Nenhuma análise que deu o Flamengo como favorito em todas as competições restantes até o fim da temporada estava errada considerando o poderio técnico do elenco mais competitivo do futebol da América do Sul de todo o século XXI possivelmente, mas o rubro-negro jamais conseguiu afirmar-se na atual edição da Libertadores. A classificação às semifinais diante do Estudiantes ocorreu com um sofrimento desnecessário tendo em mente a diferença de R$1 bilhão no investimento feito entre as duas equipes durante a última janela de transferências, um valor que mostrou-se irrisório diante da diferença de competitividade favorável para os argentinos no jogo decisivo.
Flamengo foi dominado pelo Estudiantes na Argentina

Todo o ambiente de pressão e o ônibus apedrejado na chegada do estádio parecem ter deixado o Flamengo muito tenso dentro de campo, pois o time de Filipe Luís demonstrou bastante nervosismo com erros técnicos incomuns e falta de imposição física. Toda a movimentação coletiva acabou não funcionando e as individualidades não apareceram, pois Arrascaeta foi neutralizado completamente por conta de marcação individual implacável, enquanto Pedro teve somente uma oportunidade clara de gol. No meio-campo, Jorginho errou em diversas oportunidades e ficou longe do nível técnico padrão em uma noite de muitos sustos para a torcida do Mengão.
O início indicava que o cenário diferente quando Pedro quase abriu o placar com 11 minutos e Samuel Lino destoou dos companheiros com boas tentativas de armação de jogadas, só que o primeiro tempo terminou com um merecido gol do Estudiantes nos acréscimos, quando Benedetti aproveitou lançamento de Nuñez e pegou de primeira para surpreender Rossi numa excelente finalização.
Teoricamente seria melhor o Flamengo sofrer gol no fim do primeiro tempo e ver o confronto ficar empatado no placar agregado para fazer os ajustes necessários no intervalo, mas a leitura de Filipe Luís acabou não dando certo por conta do adversário: o rubro-negro voltou da mesma forma sem conseguir fazer associações e encaixar a marcação, enquanto o Eduardo Domínguez mostrou que o Estudiantes não estava satisfeito com a decisão por pênaltis e subiu ainda mais suas linhas, fazendo o rubro-negro ser dominado apesar da enorme diferença técnica.
Este fato ocasionou o maior susto da noite, quando Benedetti marcou o segundo gol aos 27 minutos aproveitando a testada de Carrillo batendo na saída de Rossi, “explodindo” o torcedor do Estudiantes em um ambiente que não se vê em nenhum estádio do Brasil. No entanto, o VAR interveio de forma correta e assinalou um impedimento que parece ter salvo o Flamengo da eliminação na Libertadores.
Rossi salvou, mas Flamengo precisará de muito mais nas semifinais
Para a sorte do torcedor do Mengão, o seu goleiro está cada vez melhor em decisão por pênaltis e Rossi mais uma vez provou sua qualidade em momentos decisivos. Com duas defesas muito bem encaixadas, o goleiro levou o Flamengo às semifinais da Libertadores para delírio e alívio do torcedor que esperava uma eliminatória mais tranquila, só que as manchetes de “heroísmo do Mengão” não cabem nesta classificação.
O Flamengo precisará finalmente se afirmar como o melhor time das Américas se quiser vencer a Libertadores e principalmente passar pelo Racing, que superou a instabilidade do primeiro semestre e voltou a demonstrar um bom nível de jogo sob comando de Gustavo Costas.
Imagem: AFP