Egito - Copa das Nações Africanas 2026
Futebol Copa do Mundo

O Egito na Copa do Mundo: como joga, principais jogadores e a análise sobre os Faraós

O Egito está de volta à Copa do Mundo, após não conseguir a classificação para a edição do Catar, em 2022. A última participação da seleção egípcia no torneio foi em 2018, na Rússia, quando ficou no grupo do país-sede e foi derrotada nas três partidas. Os Faraós nunca conseguiram passar da primeira fase do torneio.

Antes disso, chegou a disputar as Copas do Mundo de 1934, quando se tornou a primeira seleção da África a disputar o torneio, e de 1990.

De 1994 até 2014, mesmo conquistando títulos dentro do continente, o Egito não conseguia a vaga para a Copa do Mundo. Deste modo, esta é somente a quarta edição do torneio para a seleção. Na primeira edição, com a competição iniciando em formato de mata-mata, o Egito foi eliminado na primeira partida ao ser derrotado pela Hungria por 4 a 2. Somando todas as edições disputadas, os egípcios seguem sem vitórias na Copa.

Para 2026, a expectativa é alta em torno do Egito. Diferente de outras edições, a seleção caiu em um grupo considerado acessível e sonha com a primeira vitória na competição e também com a classificação. Liderado pelo técnico Hossam Hassan, o time tem Mohamed Salah como capitão e principal nome para os jogos no Canadá e nos Estados Unidos.

Foto de capa: Frank Fife/AFP

Como joga o Egito

Hossam Hassan - técnico do Egito
Hossam Hassan irá disputar sua primeira Copa do Mundo como treinador (Foto: Reuters / Amr Abdallah Dalsh)

 

A formação do Egito de Hossam Hassan vai variar dependendo do contexto e do adversário. Contra oponentes que não devem oferecer tanto perigo, os egípcios atuam de forma mais ofensiva e agressiva. Quando joga contra seleções mais perigosas, a tendência é uma abordagem mais cautelosa, explorando ligações diretas e o contra-ataque.

Taticamente, o sistema alterna entre o 5-3-2 e o 4-2-3-1. Contra equipes consideradas superiores, a utilização do 5-3-2 gera solidez defensiva ao time, oferecendo dificuldades na criação de jogadas para as seleções adversárias, dando pouco espaço para explorá-las. Esta formação faz com que Mohamed Salah e Omar Marmoush tenham maior liberdade no ataque e, assim, consigam explorar as transições ofensivas. Já contra países mais acessíveis, nota-se uma variação para o 4-2-3-1, já que o sistema ajuda no equilíbrio em campo, além da troca de passes e da manutenção da posse de bola, fazendo com que o Egito proponha o jogo.

Apesar da alternância entre sistemas, a seleção egípcia prioriza a organização da estrutura defensiva, tendo como característica ser uma equipe bastante combativa, além de induzir seus adversários a erros e, assim, explorar contra-ataques, sendo um time bastante vertical na construção das jogadas.

Quando recupera a bola, Eman Ashour costuma ser o maestro da equipe, sendo peça essencial na ligação entre meio-campo e ataque, fazendo ligações e explorando as velocidades de Marmoush e Salah.

Mesmo tendo uma alternativa tática em jogos nos quais o adversário irá jogar em bloco mais baixo e se defender mais, o Egito prefere disputar partidas sendo a equipe que não irá propor o ataque com construções elaboradas. Em jogos nos quais os Faraós tenham dificuldade de explorar o contra-ataque, os comandados de Hossam Hassan podem ter dificuldades durante o duelo.

Principais jogadores

Mohamed Salah - Seleção do Egito
Mohamed Salah é o líder do elenco para a Copa do Mundo (Foto: Divulgação / Seleção do Egito)

 

A seleção do Egito chega à Copa do Mundo com a mesma grande estrela da última edição da qual participou: Mohamed Salah. Apesar de ser um dos jogadores mais renomados do futebol mundial, Salah chega em um contexto diferente. Enquanto, em 2018, o jogador chegava para o torneio tendo sido um dos melhores jogadores do mundo, na atual temporada enfrentou crises de vestiário no Liverpool, foi reserva em diversos jogos da temporada e ainda sofreu com lesões. O atacante, que irá buscar novos rumos na próxima temporada, mesmo não vindo de uma grande temporada, continua sendo a referência técnica e de liderança do elenco.

