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Automobilismo Fórmula 1

FIA reduz parte elétrica e aumenta potência dos motores para 2027 na Fórmula 1

A FIA anunciou novas mudanças no regulamento técnico da Fórmula 1 para 2027, em uma tentativa clara de responder às críticas que surgiram em torno das novas regras, introduzidas em 2026. O principal alvo das reclamações tem sido o excesso de gerenciamento de energia e a forte dependência elétrica dos carros atuais.

Com isso, a FIA confirmou que pretende reduzir a participação do sistema elétrico nas unidades de potência e devolver mais protagonismo ao motor a combustão a partir de 2027.

As alterações ainda precisam passar por votação formal das fabricantes de motores e aprovação do Conselho Mundial da FIA, mas já foram “acordadas em princípio” entre equipes, montadoras e dirigentes da categoria.

FIA tenta responder críticas sobre a Fórmula 1 de 2026

Desde o início da atual geração de carros, muitos pilotos passaram a reclamar da forma como os novos modelos precisam ser pilotados. Apesar de os carros terem ficado menores e mais leves, o foco excessivo no gerenciamento de energia acabou mudando bastante o estilo de pilotagem.

Em vários circuitos, os pilotos passaram a reduzir velocidade muito antes das zonas de frenagem para economizar ou recuperar energia elétrica. Além disso, em curvas de alta velocidade, forçar demais o carro muitas vezes acaba prejudicando o tempo de volta.

Embora o número de ultrapassagens tenha aumentado significativamente em comparação com 2025, também cresceram as preocupações com a diferença de velocidade entre carros em momentos distintos de uso de energia.

O acidente de Oliver Bearman em Suzuka acabou aumentando ainda mais esse debate dentro do paddock. O piloto quase atingiu Franco Colapinto em alta velocidade após uma grande diferença de ritmo causada justamente pelo gerenciamento energético.

Mudanças feitas em Miami foram consideradas positivas

Durante a pausa inesperada do calendário, causada pelo cancelamento das etapas do Bahrein e da Arábia Saudita, FIA, equipes e fabricantes realizaram diversas reuniões para discutir possíveis soluções.

As primeiras alterações já foram implementadas antes do GP de Miami. A FIA aumentou o chamado “super clipping” de 250 kW para 350 kW, permitindo maior recuperação de energia em aceleração plena.

Além disso, os carros passaram a poder recuperar 7MJ de energia durante a classificação, em vez dos 8MJ anteriores. O objetivo foi diminuir a necessidade de estratégias exageradas de economia de energia ao longo das voltas rápidas.

Segundo a FIA, as mudanças tiveram impacto positivo na competição e ajudaram a melhorar o comportamento dos carros na pista. A mesma também afirmou que não foram identificados problemas graves de segurança após a corrida em Miami.

Ainda assim, novas pequenas alterações seguem sendo avaliadas para as próximas etapas, incluindo revisões ligadas à segurança nas largadas, condições de chuva e sistemas visuais de sinalização.

Fórmula 1 terá mais potência do motor a combustão em 2027

A principal mudança anunciada para 2027 envolve justamente a divisão entre potência elétrica e potência do motor a combustão. Atualmente, os carros operam com uma divisão próxima de 50% para cada lado. A partir de 2027, a FIA pretende aumentar em cerca de 50 kW a potência do motor a combustão através de mudanças no fluxo de combustível.

Ao mesmo tempo, a potência entregue pelo sistema de recuperação de energia será reduzida na mesma proporção. Na prática, isso significa que os carros dependerão menos da parte elétrica e voltarão a ter um comportamento mais próximo das gerações anteriores da Fórmula 1, algo que muitos pilotos e fãs vêm pedindo desde o início da nova era.

A FIA explicou que essa alteração pode exigir mudanças físicas nas unidades de potência, motivo pelo qual a implementação foi planejada apenas para 2027, dando tempo suficiente para adaptação das fabricantes.

Pilotos e fãs pressionam FIA por carros mais “naturais”

As discussões sobre os regulamentos atuais vêm crescendo há meses dentro da Fórmula 1. Muitos pilotos passaram a demonstrar desconforto com a necessidade constante de administrar energia durante as corridas.

Além disso, parte do público também começou a questionar a identidade da categoria. Nas redes sociais, vídeos de carros antigos com motores V8 e V10 seguem viralizando, enquanto cresce a nostalgia por carros mais barulhentos e agressivos.

A própria FIA admitiu que as mudanças discutidas nas últimas semanas contaram com participação ativa dos pilotos, algo visto como importante para aproximar novamente os regulamentos da realidade das pistas.

Embora o retorno aos motores V8 ainda não esteja oficialmente em pauta para curto prazo, o movimento da FIA mostra que a categoria começa a reconhecer parte das críticas feitas à geração atual de carros.

Mudanças ainda precisam de aprovação final

Apesar do anúncio oficial, as alterações para 2027 ainda dependem da aprovação das fabricantes de motores e da ratificação do Conselho Mundial da FIA. Mesmo assim, a FIA deixou claro que existe um consenso inicial entre os envolvidos para seguir nessa direção.

O objetivo principal é encontrar um equilíbrio melhor entre sustentabilidade, competitividade e espetáculo, tentando evitar que a Fórmula 1 continue sendo vista como uma categoria excessivamente dependente do gerenciamento eletrônico.

Os próximos meses serão decisivos para definir os detalhes finais do novo pacote técnico que pode mudar novamente o rumo da Fórmula 1 nos próximos anos. 

(Foto: Fórmula 1)