Futebol

Fluminense: Série 5 maiores vitórias da história

A nossa série das cinco vitórias mais importantes da história dos grandes clubes tem como protagonista da vez o Fluminense. O tricolor carioca, gigante nacional, teve muitos momentos especiais e escolhemos os principais.

Com vitórias em competições estaduais, nacionais e continentais, confira os cinco triunfos mais importantes da história do Fluminense.

5. Fluminense 1 x 0 Guarani – Última rodada do Campeonato Brasileiro de 2010

Emerson Sheik anotou o gol do título do Fluminense no Brasileirão de 2010
Emerson Sheik anotou o gol do título do Fluminense no Brasileirão de 2010 (Imagem: Photocamera/Divulgação)

Após 26 anos sem conquistar o Brasileirão, o Fluminense entrou em 2010 determinado a quebrar a longa fila. Sob o comando do técnico Muricy Ramalho, o time encontrou consistência e equilíbrio. Com jogadores decisivos como Darío Conca, Mariano, Fred e Emerson Sheik, o Tricolor fez uma campanha sólida e chegou à última rodada dependendo apenas de si para levantar a taça. O adversário seria o Guarani, já rebaixado, mas que poderia complicar os planos com uma atuação honrosa.

O Engenhão recebeu mais de 40 mil tricolores para empurrar o time rumo à glória. O jogo, no entanto, não foi fácil. O Fluminense esbarrou na retranca do Guarani e na tensão que tomava conta dos jogadores. A pressão era enorme, e o gol parecia não sair. Até que, aos 16 minutos do segundo tempo, Emerson Sheik aproveitou o toque de cabeça de Washington e mandou para o fundo da rede. O estádio explodiu em festa.

O gol de Emerson foi mais do que um simples tento decisivo. Ele libertou uma torcida que há décadas esperava por esse momento. O título de 2010 foi especial não só por encerrar um jejum, mas também por consolidar um projeto esportivo que vinha sendo montado com muito esforço. Foi também a consagração de Muricy, que levou o time à glória nacional com seu estilo pragmático e eficaz.

Aquela vitória representou a volta definitiva do Fluminense ao topo do futebol brasileiro. O clube, que havia flertado com o rebaixamento em anos anteriores, operando um verdadeiro milagre em 2009, mostrou sua força e tradição. O título teve um sabor de redenção, superação e recomeço. Foi a reafirmação de que o Fluminense era, de fato, um gigante do futebol nacional.

4. Corinthians 0 x 2 Fluminense – Semifinal do Campeonato Brasileiro de 1984 (Jogo de Ida)

Assis fez o primeiro gol da vitória histórica do Fluminense contra o Corinthians no Morumbi
Assis fez o primeiro gol da vitória histórica do Fluminense contra o Corinthians no Morumbi (Imagem: Reprodução)

O Fluminense vivia uma fase brilhante em 1984. Após conquistar o Campeonato Carioca em 1983, o Tricolor chegou forte ao Campeonato Brasileiro do ano seguinte, comandado por Carlos Alberto Parreira e com um elenco técnico e competitivo, que tinha nomes como Ricardo Gomes, Branco, Delei, Assis e o paraguaio Romerito. Na semifinal, o adversário era o poderoso Corinthians de Sócrates, Wladimir e Casagrande, empurrado por uma Fiel empolgada no Morumbi.

A expectativa era de um jogo difícil para o Fluminense, que enfrentaria um estádio lotado com mais de 90 mil torcedores corintianos. Mas o que se viu foi uma atuação memorável e madura do Tricolor, que não se intimidou com o ambiente hostil. O primeiro gol saiu ainda no primeiro tempo: Romerito cobrou uma falta, a bola passou pela área e encontrou Assis, que subindo no segundo andar completou para o gol, abrindo o placar no Morumbi.

O segundo tempo seguiu com o Corinthians pressionando em busca do empate, mas o Fluminense se manteve organizado defensivamente e soube explorar os espaços. Em um contra-ataque veloz, Washington fez uma linda jogada e tentou ligar Assis na área, mas o goleiro Carlos cortou e deu rebote. Tato, atento, aproveitou a sobra e mandou para as redes, fazendo o segundo gol tricolor e silenciando o estádio. Era a vitória encaminhada com inteligência e precisão.

O triunfo por 2 a 0 fora de casa deu ao Fluminense uma vantagem importantíssima para o jogo de volta, no Maracanã. E de fato, a classificação veio com um empate por 1 a 1 no Rio de Janeiro. Dias depois, o Tricolor conquistaria o título brasileiro diante do Vasco, vencendo por 1 a 0. Contudo foi no Morumbi, com uma atuação impecável contra um adversário forte, que o Fluminense mostrou que estava pronto para ser campeão nacional.

3. Cruzeiro 2×3 Fluminense – 33ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2009

Fred anotou dois gols na virada do "Time de Guerreiros" sobre o Cruzeiro
Fred anotou dois gols na virada do “Time de Guerreiros” sobre o Cruzeiro (Imagem: Reprodução)

A temporada de 2009 parecia fadada ao desastre para o Fluminense. O time ocupava a última posição do Campeonato Brasileiro e, faltando apenas seis rodadas para o fim, a chance de rebaixamento era praticamente certa. A torcida, no entanto, nunca abandonou o time, que começou uma improvável reação liderada por Cuca e por um grupo de jogadores que entraria para a história como o “Time de Guerreiros”.

