Futebol Brasileirão

Fluminense e Palmeiras evitam crise mesmo com futebol pobre. Até onde conseguirão sobreviver?

A noite de domingo no futebol brasileiro foi marcada por vitórias de dois gigantes que andam jogando pouco, mas respiram com alívio pelos três pontos: Fluminense e Palmeiras. Ambos seguem tentando evitar o caos com triunfos suados e atuações abaixo do esperado, mas até quando esse roteiro vai funcionar?

Alívio no início de trabalho

Começando pelo Fluminense, que venceu o Red Bull Bragantino por 2 a 1 no Maracanã, em um jogo que teve como principal destaque o retorno de Renato Gaúcho ao comando do time. A reestreia do treinador, que volta ao Tricolor com a missão de resgatar um futebol mais ofensivo e, acima de tudo, resultados, começou com boas notícias. O primeiro tempo do Flu foi muito bom, talvez um dos melhores em semanas.

O time carioca dominou completamente a primeira etapa, com toques rápidos, triangulações envolventes e uma movimentação interessante no meio de campo. Germán Cano, Lima, Cannobio e Arias conseguiram se conectar com mais frequência e criaram diversas chances claras de gol. O problema? Esbarraram em uma noite iluminada do goleiro Cleiton. O arqueiro do Bragantino operou pelo menos três defesas difíceis nos primeiros 30 minutos e segurava o empate até onde dava. Mas, aos 34 minutos, Lima aproveitou uma sobra dentro da área, limpou o goleiro e colocou o Fluminense na frente.

Se o primeiro tempo foi tricolor, o segundo teve outra cara. O Bragantino voltou mais organizado, mais agressivo e com postura completamente diferente. Os comandados de Pedro Caixinha empurraram o Flu para trás e passaram a rondar a área com frequência. O empate não demorou: Isidro Pitta aproveitou uma sobra na entrada da área e cabeceou, sem chances para Fábio. O gol premiava o bom momento do Braga e silenciava o Maracanã.

A partir daí, o jogo parecia caminhar para um empate justo, mas o futebol tem dessas surpresas. Aos 47 do segundo tempo, em uma das poucas chegadas do Fluminense após o intervalo, Martinelli,  que vinha sendo vaiado pela torcida durante boa parte do jogo, apareceu na área para aproveitar um rebote e marcar o gol da vitória. O Maraca explodiu e transformou as vaias em aplausos. Renato Gaúcho respirou aliviado no banco de reservas e saiu com o resultado positivo, ainda que o segundo tempo tenha deixado claro que o time ainda tem muito o que ajustar.

Renato Gaúcho, Fluminense

Vitória polêmica do Palmeiras

Já o Palmeiras venceu o Sport por 2 a 1 na Ilha do Retiro, em um jogo marcado mais pela arbitragem do que pelo desempenho da equipe paulista. O Palmeiras voltou a mostrar um futebol pobre, com pouca criatividade no meio e dependendo mais da força individual do que de uma construção coletiva.

Logo no começo do jogo, o Palmeiras abriu o placar com Flaco López, que sofreu um pênalti após ser agarrado dentro da área por Chico. O árbitro Bruno Arleu de Araújo não hesitou em marcar. O próprio Flaco bateu e converteu, colocando os visitantes em vantagem.

Mas o Sport, que não se intimidou com o gol sofrido, mostrou personalidade e empatou poucos minutos depois. Lucas Lima – sim, ele mesmo, cobrou escanteio, e a bola sobrou para Barletta na entrada da área. O chute de primeira teve um leve desvio e matou o goleiro Weverton. A torcida rubro-negra inflamou e o time cresceu.

O segundo tempo, porém, foi o ponto de tensão da partida. Em uma jogada em velocidade, Raphael Veiga caiu na área após dividida com Rafael Thyere. O árbitro viu pênalti e marcou mais uma penalidade para o Palmeiras. O lance foi bastante discutido, principalmente porque as imagens não mostraram um contato tão claro assim. Muitos apontaram que Veiga se jogou, e nas redes sociais o debate esquentou. Mesmo assim, Piquerez bateu e garantiu os três pontos.

Apesar da vitória, a atuação do time de Abel Ferreira foi novamente abaixo da média. O Palmeiras não consegue mais empolgar. A construção ofensiva é travada, Estêvão que começou no banco, não vem bem nos últimos jogos, e Vitor Roque ainda não conseguiu mostrar seu futebol.

Abel Ferreira, Palmeiras

Vitórias que mascaram o atual cenário

É curioso ver que tanto Fluminense quanto Palmeiras vivem situações parecidas: vitórias que aliviam a pressão, mas que não escondem os problemas. No caso do Flu, Renato Gaúcho acabou de chegar e ainda tem um certo “crédito emocional” com a torcida. A energia da estreia pode empurrar o time por mais alguns jogos, mas o técnico vai precisar corrigir a queda de rendimento no segundo tempo, que foi visível.

Já o Palmeiras parece viver um desgaste. Não apenas físico, mas também emocional e técnico. O time já não tem a mesma intensidade de outrora e parece preso em um modelo que se esgotou. Abel ainda é respeitado, claro, mas os questionamentos crescem a cada jogo em que o time joga mal e só vence na base do pênalti duvidoso ou da bola parada.

A grande questão que fica é: até quando essas vitórias magras e sofridas vão ser suficientes para segurar as pontas? Em algum momento, o futebol pobre vai cobrar a conta. Seja com eliminações em mata-matas, seja com tropeços decisivos em campeonatos de pontos corridos. Fluminense e Palmeiras estão sobrevivendo. Mas é só isso por enquanto. E sobreviver, no futebol brasileiro, nunca é o bastante por muito tempo.