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Futebol Copa do Mundo

Espanha construiu um modelo que virou referência e pode alcançar um feito inédito na história do futebol

A Espanha está a apenas um jogo de alcançar um feito que nenhuma outra nação conseguiu no futebol mundial. Caso conquiste a Copa do Mundo de 2026, a seleção masculina passará a dividir com a equipe feminina o posto de atual campeã mundial, já que as espanholas levantaram a taça em 2023. Mais do que um título, esse cenário representa o sucesso de um projeto desenvolvido ao longo de muitos anos, baseado na formação de jogadores, na continuidade do trabalho e em uma filosofia de jogo seguida desde as categorias de base.

O sucesso espanhol não surgiu de uma geração talentosa por acaso. Pelo contrário, ele é resultado de um modelo que envolve clubes, federação, treinadores e atletas trabalhando dentro da mesma ideia de futebol desde a infância. Essa estrutura permitiu que a Espanha deixasse de ser apenas uma seleção competitiva para se transformar em uma potência constante tanto no futebol masculino quanto no feminino.

O momento vivido pelo país reforça essa superioridade. Enquanto a seleção feminina conquistou recentemente a Eurocopa de 2025 e já soma um título mundial, a equipe masculina chega à decisão da Copa do Mundo como atual campeã da Eurocopa e medalhista de ouro dos Jogos Olímpicos. Dos 26 jogadores convocados para o Mundial, 20 participaram de uma dessas duas conquistas, mostrando que a base do elenco permanece praticamente a mesma e que o crescimento foi construído de forma gradual.

A formação de atletas é o maior diferencial da Espanha

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Foto: @Barcelona / Instagram

Grande parte desse sucesso começa em La Masia, tradicional centro de formação do Barcelona e considerado um dos maiores celeiros de talentos do futebol mundial.

Foi lá que Lionel Messi chegou aos 13 anos antes de iniciar uma das carreiras mais vitoriosas da história do esporte. Curiosamente, mesmo defendendo a Argentina, Messi é um dos vários jogadores da final da Copa do Mundo que passaram pela academia catalã.

Ao lado dele estarão atletas espanhóis como Lamine Yamal, Gavi, Pau Cubarsí, Dani Olmo, Alejandro Grimaldo, Marc Cucurella e Víctor Muñoz, todos formados dentro do mesmo ambiente. A famosa fotografia de Messi dando banho no pequeno Lamine Yamal ganhou enorme repercussão por simbolizar a passagem de gerações, mas existe um significado ainda mais profundo. Ambos cresceram dentro do mesmo sistema de formação, aprendendo conceitos semelhantes de jogo desde muito cedo.

O impacto de La Masia também passou a ser visto no futebol feminino. Desde 2021, a academia recebe atletas residentes e já revelou algumas das maiores estrelas da Espanha, como Aitana Bonmatí, vencedora de três Bolas de Ouro, Alexia Putellas, bicampeã da premiação, além de Clàudia Pina e Ona Batlle.

Essa continuidade faz com que muitos jogadores cheguem às seleções nacionais já conhecendo perfeitamente os movimentos, os posicionamentos e os princípios táticos utilizados pelos treinadores.

Segundo a ex-jogadora americana Carli Lloyd, poucas seleções no mundo conseguem oferecer esse tipo de desenvolvimento coletivo.

Para ela, a Espanha inicia a construção da identidade dos atletas ainda aos nove anos de idade. Homens e mulheres seguem praticamente a mesma filosofia de jogo, permitindo que a transição entre as categorias aconteça de forma natural.

A filosofia vai muito além dos jogadores

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Foto: IMAGO

O modelo espanhol não forma apenas atletas.

Os treinadores também percorrem praticamente todo o caminho dentro das seleções nacionais antes de assumirem a equipe principal.

Luis de la Fuente passou quase dez anos trabalhando com as seleções sub-19, sub-21 e sub-23 antes de assumir a equipe principal em 2022. Jorge Vilda, campeão da Copa do Mundo Feminina de 2023, também construiu sua carreira nas categorias inferiores antes de chegar ao comando da seleção adulta.

Essa continuidade faz com que a identidade do futebol espanhol seja preservada independentemente da troca de gerações.

De la Fuente costuma destacar que o principal mérito da equipe está na capacidade de interpretar o jogo. Segundo o treinador, os jogadores entendem naturalmente como atuar nas fases ofensiva, defensiva e na ocupação dos espaços do meio-campo porque aprenderam esses conceitos durante toda a formação.

Carli Lloyd acredita que esse seja um dos maiores diferenciais da Espanha em relação a outras potências.

Ela cita como exemplo os Estados Unidos, onde diferentes treinadores costumam implementar estilos variados de jogo. Na Espanha, independentemente da categoria, existe uma linha de trabalho muito mais uniforme.

O tiki-taka evoluiu e tornou a Espanha ainda mais perigosa

França x Espanha, Copa do Mundo 2026. Foto: Reprodução/Fifa.com
França x Espanha, Copa do Mundo 2026. Foto: Reprodução/Fifa.com

Durante muitos anos, o futebol espanhol ficou conhecido pelo famoso tiki-taka, caracterizado pela enorme troca de passes curtos e pela manutenção constante da posse de bola.

Embora essa característica continue presente, a seleção atual desenvolveu novas maneiras de atacar.

Hoje, além de controlar a posse, a Espanha utiliza passes mais verticais, acelera a construção das jogadas e procura explorar os espaços nas costas da defesa adversária com muito mais frequência.

Essa evolução ficou evidente na semifinal da Copa do Mundo diante da França.

A vitória por 2 a 0 foi considerada por Carli Lloyd uma verdadeira aula de futebol. O segundo gol espanhol nasceu de uma rápida sequência de passes entre Pedro Porro e Dani Olmo antes da conclusão para as redes, um lance que, segundo a ex-jogadora, só é possível graças a uma filosofia treinada durante muitos anos.

Ela explica que o segredo não está apenas na qualidade técnica dos jogadores, mas principalmente na capacidade de cada atleta saber antecipadamente onde estará o companheiro seguinte e qual será o próximo passe da jogada.

Esse entendimento coletivo permite que a Espanha mantenha o controle das partidas mesmo diante de adversários de alto nível.

Um ciclo que pode marcar uma geração inteira

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Foto: Reprodulção/Instagram @marizabel_rguez

Caso confirme o favoritismo e conquiste a Copa do Mundo de 2026, a Espanha não apenas levantará mais um título mundial.

A seleção poderá iniciar um período de domínio semelhante ao vivido por outras grandes gerações da história do futebol.

O cenário se torna ainda mais promissor porque boa parte dos protagonistas ainda é muito jovem. Lamine Yamal, Gavi, Pau Cubarsí e diversos outros jogadores deverão permanecer no auge durante muitos anos, enquanto a seleção feminina também mantém uma base extremamente competitiva.

Se, além do título masculino, as espanholas conseguirem defender a conquista mundial na Copa do Mundo Feminina de 2027, disputada no Brasil, a Espanha poderá consolidar uma das maiores dinastias já vistas no futebol internacional.

Mais do que vencer campeonatos, o país demonstra que um projeto de longo prazo, baseado em formação, continuidade e identidade de jogo, pode produzir resultados consistentes durante muitos anos e servir de inspiração para outras seleções ao redor do mundo.

(Foto de capa: Fox Sports)

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Kaique