O jogo contra o Cruzeiro, no Mineirão, era um desses desafios que pareciam impossíveis. O time mineiro vencia por 2 a 0 no primeiro tempo e dominava a partida, com direito a pênalti perdido e muita pressão durante praticamente os 45 minutos. Mas o Fluminense, com raça e vontade, iniciou uma virada épica na etapa complementar. Gum descontou já no início. Pouco tempo depois, Fred empatou, trazendo uma atmosfera épica para o confronto. E, aos 25’, o mesmo Fred, virou o duelo enlouquecendo torcedores e companheiros, exceto ele mesmo, que não comemorou por respeito à Raposa, numa frieza inacreditável.

Aquela vitória foi simbólica. Representou o espírito de luta, a entrega e a crença de que nada é impossível. O “Time de Guerreiros” ficou marcado por jogos memoráveis, e esse contra o Cruzeiro foi o símbolo de virada de uma campanha que parecia perdida. Ao final do campeonato, o Fluminense conseguiu escapar do rebaixamento, algo considerado milagre por muitos.

Mais do que três pontos, aquele jogo foi o marco de um novo Fluminense, que acreditava até o fim. Foi uma vitória que resgatou a alma do clube, uniu a torcida ao time e provou que, mesmo nos momentos mais sombrios, não se pode perder a esperança.

2. Fluminense 3 x 2 Flamengo – Jogo decisivo do Campeonato Carioca de 1995

Renato Gaúcho comemora o lendário gol de barriga
Renato Gaúcho comemora o lendário gol de barriga (Imagem: Anibal Philot / Agência O Globo)

O Campeonato Carioca de 1995 ficará para sempre gravado na memória dos tricolores. O Fluminense chegou desacreditado ao jogo derradeiro contra o poderoso Flamengo de Romário e Sávio, considerado favorito absoluto. Do lado tricolor, um elenco aguerrido liderado por Renato Gaúcho e comandado por Joel Santana, com muito mais vontade do que estrelas no elenco.

O jogo foi eletrizante do início ao fim. O Fluminense começou surpreendendo e abriu 2 a 0, com gols de Renato e Leonardo, embaixo de muita chuva. Mas o Flamengo, com sua força ofensiva, voltou com tudo e empatou a partida no segundo tempo com Romário e Fabinho. A tensão era enorme. Quando tudo parecia encaminhar-se para o empate, que daria o título ao Rubro-Negro, surgiu o lance imortal. Em jogada pela ponta, Aílton chutou cruzado, a bola bateu na barriga de Renato Gaúcho, e entrou. Um gol diferente, improvável, mas que entrou para a história.

O “gol de barriga” se tornou um dos momentos mais icônicos do futebol brasileiro. Renato Gaúcho, que já era um ídolo, virou lenda. O gol aos 41 do segundo tempo foi uma resposta à arrogância do rival e um triunfo da superação. O Tricolor venceu por 3 a 2 e sagrou-se campeão carioca em uma das finais mais emocionantes da história do Maracanã.

Essa vitória é lembrada com emoção por toda uma geração de tricolores. Foi mais do que um título estadual: foi um triunfo contra o favoritismo, contra as probabilidades e a favor do coração. A imagem de Renato correndo com os braços abertos após o gol de barriga é uma das mais emblemáticas do futebol nacional. Uma final que virou lenda.

1. Fluminense 2 x 1 Boca Juniors – Final da Copa Libertadores da América de 2023

John Kennedy comemora o gol do título da Libertadores pelo tricolor carioca
John Kennedy comemora o gol do título da Libertadores pelo tricolor carioca (Imagem: Marcelo de Jesus)

O dia 4 de novembro de 2023 ficará eternamente marcado como o dia em que o Fluminense conquistou a América. Após anos de frustrações continentais, o Tricolor chegou à final da Libertadores disposto a mudar seu destino. O adversário era o lendário Boca Juniors, multicampeão da competição, que entrava em campo com a mística da camisa pesada, embora tivesse um elenco bem abaixo de suas tradições. A partida foi disputada no Maracanã, transformado em um verdadeiro caldeirão tricolor.

O jogo foi intenso. O Fluminense começou melhor e abriu o placar com Germán Cano, artilheiro e símbolo da campanha. O Boca empatou no segundo tempo, com o lateral Luis Advíncula e a tensão tomou conta do estádio até o final do tempo normal. Na prorrogação, John Kennedy, revelado nas Laranjeiras, marcou um gol histórico após ajeitada de Keno. O Maracanã explodiu em festa. Foi um momento de catarse, de alívio, de glória.

A vitória por 2 a 1 coroou uma campanha memorável e um projeto de clube que valorizou suas raízes e investiu com inteligência. Com Fernando Diniz no comando, o time praticou um futebol vistoso e ofensivo. O título foi mais do que o primeiro do Fluminense na Libertadores, ele foi a explosão de uma emoção contida por muitos anos pelos tricolores.

Essa vitória representou o ápice da rica história do Fluminense. Um momento que uniu todas as gerações tricolores, dos que sofreram em 2008 aos que sonharam por toda a vida. A conquista da América foi uma afirmação de identidade, grandeza e resiliência. O Tricolor das Laranjeiras finalmente se consagrou como campeão do continente, com alma, coração e um futebol digno da glória eterna.

(Imagem de capa: Carl de Souza/AFP)