Outra peça importante do time é Omar Marmoush. Mesmo sendo apenas um jogador de rotação para o Manchester City, Marmoush vive o auge da sua carreira e pretende deixar o clube para que possa ser titular absoluto em outro grande clube europeu. O atacante possui como principais características sua velocidade, drible, mobilidade e pressão sem a bola sobre os adversários.

Eman Ashour também pode ser uma peça de desequilíbrio para o Egito. O meio-campista é o jogador responsável por ditar o ritmo de jogo durante as transições, além de ser o responsável por ligar as jogadas ao ataque. O meia possui características de armador, posição em que atua na seleção, e boa precisão nas bolas longas.

Outro nome importante para a seleção é Marwan Attia. O volante é crucial na organização do meio-campo dos Faraós, costumando fazer a distribuição de jogo após a bola sair da defesa.

Na baliza há uma indefinição. El-Shenawy, goleiro histórico da seleção e do Al-Ahly, pode perder a titularidade para a Copa do Mundo. Com 37 anos de idade, o goleiro viu-se perdendo espaço na seleção nos últimos amistosos para Shobeir, tanto no Egito quanto no Al-Ahly. Shobeir tem apenas 26 anos e representa a nova geração de goleiros do país.

Como foi o ciclo para a Copa do Mundo?

Diferente do ciclo para a Copa de 2022, a seleção do Egito não deu margem para o azar e garantiu, com tranquilidade e segurança, a vaga no torneio em 2026.

Em 10 partidas, os Faraós venceram oito e empataram duas e, com números impressionantes de 20 gols feitos e apenas dois sofridos, terminaram a campanha de qualificação na liderança do Grupo A, com 26 pontos. O grande destaque da trajetória foi Mohamed Salah, que marcou nove gols e foi o vice-artilheiro das eliminatórias africanas. Trézéguet também foi importante na caminhada, com cinco gols marcados.

Durante a Copa das Nações Africanas, o Egito não conseguiu sair com o título e foi eliminado nas semifinais pelo Senegal.

Analisando os amistosos mais recentes, a seleção egípcia se preparou bem e venceu a Arábia Saudita por 4 a 0; contra a Espanha, terminou em empate sem gols; venceu a Rússia por 1 a 0 e irá encerrar o ciclo de amistosos antes da Copa do Mundo enfrentando a seleção brasileira.

Onde pode chegar?

Os egípcios possuem grande expectativa para a Copa do Mundo de 2026. A seleção busca a primeira vitória na história do torneio e sonha com a classificação para o mata-mata da competição, tendo time para terminar nas duas primeiras posições do seu grupo ou buscar uma campanha entre os oito melhores terceiros colocados da fase de grupos.

Mesmo tendo a pressão da disputa da Copa do Mundo, a classificação para os 16 avos de final é factível para o Egito. Porém, o elenco deve se blindar para que o favoritismo em determinados jogos e a pressão da torcida não tenham efeito negativo nos jogadores.

Dentro da expectativa da fase de grupos, é esperada uma vitória sobre a Nova Zelândia e dois jogos duros contra Irã e Bélgica. Apesar das últimas duas partidas, o Egito tem time para vencer ambas as seleções, mas uma classificação na segunda posição do grupo já seria um grande feito para os Faraós.

Caso termine na segunda posição do Grupo G, o Egito irá enfrentar o segundo colocado do Grupo D, podendo enfrentar os Estados Unidos, o Paraguai, a Austrália ou a Turquia. Só de chegar ao mata-mata da competição, já seria histórico para a seleção egípcia, que pode continuar avançando no torneio.

Os jogos do Egito na Copa do Mundo

Grupo G

15/06 – 16h: Bélgica x Egito (Estádio Lumen Field – Seattle)

21/06 – 22h: Nova Zelândia x Egito (Estádio BC Place – Vancouver)

27/06 – 00h: Egito x Irã (Estádio Lumen Field – Seattle)