Aos 19 anos, Endrick já convive com uma pressão que poucos jogadores enfrentaram tão cedo. Tratado como uma das maiores promessas do futebol mundial desde a adolescência, o atacante do Real Madrid demonstra uma maturidade que chama a atenção até mesmo dentro da Seleção Brasileira.
Depois de um início de trajetória irregular na Espanha, o empréstimo ao Lyon foi determinante para recuperar a confiança, a regularidade e o faro de gol do jovem atacante. Agora, sob o comando de Carlo Ancelotti na Seleção, Endrick vive um momento de crescimento também fora das quatro linhas.
Maturidade louvável

Enquanto boa parte da torcida pede mais oportunidades para o camisa 9 na Copa do Mundo, o jogador mantém um discurso sereno e garante que sua única preocupação é estar preparado quando receber uma chance.
“Deus já me disse por que estou aqui: para mostrar quem é o Endrick e quem está ao meu lado.”
A frase, dita durante a entrevista coletiva antes do duelo contra a Noruega, rapidamente repercutiu e resumiu o momento vivido pelo atacante.
Diante dos microfones, Endrick demonstra uma tranquilidade incomum para alguém de apenas 19 anos. Escolhe cuidadosamente as palavras, evita alimentar debates sobre titularidade e transmite a segurança de quem aprendeu a lidar com a pressão que o acompanha desde os 16 anos.
Nos bastidores da Seleção, essa postura também é reconhecida. Integrantes da delegação destacam a inteligência emocional do atacante e afirmam que ele encontrou o equilíbrio necessário para controlar a ansiedade e aproveitar melhor as oportunidades.
Endrick merece ser titular?

Mesmo sem iniciar entre os titulares, o atacante tem dado motivos para aumentar a pressão popular por mais minutos. Contra o Japão, saiu do banco de reservas, mudou o rumo da partida, participou diretamente dos dois gols da virada e reforçou sua candidatura a uma vaga nas oitavas de final.
Endrick revelou que sequer esperava entrar naquele momento da partida.
“O jogo contra o Japão foi maravilhoso porque eu não esperava entrar. Conversei com Deus, pedi calma enquanto aguardava no banco. No intervalo, o treinador me disse para relaxar porque eu iria entrar.”
A relação de confiança com Ancelotti também pesa nesse processo. Segundo o atacante, o treinador foi fundamental desde os primeiros meses no Real Madrid ao pedir paciência e tranquilidade durante o período de adaptação.
“Na minha primeira temporada no Real Madrid, ele sempre dizia para eu ficar tranquilo porque meu momento chegaria. Sempre tive fé, porque ele é um dos melhores treinadores da história e sabe exatamente o que está fazendo.”
Com um novo desfalque na equipe brasileira, Endrick surge como uma das opções para começar jogando contra a Noruega. Capaz de atuar como centroavante, falso 9 ou pelos lados do ataque, ele garante que está preparado para exercer qualquer função que lhe for atribuída.
Independentemente da decisão de Ancelotti, o discurso permanece o mesmo: mais do que buscar uma vaga entre os titulares, Endrick quer apenas estar pronto para corresponder quando a oportunidade aparecer.
Créditos da foto de capa: Torbjorn Tande/DeFodi via Getty Images
