verstappen
Automobilismo Fórmula 1

Ex-chefe de equipe da F1 diz que Max Verstappen perdeu sua principal vantagem com o novo regulamento

O ex-chefe de equipe da Toro Rosso e da AlphaTauri, Franz Tost, acredita que Max Verstappen perdeu sua maior vantagem competitiva com a introdução do novo regulamento da Fórmula 1. A temporada 2026 da F1 marcou a maior reformulação técnica dos últimos anos. A categoria deixou para trás a era do efeito solo, período em que Max Verstappen conquistou três dos quatro campeonatos mundiais disputados.

Embora não tenha conseguido fechar esse ciclo com quatro títulos em quatro anos, o holandês ainda se manteve na disputa durante a primeira temporada de título de Lando Norris.

No entanto, o cenário mudou bastante neste campeonato. Desde as primeiras corridas do ano, a Mercedes assumiu a dianteira do pelotão, enquanto a Red Bull passou a aparecer mais distante do topo e ainda enfrentando problemas de confiabilidade.

Kimi Antonelli disparou na liderança do campeonato com cinco vitórias consecutivas. O piloto soma 156 pontos, contra apenas 55 de Verstappen.

Novo regulamento mudou a dinâmica da pilotagem

O tetracampeão mundial não esconde sua insatisfação com as regras de 2026. Desde as primeiras etapas, Verstappen reclama que a divisão de 50/50 entre potência do motor a combustão e energia elétrica piorou a qualidade das corridas, reduzindo o peso da habilidade do piloto e aumentando a importância da gestão da carga elétrica.

Mesmo com essas críticas, Franz Tost discorda da avaliação de seu ex-piloto. Em entrevista ao jornal austríaco Krone, ele afirmou não ver a temporada de forma negativa. “Não vi uma única corrida chata nesta temporada”, disse Tost.

Na visão do ex-dirigente, a frustração de Verstappen e de outros pilotos de ponta está ligada ao fato de eles terem perdido justamente uma de suas armas mais fortes: a capacidade de frear mais tarde do que os adversários. “Claro, houve muitas discussões sobre o novo regulamento. Também consigo entender a frustração dos pilotos de ponta. Pilotos como Max Verstappen, Lando Norris ou Fernando Alonso costumavam conseguir explorar seus pontos fortes nas freadas.”, afirmou o austríaco.

Segundo Tost, o novo formato de uso de energia interfere diretamente nessa característica. “Mas, se você precisa tirar o pé do acelerador 10 ou 20 metros antes do ponto de frenagem para recarregar, essa vantagem desaparece.”

Tost vê mudanças como um caminho positivo para a F1

As reclamações ao longo da temporada levaram a uma resposta da própria Fórmula 1. Pilotos, FOM, FIA e fabricantes de unidades de potência chegaram a um acordo para alterar gradualmente a proporção entre motor a combustão e energia elétrica.

O atual modelo, que divide a entrega de potência em 50/50, será substituído por uma configuração de 60/40 em favor do motor a combustão. A transição acontecerá ao longo de duas temporadas: em 2027, a divisão passará para 58/42, e em 2028 será implementado o formato definitivo de 60/40.

Tost recebeu bem essa decisão e avaliou a direção da categoria de forma positiva. “O desenvolvimento está caminhando em uma direção muito positiva”, declarou.

Na opinião dele, o aspecto mais importante é que as corridas seguem oferecendo disputas e ultrapassagens, que é justamente o que o público quer ver. “Há muitas manobras de ultrapassagem, que são exatamente o que os espectadores querem ver, na minha opinião. Se a bateria está cheia ou vazia, isso não interessa à maioria dos fãs.”

Futuro de Verstappen sob essas regras passa a ser questionado

Além da mudança já programada para a divisão entre motor a combustão e energia elétrica, a Fórmula 1 também trabalha em novas alterações para reduzir o chamado super-clipping, fenômeno que marcou a temporada de 2026.

A expectativa é que essas mudanças permitam aos pilotos continuar ganhando velocidade nas retas principais, algo que hoje é prejudicado em determinados momentos pelo gerenciamento de energia. Ainda assim, a tendência é que essas correções não mudem tanto a forma de atacar curvas quanto acontecia sob o regulamento anterior.

É justamente nesse ponto que surge uma dúvida maior sobre Verstappen. Se o novo conjunto de regras realmente diminui a importância de um de seus pontos mais fortes, a capacidade de frear no limite e ganhar tempo na entrada das curvas, então passa a existir um questionamento natural sobre sua capacidade de lutar por títulos dentro dessa nova realidade técnica da F1.

A crítica de Tost vai justamente nessa direção: para ele, o problema não está necessariamente na qualidade do campeonato ou das corridas, mas no fato de que pilotos acostumados a tirar vantagem em determinadas áreas agora precisam se adaptar a um cenário diferente, no qual o gerenciamento da energia passou a influenciar diretamente a forma de pilotar.

Nesse contexto, a temporada de 2026 pode representar não apenas uma mudança de forças no grid, mas também uma transformação mais profunda na maneira como os grandes talentos da categoria conseguem fazer diferença. Para Verstappen, isso significa enfrentar não só adversários mais fortes, como também um regulamento que, na visão de Franz Tost, tirou justamente sua maior arma.

Foto: (Fórmula 1)