A promoção de Isack Hadjar para a Red Bull Racing em 2026 marca mais um capítulo da política agressiva — e seletiva — de formação de talentos da equipe austríaca. O francês foi escolhido para ocupar o lugar de Yuki Tsunoda após uma excelente temporada em 2025. Correndo pela Racing Bulls, equipe irmã da RBR, Hadjar somou 51 pontos em sua temporada de estreia na Fórmula 1, superando com autoridade o então companheiro Lian Lawson e se consolidando como um dos novatos mais consistentes do grid.
O desempenho chamou a atenção não apenas pelos números, mas pela forma como eles foram construídos. Hadjar mostrou rapidez em classificação, maturidade estratégica em corrida e uma capacidade rara de aprender rapidamente com erros — características que a Red Bull historicamente valoriza. Ainda assim, a equipe deixa claro que 2026 não será um ano de cobranças imediatas por vitórias ou disputas diretas com Max Verstappen. A palavra de ordem, ao menos publicamente, é paciência.
A Red Bull promete ter calma com o jovem de 21 anos, especialmente por reconhecer o tamanho do desafio que é enfrentar um tetracampeão mundial estabelecido como Verstappen. Internamente, o objetivo inicial é que Hadjar se adapte ao ambiente da equipe principal, compreenda as demandas técnicas de um carro desenvolvido em torno de um piloto muito específico e construa uma base sólida de desempenho. Pontuar com regularidade, evitar erros grandes e mostrar evolução constante são metas mais realistas do que brigar por pódios logo de início.
Paciência com Hadjar
Essa abordagem foi reforçada recentemente pelo chefe da Red Bull, Laurente Mekies, que destacou a visão de longo prazo da equipe em relação ao francês. “Encaramos como um começo para que ele continue a se desenvolver, a continuar nos impressionando e a continuar nos surpreendendo. E vocês podem esperar isso no segundo ano. Podem esperar isso no terceiro ano, talvez no quarto ano. Então, essa é um pouco da nossa jornada juntos”, declarou Mekies. A fala deixa claro que Hadjar não está sendo avaliado apenas pelo que pode entregar em 2026, mas pelo potencial que pode atingir ao longo de várias temporadas.
No entendimento de Mekies, Hadjar tem, sim, perfil para se tornar campeão mundial, mas esse processo exige tempo e contexto adequado. “Ao longo dos anos, vimos muitos campeões se desenvolverem, fazendo coisas que não tinham feito no carro algumas corridas antes. Vimos isso também com o Isack este ano. Vimos ele fazendo coisas no carro que não fazia três corridas antes.” A comparação implícita com trajetórias de outros campeões serve para reduzir a pressão imediata e reforçar a ideia de crescimento progressivo.
Do ponto de vista técnico, 2026 também será um ano atípico para a Fórmula 1, com a introdução de um novo regulamento de motores e chassis. Isso pode funcionar tanto como obstáculo quanto como oportunidade para Hadjar. Por um lado, a adaptação simultânea a um novo carro e a uma nova equipe aumenta a complexidade do desafio. Por outro, mudanças profundas tendem a nivelar o grid e reduzir vantagens históricas, o que pode facilitar a inserção de um piloto jovem em um ambiente altamente competitivo.
O próprio Hadjar reconhece esse cenário. Recentemente, o francês admitiu que deve começar atrás de Verstappen nas primeiras corridas da temporada. A expectativa, porém, é que ele encerre 2026 com uma pontuação superior à de 2025, mostrando progresso claro e conseguindo acompanhar o companheiro de equipe em momentos específicos do campeonato. Se conseguir transformar aprendizado em performance ao longo do ano, Hadjar dará à Red Bull exatamente o que ela espera: não um rival imediato para Verstappen, mas a construção cuidadosa de um possível líder para o futuro.
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