Juventude e Flamengo, BR 2022
Futebol Brasileirão

Em boa fase no Brasileiro, Flamengo busca quebrar jejum de 26 anos sem vencer o Juventude em Caxias do Sul

Vivendo seu melhor momento na temporada, o Flamengo encara além da ausência de oito jogadores, tem outro fator a se inspirar para o jogo desta quarta-feira, diante do Juventude em Caxias do Sul, cidade natal de Tite. Na Serra Gaúcha, o Mengão não vence desde 1º de outurbro de 1997, quando fez 1 a 0 nos donos da casa com um gol contra de Rodrigo.

De lá pra cá, em 27 anos o Flamengo retornou ao Alfredo Jaconi em outras onze oportunidades, tendo perdido cinco vezes e empatado as outras seis contra o Juventude. A série histórica possui ainda uma derrota de 2013 para o Internacional por 1 a 0, em duelo disputado no Estádio Centenário, casa do rival jaconero, o Caxias.

Derrota em 1999 gerou saída de Romário do time

Uma das derrotas mais doídas para o Flamengo no Alfredo Jaconi certamente é a de 1999, que eliminou o Rubro-Negro do Campeonato Brasileiro, em 10 de novembro daquele ano. A equipe que chegou a liderar a primeira fase da competição, se despediu da chance de classficação às quartas de final depois de perder para o Juventude por 3 a 1 no Alfredo Jaconi, e ter perdido logo após a queda um de seus principais jogadores.

Desclassificados do Brasileirão vencido pelo Corinthians, que foi vencido pelos cariocas por 2 a 1 no início do campeonato, o pós-jogo em Caxias do Sul rendeu a polêmica saída de Romário do Flamengo, em sua terceira e última passagem pelo time. Acompanhado de Fábio Baiano, Maurinho, Leandro Machado e Marcelo Rosa, o Baixinho foi para uma boate no dia seguinte à partida contra o Juventude na cidade, e rendeu um motivo para Gilmar Rinaldi, então superintendente do clube, e muito criticado por Romário, dispensar o ídolo da camisa 11.

Romário foi mandado embora pelo Flamengo após festa em Caxias do Sul
Romário foi mandado embora pelo Flamengo em 1999 após festa em Caxias do Sul, um dia após a derrota para o Juventude — Foto: Acervo O Globo

Romário chegou a marcar o gol do Flamengo que abriu o placar no Alfredo Jaconi, num resultado parcial que levava o time para as finais, porém, viu Mário Tilico (dois gols) e Mabília colocarem o Juventude à frente, e as chances de classficação evaporarem naquele dia 10 de novembro. Foi a última vez que o atacante balançou as redes de um rival com a camisa rubro-negra, e lhe rendeu a saída do clube no dia seguinte, com a ida a uma boate de Caxias do Sul.

A aparição de Romário numa boate depois da derrota e eliminação gerou revolta no então presidente do Flamengo, Edmundo Santos Silva. Em entrevista ao jornal “O Globo” do dia 14 de novembro de 1999, o dirigente afirmou:

Romário não veste mais a camisa do Flamengo. Estou indignado, fui traído. A torcida rubro-negra não merece isso. Foi uma molecagem, uma sacanagem. Vou rescindir o contrato do Romário, e ele vai poder jogar onde quiser. Até no Vasco”.

Após o mandatário falar, foi dito e feito. Declarando ter se sentido traído, e afirmar que o Baixinho não vestiria mais a camisa do Fla, podendo ir até mesmo para o rival, então comandado por Eurico Miranda, Edmundo viu Romário voltar para o Vasco em 2000, onde ele marcou 73 gols com o mesmo número de partidas disputadas, sendo protagonista, e conquistando dois títulos, o Brasileirão e a Copa Mercosul.

Antes de ser demitido e da ida para a boate, Romário chegou a comentar sobre a eliminação flamenguista naquele 1999, e lamentou ter frustrado mais uma vez o torcedor que sonhava com um hexacampeonato brasileiro, conquistado dez anos depois, já na fase de pontos corridos.

Mais uma vez não consegui cumprir a promessa que havia feito à torcida, quando cheguei ao Flamengo em 95, de ser campeão brasileiro. Estou muito triste com isso”.

Romário estava muito abatido no vestiário da derrota para o Juventude
Romário demonstrou tristeza no vestiário do Flamengo após a derrota para o Juventude — Foto: Acervo O Globo

Um empate com gosto de vitória que salvou o Flamengo de um rebaixamento

Em 2005, o Flamengo vivia uma de suas piores fases da história, e durante boa parte do Campeonato Brasileiro flertou com o Z-4. Com a chegada de Joel Santana ao comando, o rubro-negro iniciou a partir do empate heroico conquistado contra o Juventude em Caxias do Sul, sua reação para buscar a permanência na Série A.

Tendo 2 a 0 para os donos da casa no placar até os instantes finais, o Mengão marcou dois gols aos 44 e 45 do segundo tempo, com Renato Abreu e Júnior, conquistando um ponto e iniciando a partir dali, uma arrancada na reta final da primeira divisão. Foram seis vitórias e três empates até o fim do Brasileiro de 2005 e o fantasma do rebaixamento enfim superado.

Foto: Alexandre Vidal/Flamengo