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Falta repertório? Inglaterra encontra dificuldades contra Gana e preocupa na Copa do Mundo; confira

Depois da atuação convincente contra a Croácia na estreia, a expectativa era que a Inglaterra confirmasse o bom momento e encaminhasse sua classificação na Copa do Mundo de 2026. Mas o cenário foi completamente diferente diante de Gana. Em um jogo travado, de poucas oportunidades e muito controle sem profundidade, os ingleses ficaram no empate por 0 a 0 e deixaram algumas questões abertas para Thomas Tuchel resolver antes da fase decisiva.

A Inglaterra terminou a partida dominando a posse de bola e controlando territorialmente grande parte do confronto, mas pouco conseguiu transformar esse volume em chances claras. O resultado mantém a seleção em situação confortável dentro do Grupo L, mas ainda sem vaga garantida no mata-mata.

Mais do que os dois pontos deixados pelo caminho, o jogo reacendeu um debate que costuma aparecer em grandes torneios: quando o plano principal não funciona, a Inglaterra tem alternativas suficientes?

Gana trava o jogo e impede Inglaterra de repetir estreia empolgante

Contra a Croácia, a equipe inglesa encontrou espaços, acelerou o jogo e mostrou intensidade ofensiva principalmente no segundo tempo. Diante de Gana, o contexto foi completamente diferente.

A seleção africana entrou em campo preparada para reduzir espaços e impedir que os ingleses encontrassem ritmo. Com linhas baixas e organização defensiva, conseguiu transformar o duelo em um teste de paciência.

O resultado apareceu nos números.

A Inglaterra só conseguiu acertar sua primeira finalização no alvo aos 57 minutos de partida. O primeiro tempo terminou sem nenhuma conclusão certa das duas equipes — algo inédito nesta Copa até então.

Mesmo com amplo domínio da posse, o time de Tuchel circulava a bola sem acelerar o suficiente para desmontar o bloqueio adversário.

Declan Rice resumiu bem o cenário depois do jogo ao reconhecer a dificuldade de enfrentar uma equipe tão fechada e organizada.

E os números mostram como Gana executou seu plano com eficiência: segue como uma das poucas seleções que ainda não sofreram gols no torneio.

Inglaterra teve posse, mas faltou criatividade para transformar controle em perigo

Ao final da partida, a sensação era clara: a Inglaterra controlou o jogo, mas raramente deu a impressão de estar próxima do gol.

A circulação de bola foi segura demais em muitos momentos e faltou agressividade no último terço do campo.

Harry Kane simbolizou parte desse problema.

O atacante participou pouco do jogo, teve apenas 19 toques na bola e passou longos períodos isolado entre os defensores ganeses. Sem espaço para atacar e sem aproximação constante dos companheiros, quase não conseguiu influenciar o confronto.

Na melhor oportunidade inglesa nos minutos finais, Nico O’Reilly apareceu dentro da área e acertou o travessão. No rebote, Kane mandou por cima.

Foi um retrato do momento da equipe: muita pressão, pouca precisão.

Mesmo terminando a partida com domínio estatístico, a Inglaterra registrou um dado incômodo — nenhuma seleção na história das Copas havia tido posse tão dominante sem conseguir marcar.

Mudanças melhoraram o time e aumentam disputa por vaga

Se houve algum ponto positivo para Tuchel, ele apareceu justamente nas substituições.

A entrada de Morgan Rogers trouxe mais mobilidade entre linhas. Marcus Rashford aumentou a velocidade pelos lados e Bukayo Saka conseguiu criar situações de desequilíbrio.

Outro nome que chamou atenção foi Nico O’Reilly. Atuando pelo lado esquerdo, deu mais profundidade e quase marcou no fim.

As mudanças fizeram a Inglaterra criar seus melhores momentos da partida e naturalmente aumentam a pressão sobre o treinador para o próximo jogo.

Com o duelo contra o Panamá se aproximando, algumas decisões podem ganhar força.

Afinal, enfrentar uma seleção que provavelmente também atuará com linhas mais baixas exige soluções diferentes das utilizadas diante da Croácia.

Tuchel precisa encontrar novas respostas antes do mata-mata

Desde sua chegada, Thomas Tuchel deixou claro que quer uma Inglaterra com identidade definida.

Contra adversários que oferecem espaço, essa ideia parece funcionar.

Mas o empate diante de Gana mostrou um cenário diferente: quando o jogo exige mais criatividade posicional e menos aceleração, ainda existem dúvidas.

A discussão sobre alternativas ofensivas inevitavelmente volta ao centro do debate. Nomes como Cole Palmer e Phil Foden aparecem naturalmente nas conversas sobre repertório técnico e construção em espaços curtos, embora estejam fora do contexto imediato desta equipe.

Tuchel reconheceu após a partida que já esperava dificuldades e reforçou a necessidade de paciência — mas também de coragem nos momentos decisivos.

Foi justamente isso que faltou.

A Inglaterra segue viva e continua como uma das seleções mais fortes da competição, mas agora entra no duelo contra o Panamá precisando recuperar algo que parecia ter encontrado na estreia: fluidez.

Porque em Copa do Mundo, controlar o jogo nem sempre significa estar perto de vencer.

Foto: Getty Images