Filipe Luis, Flamengo
Futebol Libertadores

Flamengo sente falta de Gerson, Wesley e Pulgar; escolhas de Filipe Luís são questionadas!

O jogo de ontem no Maracanã, válido pela segunda rodada da fase de grupos da Libertadores, terminou com um sabor amargo para a torcida rubro-negra. O Flamengo recebeu o Central Córdoba e acabou surpreendido pelo time argentino, que venceu por 2 a 1 em pleno Maraca. O resultado acendeu um sinal de alerta no clube carioca, principalmente pelas escolhas feitas por Filipe Luís, que optou por escalar um time misto, poupando nomes importantes como Gerson, Wesley e Pulgar.

Desde os primeiros minutos, dava pra perceber que o Central Córdoba não veio ao Rio de Janeiro apenas pra se defender. Apesar de ser considerado um dos adversários mais frágeis do grupo, o time argentino mostrou personalidade e não se intimidou com o clima hostil no Maracanã. Com toques rápidos e bastante organização no meio-campo, eles exploravam os contra-ataques com eficiência e levavam perigo real à defesa flamenguista. O Flamengo, por sua vez, começou o jogo tentando controlar a posse de bola, mas se mostrou surpreso com a postura ofensiva do adversário.

A pressão do Central Córdoba se transformou em vantagem no placar aos 23 minutos do primeiro tempo. Em uma jogada dentro da área, Florentín tentou um drible pelo alto e a bola acabou batendo na mão de Léo Pereira. Após checagem do VAR, o árbitro marcou pênalti, que foi convertido por Heredia. O gol fez com que o Flamengo tentasse responder de forma mais agressiva, mas a equipe pecava na criação. O único jogador que parecia buscar algo diferente era Arrascaeta, que arriscava lances individuais e tentava quebrar as linhas adversárias.

Quando parecia que o Flamengo poderia crescer no jogo, veio o balde de água fria. Nos acréscimos da primeira etapa, o Central Córdoba voltou a se lançar ao ataque, conquistou uma falta perto da bandeira de escanteio e aproveitou a bola parada para ampliar. Cufré cobrou com perfeição e Florentín, livre de marcação, subiu sozinho pra cabecear pro fundo das redes. Um silêncio incômodo tomou conta do Maracanã.

Titulares em campo no segundo tempo

No segundo tempo, Filipe Luís tratou de corrigir o que muitos já apontavam como erro. Gerson, Wesley e Pulgar foram chamados do banco e entraram em campo para tentar mudar a história do jogo. Só que a mudança de peças não trouxe o resultado esperado. O Flamengo até passou a dominar mais a posse de bola e ocupou o campo de ataque, mas esbarrou em um bloqueio argentino muito bem montado. Os visitantes se fecharam com duas linhas compactas e dificultaram demais as ações ofensivas rubro-negras.

A cada minuto que passava, o nervosismo aumentava. O time parecia ansioso, afobado, errando passes simples e tomando decisões precipitadas. A torcida, que começou apoiando, passou a demonstrar irritação. O gol de honra até saiu nos minutos finais, com Pedro aproveitando uma sobra na área, mas já era tarde demais. A derrota em casa para um adversário de menor expressão causou revolta nas arquibancadas e levantou diversas críticas, especialmente ao técnico Filipe Luís.

Filipe Luís errou na escalação?

Falando nele, é impossível não discutir suas escolhas. A decisão de poupar três titulares, todos fundamentais para o equilíbrio do time, acabou pesando demais. Gerson é quem dá cadência e criatividade ao meio de campo, Wesley oferece força e apoio pelo lado direito, enquanto Pulgar é o pilar da contenção defensiva. Sem eles, o Flamengo ficou vulnerável, sem imposição física no meio e com pouca criatividade. Filipe Luís apostou que poderia vencer mesmo assim, talvez pensando em preservar os jogadores para o próximo compromisso, mas subestimou um adversário que se mostrou muito mais organizado e ambicioso do que se esperava.

Filipe ainda é um técnico jovem, em início de carreira, e esse tipo de decisão faz parte do amadurecimento. Mas o torcedor não quer saber disso. O que pesa, no fim das contas, é o resultado. E perder em casa na Libertadores, ainda mais para um time que provavelmente vai brigar apenas para não ser lanterna do grupo, é algo que mancha o planejamento e gera desconfiança. O técnico vai ter que responder por essa escolha nos próximos dias.

O time misto do Flamengo não é capaz de vencer o Central Córdoba no Maracanã?

Infelizmente, a resposta que o jogo deu foi um sonoro “não”. Mesmo com uma folha salarial muito superior, estrutura de ponta, estádio lotado e elenco recheado, o Flamengo demonstrou dificuldades para se impor diante de um adversário limitado, mas extremamente disciplinado taticamente. Isso escancara dois problemas: a falta de repertório ofensivo quando as estrelas estão fora e a diferença gritante de desempenho entre os titulares e os reservas.

A torcida, como sempre, cobra. Não é de hoje que se fala da “fla-dependência” de certos jogadores. Quando um ou dois nomes importantes não estão em campo, o time cai de rendimento de forma assustadora. O elenco é bom? Sim. Mas talvez esteja na hora de repensar algumas peças ou, no mínimo, trabalhar melhor com os jogadores que compõem o banco. A Libertadores não permite esse tipo de vacilo. Cada ponto é precioso e tropeços em casa custam caro.

No fim, o sentimento que fica é o de frustração. O Flamengo tinha tudo pra vencer, mas escolheu facilitar as coisas pro adversário. E o Central Córdoba, com competência, aproveitou. Cabe agora ao elenco reagir rápido e ao técnico refletir sobre suas decisões. Porque a margem de erro, a partir de agora, ficou bem menor.

Próximos compromissos do Flamengo

O Flamengo volta a campo no próximo domingo, para enfrentar o Grêmio, em Porto Alegre, pelo Brasileirão. O próximo compromisso da Libertadores está marcado para o dia 22 de abril, no Equador, contra a LDU.

(Foto: Vyctor Santos/Pera Photo Press/Gazeta Press)