Salah brilha em vitória do Egito contra a Nova Zelândia
Futebol Copa do Mundo

Egito tira o melhor de Salah para conquistar 1ª vitória em Copas: as impressões do jogo contra a Nova Zelândia

O Egito, enfim, conquistou sua primeira vitória em Copas do Mundo. Maior vencedora da Copa Africana de Nações e dona de uma das torcidas mais apaixonadas por futebol do planeta, a seleção egípcia precisou extrair o melhor de seu craque, Mohamed Salah, para alcançar um feito histórico.

Mais do que a marca inédita, a vitória por 3 a 1 sobre a Nova Zelândia deixa o Egito em uma situação bastante confortável na Copa do Mundo de 2026. Com quatro pontos no Grupo G, os egípcios podem avançar ao mata-mata até mesmo com uma derrota para o Irã na última rodada. O resultado, portanto, tem peso esportivo e simbólico.

Egito sofre mais do que deveria contra a Nova Zelândia

Apesar da superioridade técnica, o Egito sofreu mais do que deveria diante da Nova Zelândia. A equipe comandada por Hossam Hassan foi surpreendida pelo bom desempenho coletivo dos adversários no primeiro tempo e encontrou muitas dificuldades para transformar posse de bola em chances claras.

Ofensivamente, os egípcios foram pragmáticos e previsíveis. A maior parte das jogadas passava pelo lado direito, justamente onde Mohamed Salah e Zico acabaram bem marcados. A Nova Zelândia conseguiu fechar os espaços, dificultou as conexões e praticamente anulou a principal arma ofensiva rival.

Mashour também teve dificuldades para sustentar a bola no ataque. Sem conseguir respirar com a posse no campo ofensivo, o Egito acabou permitindo que a seleção da Oceania ganhasse confiança e avançasse suas linhas.

O cenário foi ainda mais complicado porque a Nova Zelândia jogou futebol. Os All Whites trocaram passes, mostraram organização ofensiva e repetiram parte da boa impressão deixada no empate contra o Irã. A diferença técnica entre as equipes era evidente, mas o conjunto neozelandês conseguiu equilibrar o confronto durante boa parte da etapa inicial.

O gol da Nova Zelândia, porém, saiu de uma jogada característica: a bola parada. Em um escanteio, a equipe aproveitou a estatura do zagueiro Surman para abrir o placar e colocar ainda mais pressão sobre o Egito.

Egito tira o melhor de Salah e transforma jogo

A primeira vitória do gigante país africano em Copas precisava ter o brilho de seu maior jogador. Mohamed Salah carregou o peso histórico da partida e respondeu justamente quando o Egito mais precisava.

Com 117 partidas pela seleção, o atacante chegou aos 66 gols e escreveu mais uma página importante da história do futebol egípcio. O gol e a participação decisiva no resultado reforçaram o tamanho de Salah para a equipe nacional.

A mudança de postura no segundo tempo passou diretamente pelo craque. Mais móvel, Salah deixou de ficar preso ao lado direito, passou a circular pelo campo e confundiu a marcação adversária. Com mais liberdade, conseguiu se associar melhor com Zico e Ashour, aumentando a qualidade das jogadas ofensivas.

Além disso, o Egito subiu a pressão na saída de bola da Nova Zelândia. A estratégia funcionou, principalmente porque o centroavante Chris Wood, que havia incomodado bastante no primeiro tempo, deixou de receber bolas em boas condições.

Em uma rotação completamente diferente, o Egito dominou o adversário e poderia até ter construído uma goleada. Os gols surgiram de diferentes maneiras: roubadas de bola no campo ofensivo, combinações rápidas entre os jogadores e jogadas de bola parada.

No fim, ainda sobraram espaços para contra-ataques. A equipe egípcia desperdiçou algumas oportunidades, mas mostrou uma capacidade ofensiva que não havia apresentado nos minutos iniciais.

Nova Zelândia deixa boa impressão no Mundial da América do Norte

Mesmo sem conquistar sua primeira vitória em Copas, a Nova Zelândia não faz feio no Mundial. Tradicionalmente associada apenas a um futebol físico e de pouca criatividade, a equipe mostrou evolução e apresentou argumentos para competir em alto nível.

Os All Whites exibiram organização para atacar, com troca de passes, saída de bola pelo chão e uma tentativa clara de aproximar o trio formado por Chris Wood, Justin e Singh. A ideia é conectar o centroavante com jogadores mais rápidos e técnicos ao redor.

O trio já havia criado problemas contra o Irã e voltou a incomodar o Egito. Principal referência ofensiva da equipe, Wood conseguiu disputar bolas e abrir espaços para os companheiros durante boa parte do confronto.

Outro ponto positivo foi a proteção da área. No primeiro tempo, a Nova Zelândia conseguiu controlar melhor os espaços defensivos e evitou uma pressão constante, algo que ainda não havia sido visto nas partidas anteriores.

Nova Zelândia ainda precisa de mais malandragem

O principal problema da Nova Zelândia continua sendo a dificuldade para lidar com momentos negativos dentro das partidas. Assim como aconteceu no jogo anterior, os All Whites não conseguiram administrar a reação adversária e acabaram sofrendo quando o cenário ficou desfavorável.

A fragilidade na bola aérea voltou a aparecer e será uma preocupação importante para a última rodada. Contra a Bélgica, a equipe provavelmente terá de passar boa parte do tempo tentando resistir aos ataques rivais e proteger sua própria área.

A classificação para a próxima fase ainda parece improvável, mas a Nova Zelândia deixa boas impressões nesta Copa do Mundo. Existe evolução no estilo de jogo, mais organização e uma equipe capaz de competir contra adversários tecnicamente superiores.

Foto: Reprodução/x/@EgyptNT_EN