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Brasileirão Futebol

Fluminense esbanja erros de planejamento e deve ter problemas novamente

O Fluminense anunciou, na madrugada de sábado para domingo (30), a demissão do treinador Mano Menezes, após a derrota para o Fortaleza, no Castelão, na primeira rodada do Campeonato Brasileiro. No entanto, a atuação melancólica não foi o único motivo da demissão. Houve também desentendimentos com líderes do elenco, como Thiago Silva, que trocou palavrões com o treinador na última partida.

Vale lembrar que, em 2024, o Fluminense rescindiu o contrato do ídolo Marcelo, após um desentendimento com Mano durante um jogo contra o Grêmio, pelo Brasileirão. Mas, além dos atritos com líderes do elenco tricolor, a demissão de Mano Menezes apenas três meses após sua renovação de contrato escancara um problema grave: a falta de planejamento ou sua péssima execução para 2025.

Apesar de salvar o Fluminense do rebaixamento, Mano não deveria ter sido mantido para 2025

Mano Fluminense
Foto: André Durão

 

Mano Menezes chegou ao Fluminense com o time agonizando na última posição do Campeonato Brasileiro, com apenas 6 pontos, próximo ao fim do primeiro turno. A crise resultou na demissão de Fernando Diniz, campeão da Libertadores e da Recopa pelo clube.

Ao assumir, Mano afastou alguns veteranos, apostou nos jovens da base – com destaque para Kauã Elias – e, com reforços no meio do ano, equilibrou o elenco, que sofria com a idade avançada.

Aos trancos e barrancos, o Fluminense se salvou do rebaixamento na última rodada, vencendo o Palmeiras por 1 a 0, no Allianz Parque. No entanto, ficou a dúvida sobre quem seria o técnico para 2025. Ainda antes do fim do ano, o presidente Mário Bittencourt anunciou a renovação de Mano Menezes para mais uma temporada.

Com a permanência, o treinador começou a reformular o elenco, apostando em jogadores mais jovens e de força física, visando um time mais vertical e menos técnico. O desempenho no Campeonato Carioca começou mal, mas o time reagiu a tempo e chegou às semifinais. Porém, apesar das boas atuações nos jogos finais da primeira fase e na Copa do Brasil, os adversários eram tecnicamente inferiores, como Nova Iguaçu, Águia de Marabá, Volta Redonda e Caxias.

A realidade veio à tona na final contra o Flamengo. O time de Mano Menezes foi dominado, e, embora tenha perdido por 2 a 1 no agregado, ficou evidente a diferença de nível entre os rivais. Após o vice no estadual, a equipe teve treze dias para treinar, mas não apresentou nenhuma evolução na derrota para o Fortaleza.

Demissão de Mano Menezes escancara a falta de planejamento do Fluminense

Apesar de ter demitido Mano Menezes precocemente – e para boa parte da torcida, ainda bem –, a questão é: por que a diretoria demorou tanto? Por que não o demitiu na Data FIFA, após a derrota na final do Campeonato Carioca? E, mais importante, por que renovou com Mano no início do ano ao invés de dispensá-lo ao fim do Brasileirão de 2024?

Mano Menezes cumpriu sua missão ao livrar o time do rebaixamento, mas não havia motivos para sua permanência. Agora, além da demissão, a diretoria terá que arcar com mais uma multa contratual, apenas três meses após renovar seu vínculo.

Dessa vez, ao menos, a troca foi rápida, enquanto as competições ainda estão no início. O Fluminense tentará mudar de rumo e buscar um novo treinador. Mas, antes de definir um nome, é essencial entender o que a diretoria quer para 2025.

O clube deseja um técnico com proposta ofensiva? Pretende manter o pragmatismo? Ou busca um meio-termo entre ataque e equilíbrio defensivo?

Renato Gaúcho, Fernando Diniz e Dorival Júnior são os primeiros nomes especulados

Nas primeiras horas após a demissão, três nomes surgiram como possíveis substitutos: Renato Gaúcho tem uma história longa com o Fluminense, tanto como jogador – sendo campeão carioca em 1995 com o icônico gol de barriga – quanto como treinador, conquistando a Copa do Brasil (2007) e sendo vice da Libertadores (2008).

Fernando Diniz é um dos técnicos mais marcantes da história do clube, campeão da Libertadores, do Campeonato Carioca e da Recopa Sul-Americana. Dorival Júnior já teve uma passagem pelo Flu, no conturbado ano de 2013.

Outros nomes podem surgir ao longo da semana. O Fluminense trabalha para definir o novo técnico antes da segunda rodada do Brasileirão, quando enfrentará o RB Bragantino, no Maracanã, no domingo (06/04).

Com um ano eleitoral e a possibilidade de transformação em SAF, o presidente Mário Bittencourt – que pode se tornar CEO da futura empresa – pode buscar um nome de peso para agradar a torcida.

O Fluminense precisa definir sua identidade antes de escolher um técnico

Antes de buscar um novo treinador, o Fluminense precisa definir qual filosofia de jogo deseja. Os nomes especulados possuem estilos completamente diferentes, o que reforça a falta de planejamento da diretoria.

A temporada ainda está no início. As principais competições estão apenas começando, e o Fluminense estreia na Copa Sul-Americana na próxima terça-feira (1/04), contra o Once Caldas, na Colômbia, sob comando do interino Marcão.

Agora, o clube precisa corrigir sua rota para evitar repetir os erros de 2024 e garantir que, no fim do ano, não se encontre em outra crise.

Foto: Lucas Merçon – FFC