O técnico Filipe Luís comandou o Flamengo em mais uma vitória na temporada, desta vez sobre o Deportivo Táchira, na estreia da Copa Libertadores. O clube carioca encerrou um tabu de dois anos sem vencer fora de casa na competição. Mesmo com diversos desfalques, o treinador impôs sua consistência e, ainda que sem uma atuação de gala, conquistou os importantíssimos três pontos.
Não à toa, Filipe Luís foi cogitado como um dos possíveis substitutos de Dorival Júnior na Seleção Brasileira. O profissional é visto como um dos mais promissores do país. Com três títulos no currículo (Copa do Brasil, Taça Guanabara e Campeonato Carioca), ele já soma mais vitórias do que derrotas à frente do time rubro-negro, até aqui, apenas uma.
O Flamengo não goleou seu adversário, mas controlou grande parte das ações em campo, enquanto o Táchira se limitava a se defender com linhas bem compactas. Sem Gerson, Wesley, Plata, Pedro, Arrascaeta e Viña, Filipe Luís repetiu a estrutura usada contra o Internacional na estreia do Brasileirão, fazendo ajustes no segundo tempo para buscar a vitória.
O empate sem gols persistiu até os 57 minutos, quando Filipe decidiu agir. Ele colocou Juninho, Allan e Alex Sandro em campo. Os atacantes que começaram o jogo não conseguiram resolver um dos principais problemas do Flamengo na temporada: a eficiência nas finalizações frente ao goleiro. Isso mudou quando o lateral-esquerdo acionado pelo técnico achou Cebolinha em profundidade. O camisa 11 cruzou para o camisa 23 marcar de peito.
Com uma simples parada técnica, o treinador resolveu a partida. A ideia de jogo já era sólida, o foco do time era claro, mas Filipe Luís sabe que seu impacto direto nos atletas tem limites. Diante de uma linha de cinco defensores e, logo atrás, outra de quatro, o Táchira dificultava qualquer infiltração. Sem o brilho individual dos jogadores em campo, a missão parecia quase impossível.
Se as mudanças não tivessem ocorrido, o empate seria praticamente inevitável.
O impacto de Filipe Luís no Flamengo

O que começou como um “tapa-buraco” se transformou em um dos projetos mais interessantes do Flamengo nos últimos tempos. A chegada de Filipe Luís impactou diversas áreas do time, trazendo a liderança que ele já exercia como jogador, uma leitura de jogo apurada e um profundo conhecimento dos jovens talentos do elenco.
Antes de assumir o time profissional, Filipe passou pelas categorias de base do clube. Lá, teve contato com jogadores que hoje integram seu banco de reservas, como Wallace Yan, João Victor, Cleiton, Joshua, Daniel Sales, entre outros atletas que, inclusive, já têm sido pedidos por parte da torcida.
Entretanto, algumas críticas beiram o exagero. Na última quinta-feira (3), após a divulgação da escalação para o jogo contra o Deportivo Táchira, houve torcedores questionando a ausência dos jovens em uma estreia de Libertadores na Venezuela. Mas é preciso lembrar que o Flamengo não vencia fora de casa pela competição há dois anos.
Pensar com clareza nesse tipo de situação é difícil, especialmente tratando-se da torcida do Flamengo. Justamente por isso, é importante observar como Filipe Luís se posiciona: ele não tem pressa para acelerar o processo de lapidação dos jovens talentos. As oportunidades virão no tempo certo, como aconteceu com Wallace Yan, que teve bom desempenho contra o Internacional.
Outro nome em ascensão no elenco é Matheus Gonçalves, que ganhou espaço após Lorran perder fôlego em sua evolução. O caso do ponta-direita é emblemático sobre como a utilização precoce de uma promessa pode prejudicar seu crescimento. Tite, ex-treinador do clube, foi criticado por não saber conduzir esse tipo de processo.
É claro que todos os jogadores são peças nas mãos do técnico, mas ele precisa saber o quanto cada decisão pode impactar individualmente. Nas mãos de Tite, Lorran chegou a ser vaiado pela própria torcida sempre que tirava o colete para entrar. Situação delicada para qualquer jovem, ainda mais sendo torcedor do clube e atuando num Maracanã lotado.
Mais do que vitórias ou atuações vistosas, são esses detalhes que mostram o quão impactante Filipe Luís tem sido para o Flamengo. O interesse da Seleção Brasileira em seu nome é apenas o começo de uma carreira que, se bem conduzida, pode ser ainda mais grandiosa do que a que teve como jogador.
Foto: Gilvan de Souza/Flamengo