O Flamengo entra em campo nesta quinta-feira, contra a LDU, no Maracanã, pressionado por uma missão clara: vencer para manter vivas as chances de classificação às oitavas de final da Libertadores. Em um grupo embolado, qualquer tropeço pode custar caro — inclusive a eliminação ainda na fase de grupos, algo raro nos últimos anos, mas que já aconteceu na história rubro-negra.
Apesar de viver um dos períodos mais vitoriosos de sua trajetória recente, o Flamengo tem um histórico de quedas precoces na principal competição sul-americana. Desde sua estreia na Libertadores, o clube carioca já foi eliminado cinco vezes na fase de grupos. A seguir, relembramos essas campanhas frustrantes, que ainda assombram parte da torcida, e servem de alerta para o duelo decisivo diante dos equatorianos.
Relembre 5 vezes em que o Flamengo foi eliminado na fase de grupos da Libertadores:
1983 – A queda após a glória
O Flamengo chegou à Libertadores de 1983 mantendo a base de um elenco vitorioso, tendo conquistado o título continental dois anos antes com um time histórico liderado por Zico, Júnior, Leandro, Nunes e companhia. O favoritismo era natural, mas o resultado surpreendeu.
Na fase de grupos, o Rubro-Negro enfrentou Grêmio (então campeão brasileiro) e os bolivianos Bolívar e Blooming. Em um grupo duro, o Flamengo venceu apenas duas de suas seis partidas. Com desempenho irregular e tropeços em casa, a equipe terminou atrás do Grêmio, que avançou, e acabou sendo campeão da Libertadores daquele ano. A eliminação precoce do então campeão foi um duro golpe e marcou o início de um jejum continental.
2002 – Elenco instável e mais um vexame
Em 2002, o Flamengo voltou à Libertadores com um elenco repleto de expectativas, mas mal estruturado. A campanha foi desastrosa desde o início. No Grupo 3, ao lado de Olimpia (PAR), Once Caldas (COL) e Universidad Católica (CHI), o time somou apenas quatro pontos em seis jogos.
Com atuações abaixo do esperado e problemas internos no elenco, o Flamengo perdeu quatro partidas e venceu apenas uma. A queda foi melancólica e mostrou como o clube vivia uma fase de instabilidade fora e dentro de campo. O Olimpia, líder do grupo, viria a ser campeão daquela edição. O Rubro-Negro, por outro lado, deixou o torneio pela porta dos fundos.
2012 – Ronaldinho, crise e fracasso coletivo
A eliminação em 2012 foi uma das mais comentadas — não apenas pelo desempenho ruim, mas também pelos bastidores tumultuados. Com Ronaldinho Gaúcho como grande estrela, o Flamengo enfrentou Lanús (ARG), Emelec (EQU) e Olimpia (PAR). Mesmo com favoritismo, o time só conseguiu duas vitórias em seis jogos, e foi eliminado mesmo vencendo o Lanús na última rodada.
Aquela campanha teve muitas passagens emblemáticas. No Engenhão, o Flamengo chegou a abrir 3 a 0 contra o Olimpia, mas acabou sofrendo o empate. No entanto, a imagem mais marcante veio na última rodada, quando Léo Moura, então lateral do clube, viu a eliminação do rubro-negro acontecendo enquanto estava ao vivo no Fox Sports após o fim do jogo contra o Lanús.
A passagem de Ronaldinho pelo clube já estava desgastada e acabou encerrada pouco tempo depois. A eliminação deixou marcas na diretoria e escancarou os problemas de gestão e planejamento. Foi mais um episódio de frustração que deixou o Maracanã em silêncio precoce durante a competição mais cobiçada do continente.
2014 – Altos e baixos e fim sem reação
Dois anos depois, em 2014, o Flamengo voltou à Libertadores, mas repetiu o roteiro conhecido. Com um elenco limitado e problemas táticos, caiu em um grupo com León (MEX), Emelec (EQU) e Bolívar (BOL). Em seis jogos, venceu apenas duas vezes e somou sete pontos, insuficientes para avançar às oitavas.
O time foi inconsistente durante toda a fase, e o fator altitude pesou. Derrotas fora de casa e empates inesperados minaram as chances de avanço. O fim da campanha teve um clima de conformismo, e a eliminação foi mais um capítulo na sequência de campanhas decepcionantes dos anos 2000.
2017 – Frustração diante do San Lorenzo
A eliminação mais dolorosa — e recente — foi em 2017, e ficou marcada por um dos maiores colapsos do clube na competição. O Flamengo estava no Grupo 4, junto de San Lorenzo (ARG), Atlético Paranaense e Universidad Católica (CHI). A equipe chegou à última rodada precisando de um empate contra o San Lorenzo, na Argentina, para se classificar.
O jogo se encaminhava para isso. Com o placar empatado até os 46 minutos do segundo tempo, o Flamengo administrava o resultado — até que veio o castigo: um gol de falta de Belluschi selou a virada por 2 a 1, eliminando os rubro-negros no apagar das luzes.
A frustração foi ainda maior já que, naquele ano, a equipe chegou à final da Copa Sul-Americana, competição que havia se classificado após ser eliminado na fase de grupos. No entanto, diante de mais um time argentino, o Independiente, o Fla sofreu o verdadeiro “Maracanazo”, empatando em casa após perder a primeira partida em Buenos Aires.
(Foto: Mauricio Val/Divulgação Vipcomm)