A Ferrari correspondeu às expectativas que a colocavam entre as favoritas antes do início do fim de semana do Grande Prêmio de Mônaco e apresentou um ritmo forte nos treinos na última sexta-feira. A grande questão agora é saber se a equipe conseguirá manter esse desempenho ao longo do restante do fim de semana e transformá-lo em uma disputa real pela pole position e pela vitória na corrida.
Desde as primeiras voltas do primeiro treino livre, tanto o favorito da casa, Charles Leclerc, quanto o heptacampeão mundial Lewis Hamilton demonstraram grande confiança no traçado estreito e sinuoso do Principado. Ambos pilotaram muito próximos dos muros, deixando margens mínimas de segurança em uma pista conhecida por punir qualquer erro.
Leclerc foi o mais rápido no primeiro treino, superando Hamilton por cerca de dois décimos de segundo. No segundo treino, as posições se inverteram, com Hamilton terminando à frente por aproximadamente um décimo. O desempenho da dupla sugeriu que a Ferrari possui potencial suficiente para ocupar toda a primeira fila do grid, colocando seus pilotos diretamente na disputa pela vitória.
A expectativa de um bom desempenho da Ferrari em Mônaco estava ligada às características de seu carro, especialmente sua eficiência em curvas de baixa velocidade e ao comportamento favorável do motor turbo em um circuito onde a diferença de potência para a Mercedes se torna menos evidente devido à natureza lenta da pista de Monte Carlo. Ainda assim, não havia garantia de que a equipe seria a mais rápida do fim de semana.
Na sexta-feira, entretanto, essa impressão positiva foi reforçada. Apesar disso, após o encerramento das atividades, Leclerc revelou que ainda não estava totalmente satisfeito com o comportamento do carro. Segundo ele, a equipe enfrenta alguns problemas relacionados aos freios em seu lado da garagem, algo que afeta diretamente sua confiança ao volante.
O monegasco explicou que está lidando com essas dificuldades desde o Grande Prêmio do Canadá e que a equipe continua buscando soluções. Ele afirmou que, caso os problemas sejam resolvidos antes das atividades de sábado, acredita que haverá uma melhora significativa no desempenho.
Mesmo enfrentando essas limitações, Leclerc continuou competitivo durante toda a sexta-feira. Com Hamilton demonstrando confiança crescente, a Ferrari aparece como a principal referência para os adversários no momento.
Mercedes encontra dificuldades inesperadas
O desempenho da Mercedes ajuda a ilustrar o quão forte a equipe tem sido nesta temporada. Embora ambos os carros tenham terminado entre os cinco primeiros colocados, o resultado não foi considerado particularmente animador pelos integrantes da equipe.
Na verdade, este foi o treino de sexta-feira mais complicado da temporada até agora para a Mercedes. No segundo treino livre, os carros da equipe ficaram quase quatro décimos de segundo atrás do ritmo apresentado pela Ferrari.
George Russell reconheceu que o primeiro dia de atividades foi um pouco mais desafiador do que a equipe esperava. Ainda assim, ele destacou que houve uma evolução importante entre o primeiro e o segundo treino livre, o que lhe dá esperança de que a Mercedes consiga repetir esse progresso durante a noite e chegar mais competitiva ao sábado.
O vice-chefe da equipe, Bradley Lord, também destacou o desempenho impressionante da Ferrari. Segundo ele, a Mercedes ainda precisa trabalhar no equilíbrio do carro e encontrar uma maneira de melhorar o comportamento nas curvas lentas sem comprometer a estabilidade da traseira. Esse aspecto será fundamental para que a equipe permaneça na disputa pelas posições mais altas do grid e evite ser superada na primeira fila pela primeira vez nesta temporada.
Embora os carros da Mercedes continuem demonstrando consistência, a diferença observada na sexta-feira indica que ainda há um trabalho importante a ser realizado para reduzir a vantagem apresentada pela Ferrari nas ruas de Monte Carlo.
Red Bull surge como possível surpresa
Max Verstappen encerrou o segundo treino livre na terceira posição, apenas 0,168 segundo atrás dos carros da Ferrari. Apesar disso, a Red Bull preferiu adotar um discurso cauteloso e evitar conclusões precipitadas sobre seu verdadeiro potencial.
Ainda assim, houve sinais positivos. Um dos mais relevantes foi o fato de Verstappen não ter demonstrado o mesmo nível de insatisfação com o carro que normalmente apresenta nas sextas-feiras. O tetracampeão mundial pareceu confortável durante boa parte das atividades e mostrou confiança suficiente para explorar os limites da pista.
A equipe também teve um dia movimentado do outro lado da garagem. Após Isack Hadjar sofrer um acidente no primeiro treino livre, os mecânicos realizaram um excelente trabalho para recuperar o carro a tempo do segundo treino. O piloto francês conseguiu retornar à pista com cerca de 40 minutos restantes na sessão e gradualmente reconstruiu sua confiança, terminando o dia na sexta colocação.
Ao longo da temporada, a Red Bull tem mostrado capacidade de evoluir significativamente entre sexta-feira e sábado. Caso essa tendência se repita em Mônaco, a equipe poderá se transformar em uma das grandes surpresas do fim de semana, desafiando diretamente Ferrari e Mercedes pelas primeiras posições.
McLaren perde terreno e Audi lidera o pelotão intermediário
A McLaren não teve o início de fim de semana que desejava em seu milésimo GP. Com base nos resultados da sexta-feira, a equipe apareceu apenas como a quarta força do grid.
O diretor técnico e chefe de design, Rob Marshall, afirmou que o carro apresentou sinais promissores nos setores dois e três da pista, mas mostrou dificuldades significativas no primeiro trecho da volta. A equipe acredita que o problema possa estar relacionado à temperatura dos pneus, embora ainda seja necessária uma investigação mais aprofundada.
Lando Norris enfrentou um contratempo importante durante o segundo treino livre. Ele completou apenas oito voltas antes de parar na chicane Nouvelle devido a uma falha elétrica que desligou completamente o carro.
Tanto Norris quanto seu companheiro de equipe, Oscar Piastri, admitiram que a equipe terá dificuldades para entrar na disputa pelo pódio neste fim de semana. Ainda assim, houve progresso: a diferença para os líderes caiu de aproximadamente 1,5 segundo no primeiro treino para cerca de um segundo no segundo treino. Caso consigam repetir esse avanço durante a noite, ainda poderão recuperar terreno.
No pelotão intermediário, a principal surpresa foi a Audi. Embora a Alpine tenha ocupado frequentemente a posição de melhor equipe do grupo ao longo da temporada, a fabricante alemã parece ter assumido esse posto em Mônaco.
A Audi, que faz sua estreia como equipe de fábrica neste ano, já vinha demonstrando bom desempenho em classificações, apesar de frequentemente perder posições durante as corridas devido a largadas pouco eficientes. Em Monte Carlo, a primeira parte dessa tendência voltou a aparecer.
Tanto Gabriel Bortoleto quanto Nico Hulkenberg terminaram dentro do top 10 nos treinos de sexta-feira, garantindo à Audi o status de melhor equipe do restante do pelotão.
Como a classificação tem enorme importância em Mônaco devido à dificuldade de ultrapassar, esta representa uma excelente oportunidade para a equipe voltar a marcar pontos pela primeira vez desde o GP da Austrália, que abriu a temporada.
Foto: (Scuderia Ferrari)