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Futebol Copa do Mundo

Entenda como a Espanha anulou Messi e conquistou a Copa do Mundo

A Espanha voltou ao topo do futebol mundial. Em uma final marcada pelo domínio técnico e tático da equipe comandada por Luis de la Fuente, a La Roja derrotou a Argentina por 1 a 0 na prorrogação e conquistou seu segundo título de Copa do Mundo. O gol decisivo de Ferran Torres, aos 106 minutos, coroou uma atuação em que os espanhóis foram superiores durante praticamente toda a partida, impedindo que a atual campeã do mundo impusesse seu estilo de jogo.

Embora o placar tenha permanecido zerado durante os 90 minutos regulamentares, a sensação era de que apenas uma equipe buscava a vitória. A Espanha controlou a posse de bola, pressionou a saída argentina, criou as melhores oportunidades e neutralizou Lionel Messi durante quase toda a decisão. O gol na prorrogação apenas confirmou uma superioridade construída desde os primeiros minutos e premiou a seleção que apresentou o futebol mais consistente ao longo do torneio.

Mais do que levantar a taça, a Espanha mostrou que continua fiel à identidade construída ao longo das últimas décadas, agora adaptada a um futebol mais intenso, físico e vertical. A conquista reforça o excelente trabalho desenvolvido por Luis de la Fuente e confirma a renovação da seleção espanhola com uma geração que mistura juventude e experiência.

O plano de Luis de la Fuente anulou Messi e deu controle total à Espanha

 

Antes da decisão, Luis de la Fuente já havia deixado claro que a Espanha não faria uma marcação individual em Lionel Messi. A estratégia era impedir que a bola chegasse ao camisa 10 argentino, fechando linhas de passe e pressionando constantemente os responsáveis pela construção das jogadas.

O plano funcionou praticamente de forma perfeita.

Rodri, Fabián Ruiz, Álex Baena, Marc Cucurella e Laporte trabalharam de maneira coordenada para cercar Messi sempre que ele tentava participar da partida. Sempre que um jogador argentino levantava a cabeça procurando seu principal articulador, encontrava o camisa 10 cercado por atletas espanhóis.

Sem conseguir conectar Messi ao restante da equipe, a Argentina passou a recorrer aos lançamentos longos de Emiliano Martínez e Lisandro Martínez em direção a Nicolás González. A Espanha, bem posicionada defensivamente, neutralizou essas tentativas sem grandes dificuldades.

Os números ajudam a explicar a eficiência do sistema espanhol. Ao final do primeiro tempo, Messi havia tocado apenas 15 vezes na bola e completado nove passes. Nenhum deles aconteceu no último terço do campo ou dentro da área adversária, regiões onde normalmente exerce maior influência.

Outro ponto decisivo foi a pressão sem bola.

A Espanha permitia que os zagueiros argentinos trocassem passes, mas fechava completamente os caminhos para Enzo Fernández e Alexis Mac Allister receberem livres no meio-campo. Sem opções de construção, a Argentina praticamente não conseguia desenvolver ataques organizados.

Esse comportamento defensivo refletiu diretamente no desempenho ofensivo do adversário. Durante praticamente toda a partida, a seleção argentina encontrou enormes dificuldades para criar oportunidades claras e só conseguiu finalizar duas vezes em toda a decisão, ambas nos minutos finais da prorrogação e nenhuma delas na direção do gol.

O meio-campo espanhol comandou a final e Ferran Torres virou herói

Se defensivamente a Espanha anulou a Argentina, ofensivamente o domínio também nasceu no meio-campo.

Rodri voltou a ser o cérebro da equipe, alternando entre a saída de bola e a organização das jogadas. Ao seu lado, Fabián Ruiz, Dani Olmo e Álex Baena deram mobilidade constante ao setor, trocando posições e confundindo completamente a marcação argentina.

Quando Alexis Mac Allister avançava para pressionar Rodri, surgiam espaços para Dani Olmo receber entre as linhas. Quando permanecia mais recuado, o volante do Manchester City tinha liberdade para iniciar as jogadas com tranquilidade.

Outro detalhe importante foi a movimentação dos atacantes.

Mikel Oyarzabal e Dani Olmo recuavam frequentemente para atrair os zagueiros argentinos para fora da área. Essa movimentação abriu espaços que foram explorados ao longo de toda a partida e também desgastou fisicamente a defesa adversária. Não por acaso, Lisandro Martínez e Cristian Romero precisaram deixar o gramado com problemas físicos.

Mesmo após a entrada de Leandro Paredes no intervalo, que deu um pouco mais de equilíbrio ao meio-campo argentino, a Espanha rapidamente retomou o controle da partida.

Luis de la Fuente ainda encontrou soluções no banco de reservas. Pedri entrou durante a segunda etapa e aumentou ainda mais a qualidade da circulação de bola. Já Ferran Torres acabou sendo o personagem decisivo da final.

O atacante vivia uma Copa irregular, acumulando críticas por atuações abaixo do esperado e dificuldades nas finalizações. No entanto, apareceu exatamente quando a Espanha mais precisava.

Na prorrogação, Lamine Yamal encontrou Nico Williams pela direita. O atacante escorou de cabeça para o centro da área e Ferran Torres apareceu livre para finalizar de primeira no alto, sem chances para Emiliano Martínez.

O gol transformou um jogador bastante contestado durante o torneio no grande herói da conquista espanhola.

Rodri confirma protagonismo e a nova geração coloca a Espanha novamente no topo

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(Photo by Carl Recine/Getty Images)

A conquista da Copa também premiou individualmente os principais destaques espanhóis.

Rodri foi eleito o melhor jogador do torneio após comandar o ritmo da equipe durante toda a competição. O volante repetiu o alto nível apresentado nas últimas temporadas por Manchester City e seleção espanhola, consolidando ainda mais sua posição entre os melhores meio-campistas do futebol mundial.

Outro nome que chamou atenção foi Pau Cubarsí.

Aos apenas 19 anos, o zagueiro realizou uma Copa praticamente impecável. Seguro na marcação e extremamente preciso na saída de bola, ajudou a Espanha a terminar sete dos oito jogos sem sofrer gols, desempenho que lhe garantiu o prêmio de Melhor Jogador Jovem do torneio.

Lamine Yamal também teve papel importante, mesmo sem apresentar o brilho individual esperado. Ainda recuperando sua melhor condição física após problemas musculares no fim da temporada pelos clubes, o jovem de 19 anos foi constantemente marcado por dois ou três adversários. Ainda assim, terminou a decisão como o jogador com mais dribles certos da partida, mostrando que sua simples presença já altera a organização defensiva dos rivais.

A final ainda carregou um simbolismo especial.

De um lado estava Lionel Messi, maior nome da história recente do futebol argentino e um dos maiores jogadores de todos os tempos. Do outro, Lamine Yamal, apontado por muitos como o principal talento da nova geração mundial.

Embora Yamal não tenha decidido a partida sozinho, participou diretamente da jogada do gol do título e ajudou a representar essa mudança de geração.

A Espanha encerra a Copa do Mundo como a equipe mais completa da competição. Aliando posse de bola, intensidade sem a bola, organização tática e talento individual, a seleção confirmou o favoritismo construído ao longo do torneio e voltou ao topo do futebol mundial de forma convincente. A conquista diante da Argentina não apenas rende o segundo título mundial da La Roja, mas também reforça que a nova geração espanhola tem potencial para iniciar mais um ciclo vitorioso no cenário internacional.

(Foto de capa: Lars Baron/Getty Images)

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Kaique