O Fluminense precisou mudar a própria história no Maracanã para evitar um tropeço indigesto. Depois de um primeiro tempo travado, com posse de bola inócua e raras chances reais, o Tricolor voltou do intervalo com outra postura. Acelerou a troca de passes, encurralou o adversário e buscou a virada por 2 a 1 sobre o Remo, pela 24ª rodada do Brasileirão.
Mais do que os três pontos, o confronto expôs duas propostas antagônicas e um abismo físico na etapa final. O Flu começou tentando furar um ferrolho com paciência e troca de corredor, enquanto o Remo apostou no encaixe de marcação e em estocadas rápidas. No segundo tempo, o desgaste paraense abriu as brechas que o time de Marcão precisava.
Posse sem agudeza e castigo no primeiro tempo
A ideia inicial tricolor tinha Tiago Silva e Ignácio adiantados para iniciar a construção, com Renê por vezes alinhado como um terceiro zagueiro. Samuel Xavier dava amplitude pela direita, Ganso recuava para ditar o ritmo e a dupla Martinelli e Hércules buscava preencher o meio. Na frente, Hulk tinha liberdade para flutuar e abrir espaço para Canobbio e Soteldo atacarem a área.
O plano funcionava pela metade. O Flu empurrou o Remo para o seu campo, mas pecou no mano a mano pelas pontas. Canobbio e Soteldo raras vezes superaram a marcação, deixando o ataque refém do pivô de Hulk e do refinamento de Ganso.
O Remo, confortável na proposta de Léo Condé, travava o jogo por dentro e saía em transição acelerada pela direita, principalmente com Marcelinho. E foi assim que abriu o placar aos 31 minutos: Marcelinho levou a melhor sobre Soteldo, foi à linha de fundo e cruzou. A bola passou por todo mundo e encontrou Jajá na segunda trave. Samuel Xavier vacilou na cobertura, e o atacante pegou de primeira, vencendo Fábio após o quique no gramado.
Dedos de Marcão e banco decisivo na etapa final
Marcão sacou o problema no intervalo. Tirou Canobbio para a entrada de Serna e trocou Hércules por Nonato. As alterações deram agressividade imediata ao Fluminense, que passou a ocupar o último terço com mais volume e intensidade.
Do outro lado, o Remo cobrou o preço físico pelo gasto de energia do primeiro tempo. A linha de frente já não conseguia pressionar a saída tricolor e, embora mantivesse a compactação, o time paraense perdeu completamente a capacidade de contragolpear.
O empate veio aos 20 minutos. Soteldo fez boa jogada pela esquerda e levantou na medida para Hulk. O camisa 7 testou para o chão, a bola carimbou o travessão e morreu no fundo da rede.
A virada veio com o brilho da base e das mexidas de Marcão. Cano entrou na vaga de Hulk, e o garoto Riquelme Felipe recebeu a oportunidade no lugar de Soteldo. O jovem de Xerém precisou de apenas 19 segundos em campo para fazer a diferença: em seu primeiro toque na bola, acertou um cruzamento preciso para Serna testar firme e fazer 2 a 1. Foi o terceiro gol do colombiano em três jogos sob o comando do interino.
Controle no fim e sinais para a sequência
Atrás no placar, Léo Condé colocou Galeano e Alef Manga para tentar reviver o ataque, mas o desenho do jogo já era outro. Forçado a se expor, o Remo cedeu espaços e esbarrou na maturidade do Fluminense, que soube administrar a vantagem sem passar grandes sustos.
A vitória por 2 a 1 não esconde os gargalos que o primeiro tempo escancarou — sobretudo a proteção defensiva quando os laterais se mandam e a falta de drible dos pontas titulares. No entanto, deixa um saldo positivo para Marcão. O treinador leu a partida com precisão, foi ousado nas substituições e viu a resposta vir diretamente do banco. Em uma noite que ameaçava terminar sob cobrança, as escolhas do comandante transformaram as vaias em festa no Maracanã.
FOTO: LUCAS MERÇON / FLUMINENSE F.C. / DIVULGAÇÃO



