosario Central, mas situação mudou
O jogador disse ao jornal Olé que sua esposa Jorgelita e suas filhas estavam entusiasmadas com a ideia de retornar a Rosario, inclusive com os planos de mobiliar a casa e matricular as crianças na escola já sendo tomadas e o jogador estava alinhado com o clube. Mas Di Maria afirmou que as ameaças ultrapassaram todos os limites.
”Eu tinha tudo pronto para voltar, mas as ameaças ultrapassaram todos os limites. Deixaram uma caixa com uma cabeça de porco e uma bala na testa, junto com uma nota dizendo que, se voltasse, a próxima cabeça seria da minha filha”, explicou o jogador ao Olé, que disse que o caso não foi denunciado na polícia pela sua irmã por medo.
Ele diz que ainda mantem o desejo de se aposentar com a camisa do Rosario Central, no futuro
”Sempre quis jogar no Rosario Central e me aposentar com essa camisa. E vou continuar dizendo isso todas as vezes que me perguntarem, porque é o que sinto e sempre sonhei. Era o momento certo depois de me despedir da seleção argentina, mas não aconteceu. As meninas contavam os dias para viver com os avós. Nós quatro sofremos mais, porque antes de ser o sonho de qualquer torcedor, era o meu sonho e da minha família.”.
Presidente também queria
O Presidente do clube argentino, Gonzalo Belloso, insistiu até o minuto por um retorno do ídolo argentino ao clube.
”O clube tentou me convencer com mensagens e conversas com a pessoa que cuida das minhas coisas. Mas não era uma questão econômica ou esportiva, era mais do que isso, eram ameaças à minha família que superaram qualquer coisa. Só ver o nome da minha filha em um cartaz e o que mandaram na caixa já superava qualquer coisa que eu poderia fazer. Foram meses horríveis em que só pensávamos e chorávamos todas as noites por não poder cumprir o sonho” concluiu Di Maria.
(Foto: TyC Sports)