O Fluminense conheceu seu novo presidente nas eleições do último sábado (29). Com mais de 5 mil votos, somando sócio-futebol e sócios proprietários, Mattheus Montenegro, candidato da situação pela chapa “Clube que Orgulha o Brasil”, venceu o pleito com cerca de 70% dos votos. Ademar Arrais, candidato de oposição pela chapa “O Fluminense Tem Pressa”, ficou com aproximadamente 25% a 26% dos votos.
Pensando no próximo triênio (2026–2028), o que significa a vitória de Montenegro? Atual vice-presidente na gestão de Mário Bittencourt, a tendência é de continuidade no planejamento. Neste texto, buscamos destrinchar o que esperar do novo presidente tricolor e de sua administração.
SAF, futebol e Liga Forte União: o que esperar da nova gestão no Fluminense?
Com a vitória de Mattheus Montenegro, tudo indica que o processo de venda da SAF do Fluminense seguirá para apreciação dos sócios. Em sua primeira entrevista como presidente eleito, Montenegro afirmou que, desde o momento em que o clube recebeu a proposta do grupo de investidores — e que foi imediatamente apresentada ao Conselho Deliberativo — não houve novos avanços, por respeito ao período eleitoral.
Sobre a SAF, disse:
“Se ela vai sair do papel é algo ainda distante. Como falei no dia em que o Fluminense recebeu a proposta do investidor, ela foi apresentada ao conselho no mesmo momento. De lá pra cá, paramos todo o processo para focar no período eleitoral. Achávamos que não seria bom tratar dois temas complexos ao mesmo tempo. Agora podemos avançar. E, passo a passo, o conselho que toma posse hoje vai acompanhar o processo”.
Montenegro complementou:
“O torcedor pode ter certeza de que nada será feito com pressa. Ainda haverá muita discussão. Muitas pessoas têm dúvidas, e nosso foco é esclarecer todas elas. Uma parte envolve melhorias na proposta, outra envolve criar governança, com comissões analisando o tema. Caminharemos em paralelo até chegar o momento de apresentar a proposta para votação. E essa será uma decisão da Assembleia Geral, não minha, nem do Ricardo Tenório, nem do Conselho de Diretores”.
O que esperar no futebol
Em entrevistas recentes, especialmente à GeTV, Montenegro exaltou os feitos da gestão de seu antecessor, Mário Bittencourt. Destacou que, sob sua direção, o Fluminense não apenas voltou a disputar a Libertadores em 2021, como venceu a competição em 2023 e se tornou presença frequente no torneio — ficando fora apenas em 2020 e 2025.
Além disso, Montenegro lembrou que, com exceção de 2024, o Fluminense frequentou a parte superior da tabela do Brasileirão e chegou a cinco finais de Campeonato Carioca, vencendo duas contra o Flamengo. Contudo, afirmou que o clube precisa buscar “voos maiores” e ser protagonista por títulos em todas as competições.
Em relação a contratações, Montenegro já afirmou que fará esforço para repatriar o zagueiro Nino. Capitão da Libertadores de 2023 e ídolo tricolor, o defensor está no Zenit, da Rússia, mas pode ser negociado em janeiro. Trazê-lo de volta é uma das prioridades da nova gestão, além de buscar um camisa 9.
Segundo o ge, o Fluminense já reabriu conversas com Nino, que tem vontade de retornar. Porém, a negociação não deve ser simples e pode girar em torno de 15 milhões de euros.
Sobre a Liga Forte União (LFU) — na qual o Fluminense é protagonista na disputa com a Libra — Montenegro afirmou:
“Hoje existem dois blocos de direitos no Brasil. O Fluminense já vendeu seus direitos entre 2025 e 2029. Agora não há nenhum processo em andamento. A partir do meio do ano que vem, devemos ver movimentações para o próximo ciclo de vendas”.
Ele ainda acrescentou:
“Temos uma equipe profissional trabalhando para entender se teremos novos players no mercado. Dividimos nossos direitos em pacotes, houve concorrência, e isso elevou o valor. Hoje, a receita de TV deve ficar entre R$ 150 e R$ 160 milhões, contra menos de R$ 100 milhões no ano passado”.
Análise final: nova gestão deve seguir o planejamento da atual
A administração de Mattheus Montenegro deve seguir as bases estabelecidas por Mário Bittencourt. A vitória da situação era essencial, sobretudo para a continuidade dos projetos estruturais — especialmente a SAF.
No campo esportivo, Montenegro assume trazendo um legado positivo: Libertadores de 2023, Recopa de 2024, bicampeonato carioca (2022 e 2023), boas campanhas na Copa do Brasil (2022 e 2025), bons desempenhos no Brasileirão — exceto em 2024 — e a campanha histórica na Copa do Mundo de Clubes de 2025, caindo apenas para o campeão Chelsea na semifinal.
Por outro lado, a nova gestão terá desafios, especialmente no que se refere à política de vendas. Negociações como as de Luiz Henrique (2022), Kauã Elias e Isaque para o Shakhtar Donetsk foram amplamente criticadas por torcedores e pela oposição.
Outro problema é a forte queda no número de sócios-torcedores: após atingir 70 mil no ano da Libertadores, o clube tem atualmente menos de 40 mil. A nova gestão precisará apresentar um plano sólido para recuperar esse contingente.
Se o desempenho financeiro seguir o potencial dos resultados em campo — que também precisam melhorar — Montenegro pode ter um triênio positivo à frente da presidência.
O Fluminense volta a campo na próxima terça-feira (2), contra o Grêmio, na Arena, em Porto Alegre, pela 37ª rodada do Brasileirão.
(Foto: Site/Fluminense)