Pela primeira vez, o lateral-direito Dodô, de 25 anos, foi convocado para a Seleção Brasileira pelo técnico Dorival Júnior para o jogo contra o Uruguai, na próxima terça-feira (19), em Salvador, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo 2026. A vaga do craque da Fiorentina no time veio após a suspensão de Vanderson, pelo terceiro cartão amarelo.
DOS “NÃOS” DOS GRANDES AO DESTAQUE NO CORITIBA E SHAKTAR
Dodô nasceu em Taubaté, no interior de São Paulo, e foi revelado pelo Coritiba. Mas antes de se destacar pelo Coxa, onde foi campeão estadual em 2016, o lateral foi reprovado em testes nas categorias de bases de Corinthians, São Paulo e Grêmio, e por essa razão, pensou em desistir do futebol. Em entrevista ao portal GE, realizada antes de sua convocação, o paulista lembrou desse período e falou com carinho das origens:
“(O Coritiba) Foi o clube que me projetou e me deu oportunidade. Eu tinha sido reprovado no São Paulo, no Corinthians, no Grêmio, e estava pensando em ficar na minha cidade. Meus empresários conseguiram uma oportunidade de fazer um teste no Coxa, foi onde me deram a oportunidade de se profissionalizar com 17 anos. Sou muito grato a esse clube e a tudo que ele fez por mim” — contou Dodô.
O lateral se destacou na base do Coxa pela habilidade e potencial. Em 2016, foi profissionalizado e, no ano seguinte, conquistou o Campeonato Paranaense. Com a camisa alviverde, Dodô fez 54 jogos e deu duas assistências:
“Foi naquele momento ali que me tornei jogador profissional de verdade, porque eu tinha que manter. Não basta você só chegar ao profissional, tem que manter. É um clube que eu apoio sempre e tento assistir aos jogos quando não bate com o horário dos treinos da manhã aqui (na Itália)” — afirmou.
As boas atuações chamaram a atenção do Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, onde viveu momentos importantes de sua carreira, incluindo a conquista de diversos títulos. Pelo time ucraniano, Dodô fez 97 partidas e marcou cinco gols:
“Saí muito cedo do Brasil, com 18 ou 19 anos. Foi um momento que eu tinha que dar um upgrade na minha carreira, pois era um sonho de jogar a Liga dos Campeões. Joguei três ou quatro Liga dos Campeões pelo Shakhtar, e foi o lugar onde eu amadureci bastante” — destacou.
O lateral ficou quatro temporadas no clube onde foi campeão ucraniano duas vezes, além de conquistar a Copa da Ucrânia e a Supercopa Ucraniana. Ele ainda vivenciou de perto a tensão com o conflito entre ucranianos e russos, foi nesse período que surgiu o interesse da Fiorentina:
“Na guerra que teve na Ucrânia, eu voltei ao Brasil e fiquei esperando abrir a janela do verão para ser negociado com a Fiorentina. Eu fiquei cinco meses no Brasil, e o Coritiba abriu o centro de treinamento para treinar. Esse gesto que me faz ainda amar esse clube, porque dá muita importância para os piás do Couto” — relembrou.
DODÔ SE CONSOLIDA NA ITÁLIA E CHEGA A SELEÇÃO
Desde que chegou na Fiorentina, Dodô fez 81 jogos e se destaca por sua versatilidade, força física e habilidade no ataque, características que o fizeram ser comparado a um “falso 9”, herança que carrega dos tempos que jogava justamente como atacante. O lateral ainda fala que esse potencial foi elevado a partir da chegada do atual treinador da Fiorentina, Raffaele Palladino:
“Eu era um atacante antes de iniciar como lateral, então meu poder ofensivo sempre continuou” — disse.
“Ele chegou e disse: “quero que você faça seis gols e dê 10 assistências durante a temporada, porque você é um jogador que a gente não pode perder no ataque, você tem força, velocidade, drible, então é um falso quarto atacante, o que vem de traz” — destacou.
Dodô está em seu terceiro ano na Fiorentina. A convocação chega seis meses depois do retorno após grave lesão no joelho, que o afastou de boa parte da temporada passada. O lateral enaltece a facilidade de adaptação ao esquema tático da equipe como um dos motivos para o bom momento.
“Todo mundo fala que no futebol italiano é mais defensivo. Você tem que se habituar ao sistema tático, e isso fez que eu amadurecesse mais. Graças a Deus, estou vivendo uns dos melhores momentos da minha carreira aqui” — resumiu.
(Foto: Yves Herman/Reuters)