O empate por 1 a 1 entre Egito e Irã encerrou a participação das duas seleções na fase de grupos da Copa do Mundo com sentimentos diferentes. O Egito confirmou a classificação às 16 avos de final e agora terá pela frente a Austrália, enquanto o Irã terminou na terceira colocação e aguarda os resultados dos demais grupos para saber se estará entre os melhores terceiros colocados da competição.
Apesar do placar igual, o confronto deixou diversos indicativos sobre o que cada equipe pode apresentar caso continue viva no torneio. O Egito ganhou confiança, mostrou que consegue competir em partidas extremamente físicas e ainda terá a oportunidade de recuperar um de seus principais jogadores ofensivos. Já o Irã demonstrou que, mesmo sem controlar grande parte das ações ofensivas, possui uma arma muito clara capaz de incomodar qualquer adversário.
Shobeir cresce justamente no momento mais importante da Copa

O goleiro foi um dos principais responsáveis por garantir o empate e, consequentemente, a classificação egípcia. Ainda no início da partida apareceu para defender o pênalti cobrado por Taremi, evitando que o Irã virasse o jogo poucos minutos depois de sofrer o primeiro gol.
Mesmo no lance do empate iraniano, Shobeir pouco pôde fazer. Antes da finalização de Rezaeian, realizou uma excelente defesa no chute de Milad Mohammadi, mas acabou concedendo o rebote que originou o gol.
Na reta final, quando o Irã passou a pressionar em busca da vitória, o goleiro voltou a aparecer de maneira decisiva. No lance do gol posteriormente anulado pelo VAR, foi ele quem evitou o primeiro arremate de Ghorbani, mantendo o Egito vivo antes de Khalilzadeh completar para as redes em posição irregular.
Em um confronto eliminatório, onde normalmente uma única defesa pode decidir uma classificação, atuações como essa aumentam significativamente a confiança da equipe.
Contra a Austrália, adversário das 16 avos de final, o Egito sabe que provavelmente voltará a ser bastante exigido defensivamente. Ter um goleiro chegando em alta pode representar uma vantagem importante para os egípcios.
O duelo físico contra o Irã pode servir como preparação para enfrentar a Austrália
Outro aspecto positivo para o Egito foi a forma como a equipe respondeu ao intenso duelo físico imposto pelo Irã.
A partida praticamente não teve momentos de tranquilidade. Foram disputas constantes durante os 90 minutos, com muito contato e poucas oportunidades de controlar completamente o ritmo do jogo.
Os números ajudam a explicar esse cenário.
O Egito participou de 82 duelos pelo chão, vencendo 41, exatamente 50% das disputas. Já pelo alto foram 51 duelos aéreos, com 21 vitórias, um aproveitamento de aproximadamente 41%.
Mais do que os percentuais, esses dados mostram uma seleção preparada para competir em jogos de alta intensidade.
E isso pode fazer diferença já nas 16 avos de final.
A Austrália também costuma apostar em um futebol físico, forte nas disputas individuais e muito competitivo. Depois de enfrentar um adversário com características semelhantes, o Egito chega ao mata-mata já acostumado com esse tipo de exigência.
Nem sempre o vencedor de um confronto eliminatório será quem jogar o futebol mais bonito. Muitas vezes, sobreviver às disputas físicas e manter a concentração durante os 90 minutos é tão importante quanto criar oportunidades ofensivas.
Nesse aspecto, o duelo diante do Irã funcionou quase como um teste antes da fase decisiva.
Marmoush ainda precisa justificar a expectativa criada antes do Mundial

Se alguns jogadores saíram fortalecidos após a fase de grupos, Omar Marmoush vive situação completamente diferente.
O atacante chegou à Copa cercado por expectativas. Depois de se destacar no Eintracht Frankfurt e manter boas atuações pelo Manchester City, era apontado como um dos atletas capazes de dividir o protagonismo ofensivo com Mohamed Salah.
Até agora, porém, isso ainda não aconteceu.
Nas partidas contra Bélgica e Nova Zelândia, Marmoush teve atuações discretas e pouco participou das principais ações ofensivas da equipe.
O rendimento abaixo do esperado acabou custando sua vaga entre os titulares diante do Irã.
Mesmo entrando durante o segundo tempo, novamente teve pouca influência ofensiva e não conseguiu mudar o panorama da partida.
Agora, diante da Austrália, surge talvez sua oportunidade mais importante no torneio.
O mata-mata costuma transformar protagonistas, e Marmoush ainda possui qualidade suficiente para isso. Entretanto, uma nova atuação apagada poderá consolidar uma Copa do Mundo muito abaixo do que se esperava de um jogador que chegou ao torneio sendo tratado como uma das grandes esperanças do futebol egípcio.
O jogo aéreo pode ser a arma do Irã caso a classificação aconteça
Embora ainda dependa dos resultados dos outros grupos para confirmar sua vaga entre os melhores terceiros colocados, o Irã deixou um sinal importante para qualquer possível adversário.
Sua principal arma ofensiva parece estar muito bem definida.
Grande parte das melhores oportunidades criadas diante do Egito surgiu através das bolas levantadas na área.
Ao longo da partida, os iranianos realizaram 10 cruzamentos e encontraram perigo principalmente nas jogadas aéreas.
Taremi acertou o travessão de cabeça após cobrança de escanteio aos 88.
Poucos minutos depois, já nos acréscimos, outra bola levantada gerou um bate-rebate dentro da área, resultando no gol de Khalilzadeh, posteriormente anulado pelo VAR por impedimento.
Ainda houve tempo para Ezatolahi aparecer completamente livre após mais um cruzamento e acertar novamente o travessão, desperdiçando a última oportunidade da partida.
Não parece ser coincidência.
Sempre que conseguiu colocar a bola na área, o Irã criou dificuldades para a defesa egípcia.
Caso confirme sua classificação ao mata-mata, essa tendência deve continuar. Contra seleções tecnicamente superiores, explorar cruzamentos, escanteios e bolas paradas pode ser justamente o caminho encontrado pelos iranianos para equilibrar os confrontos.
O empate não garantiu a classificação do Irã, mas mostrou que a equipe possui uma identidade ofensiva capaz de incomodar qualquer defesa. Enquanto isso, o Egito chega às 16 avos de final com confiança em seu goleiro, preparado para mais um duelo físico e esperando que jogadores como Marmoush finalmente apresentem o futebol que motivou tanta expectativa antes do início da Copa do Mundo.
(Foto de capa: Dean Mouhtaropoulos/Getty Images)