Turquia x Paraguai, Copa do Mundo 2026. Foto: Reuters/Luisa Gonzalez
Futebol Copa do Mundo

Eliminados, Turquia e Tunísia precisam resolver bagunça interna para salvar boas gerações

Decepção é o que pode definir bem as performances de Turquia e Tunísia nesta Copa do Mundo. Depois de duas derrotas consecutivas, as seleções voltam pra casa com uma penca de reformulações a serem feitas, a começar parte interna.

Os desempenhos abaixo dentro de campo são um reflexo da crise administrativa e também de uma renovação de elenco completamente ineficaz.

Por isso, talentos como Arda Güler e Kenan Yildiz, de um lado, e Hannibal Mejbri e Ismael Gharbi, de outro, não despontam na seleção, tampouco são os responsáveis pelas quedas precoces dos países nesta Copa.

Turquia: uma geração promissora cercada por turbulências

Turquia, Copa do Mundo 2026. Foto: Stu Forster/Getty Images/AFP
Turquia, Copa do Mundo 2026. Foto: Stu Forster/Getty Images/AFP

 

A Turquia desembarcou nos Estados Unidos embalada pela boa campanha na Euro 2024, quando alcançou as quartas de final. A expectativa era de que a geração liderada por Arda Güler e Kenan Yildiz, e capitaneada por Hakan Çalhanoglu, desse mais um passo rumo à consolidação. Só que nada disso aconteceu.

As derrotas para Austrália e Paraguai, por 2 a 0 e 1 a 0, respectivamente, encerraram a participação turca ainda na fase de grupos e escancararam um problema recorrente: a dificuldade de transformar talento individual em um time competitivo.

A atual safra é considerada uma das mais promissoras das últimas décadas, mas ainda não encontrou maturidade coletiva suficiente para sustentar grandes resultados. Em diversos momentos, a equipe pareceu depender exclusivamente dos lampejos de suas joias.

A preocupação aumenta porque o futebol turco já viveu histórias parecidas. Depois do terceiro lugar na Copa do Mundo de 2002 e da semifinal da Euro 2008, a seleção desapareceu dos grandes palcos por um longo período. Antes desta edição, sua última participação em Mundiais havia sido justamente há 24 anos.

A expectativa era de que Arda Güler e companhia encerrassem esse ciclo. A eliminação precoce, porém, mostra que ainda existe uma distância considerável entre potencial e legado.

Ademais, parte dessa dificuldade está ligada ao próprio ambiente do futebol turco. Nos últimos anos, o país conviveu com episódios de violência, disputas políticas envolvendo clubes e seguidas polêmicas de arbitragem.

Em 2025, a Federação Turca suspendeu 149 árbitros após uma investigação relacionada a apostas esportivas. A descoberta de vínculos entre profissionais da arbitragem e casas de apostas gerou um enorme desgaste institucional.

Esses problemas não explicam diretamente a eliminação na Copa do Mundo, mas ajudam a ilustrar o cenário de instabilidade no qual a nova geração tenta se desenvolver.

Tunísia: a instabilidade virou regra

Tunísia, Copa do Mundo 2026
Tunísia, Copa do Mundo 2026. Foto: David Ramos/Getty Images.

 

Se a Turquia sofre para transformar talento em resultados, a Tunísia enfrenta um problema ainda mais básico: a falta de continuidade.

Após a goleada por 5 a 1 sofrida diante da Suécia, a Federação Tunisiana demitiu Sabri Lamouchi depois de apenas cinco jogos no cargo. É um caso curioso e que deixa até mesmo um registro histórico: somente a Escócia, em 1954, teve a saída de um treinador na primeira rodada de Copa do Mundo.

Enquanto outras seleções buscavam corrigir problemas dentro de campo, a Tunísia tentava reconstruir sua comissão técnica durante o próprio Mundial. A saída de Lamouchi é apenas mais um capítulo de uma crise que começou muito antes do Mundial.

Desde 2024, a Federação Tunisiana acumula trocas constantes de treinadores. Faouzi Benzarti deixou o cargo naquele ano. Depois veio Sami Trabelsi, que também acabou demitido após a eliminação para Mali na Copa Africana de Nações de 2025.

A consequência é uma seleção sem continuidade técnica e incapaz de desenvolver um projeto esportivo de longo prazo.

O cenário aponta para uma nova reconstrução, possivelmente sob o comando de Hervé Renard — que assumiu o lugar de Lamouchi e já esteve à beira do gramado, contra o Japão.

Jogadores experientes como Ellyes Skhiri e Firas Chaouat foram protagonistas de uma geração que classificou o país para três das últimas quatro Copas do Mundo. Agora, porém, o ciclo parece próximo do fim.

A expectativa passa a recair sobre nomes mais jovens, como Khalil Ayari e Omar Rekik, que devem liderar a próxima etapa do futebol tunisiano.

O mesmo problema por caminhos diferentes

Embora por motivos distintos, Turquia e Tunísia deixam a Copa com a mesma lição. Talento individual e tradição recente não bastam quando faltam estabilidade institucional e planejamento esportivo.

Em Ancara, a missão é transformar uma geração promissora em uma equipe competitiva. Em Túnis, o desafio passa por reconstruir um projeto capaz de sobreviver às constantes trocas de comando.

Últimos jogos de Turquia e Tunísia na Copa do Mundo
  • Turquia x EUA — 25/06, 23h (horário de Brasília), no SoFi Stadium, em Inglewood (EUA)
  • Tunísia x Holanda — 25/06, 20h (horário de Brasília), no Arrowhead Stadium, em Kansas City (EUA)

Créditos da foto de capa: Reuters/Luisa Gonzalez