O Flamengo precisava resistir à uma enorme batalha nos 90 minutos restantes no duelo diante do Racing em Buenos Aires, uma equipe que estava disposta à fazer de tudo para estender sua histórica campanha na Libertadores para buscar a final. No entanto, os argentinos não estavam preparados para lidar com um rubro-negro extremamente concentrado e capaz de controlar as ações durante toda a partida através de estratégias mesmo diante de diferentes cenários, possibilitando que o Mengão pudesse alcançar sua quinta final continental com bastante merecimento e um grande favoritismo independentemente do adversário na decisão.
Flamengo fez mudanças necessárias e foi corajoso da Argentina
Filipe Luís ganhou muito defensivamente com o retorno de Léo Ortiz à equipe titular, mas o que chamou mesmo atenção foi a opção por deixar Plata mais centralizado, formando um ataque muito dinâmico ao lado de Carrascal e Luiz Araújo, em um setor no qual Arrascaeta também apareceu diversas vezes para auxiliar nas fases ofensivas. Ou seja, mesmo com vantagem de um gol (construída com gol contra aos 88min do jogo de ida), o Flamengo se impôs na Argentina e fez um primeiro tempo praticamente dominante mesmo com marcação alta do Racing, circulando bem a posse de bola e criando diversas chances de gol.
Mas toda essa movimentação acabou não gerando gols e isso fez o Flamengo cansar nos minutos finais do primeiro tempo, quando a pressão do Racing passou a causar maior incômodo. O time de Filipe Luís passou a apostar nas bolas longas, e a dupla formada por Pulgar e Jorginho ao menos tiveram competência de segurar a posse de bola para distribuir passes e impedir que a pressão dos argentinos aumentasse, enquanto os argentinos sempre optavam por chegar pelos lados e lançar bolas na área buscando a finalização aérea (aos 11, Conechny conseguiu testar firme e parou em uma defesa sensacional de Rossi).
Aspecto mental cria enorme favoritismo ao Flamengo na decisão
O Flamengo precisava se provar ainda mais no segundo tempo diante de um cenário que acabou sendo hostil desde a volta do intervalo. A equipe de Gustavo Costas passou a deixar mais um atleta na linha do meio-campo e isso impediu que o rubro-negro tivesse tranquilidade de circular com a bola. No entanto, o que realmente causou impacto foi a expulsão de Gonzalo Plata aos 10′ quando atingiu Rojo em lance sem a bola, mas Filipe Luís aproveitou todo o momento de discussão e fez alterações antes que a bola voltasse a rolar, preenchendo a linha defensiva com as entradas de Danilo, Royal e Saúl.
Houve um momento crítico para o rubro-negro na partida quando Vergara foi acionado no lugar de Conechny e entregou maior repertório ofensivo para o Racing, time que apostou menos em jogo aéreo por conta do habilidoso atleta pela esquerda e ficou realmente próximo do gol. Mas para a sorte do Flamengo, o desespero bateu no lado argentino, e as entradas de Martirena e Zaracho deixaram os mandantes novamente reféns do jogo aéreo, uma estratégia que o Mengão se preparou muito para defender.
A campanha foi tortuosa, mas o Flamengo chega com grande favoritismo à final da Libertadores independentemente do adversário na final. Todas as finais se jogam e não são vencidas de véspera, mas caso o adversário realmente seja a LDU, o Mengão já está com um dedo e meio na taça.
Imagem: AFP