O Fluminense viveu uma tarde de frustração no Maracanã neste domingo (20), ao empatar por 1 a 1 com o Vitória pela 5ª rodada do Brasileirão 2025. Após controlar a maior parte da partida e desperdiçar diversas oportunidades claras de gol, o Tricolor viu o adversário baiano empatar nos acréscimos, numa falha coletiva de marcação que tirou dois pontos preciosos da conta e esfriou o embalo com Renato Gaúcho, que vinha de duas vitórias consecutivas.
O empate freia a reação iniciada com a chegada de Renato ao comando técnico. Antes do duelo com o Vitória, o Fluminense havia vencido o Santos por 1 a 0 no Maracanã e o Corinthians por 2 a 0 na Neo Química Arena, em atuações sólidas e de domínio técnico e emocional. As vitórias devolveram confiança ao elenco após um começo de campeonato irregular sob o comando de Mano Menezes, demitido ainda na segunda rodada após derrota para o Fortaleza.
Com o resultado deste domingo, o Fluminense chega aos 10 pontos e ocupa a 3ª colocação no Campeonato Brasileiro, atrás de Palmeiras (13), Flamengo (11) e Athletico-PR (11). O time segue na briga entre os líderes, mas a sensação no Maracanã era de derrota.
Fluminense domina, mas tem falhas no acabamento
Durante a maior parte da partida, o Fluminense mostrou-se superior ao Vitória. Com posse de bola controlada e variações ofensivas interessantes, abriu o placar aos 39 minutos da etapa inicial com Germán Cano, após boa jogada de Arias pela direita. No segundo tempo, teve ao menos três chances claras de matar o jogo — com Canobbio, Martinelli e novamente Cano — mas esbarrou na pontaria ou nas defesas do goleiro Lucas Arcanjo.
A punição veio nos acréscimos: aos 44 do segundo tempo, o time recuado cedeu espaço na direita, e Lucas Braga recebeu livre na entrada da área para empatar em bela finalização cruzada. O gol escancarou a principal falha do time até aqui: a incapacidade de manter a concentração e o controle emocional até o apito final.
Desde que Renato Gaúcho assumiu, algumas peças se destacaram. O meia Arias voltou a ser o principal articulador da equipe, com média de 3 chances criadas por partida. Germán Cano, sempre oportunista, já soma 3 gols no campeonato e voltou a ser decisivo. Marcelo, mesmo em ritmo de veterano, tem sido importante no equilíbrio defensivo, e o goleiro Fábio manteve atuações seguras mesmo sem ser tão exigido nas últimas rodadas.
Além deles, Canobbio, recém-integrado ao time titular, tem crescido em participação ofensiva, e Martinelli, recuado como primeiro volante, dá mais mobilidade à saída de bola.
A cara de Renato: time ofensivo, mas ainda irregular
Em poucos jogos, Renato conseguiu dar sua identidade à equipe: um 4-2-3-1 agressivo, com laterais apoiando alto, meio-campo técnico e intensidade na transição. A proposta é de controle territorial e volume ofensivo — algo que ficou claro contra Santos, Corinthians e, agora, Vitória. No entanto, o time ainda sofre sem a bola e apresenta vulnerabilidades nos minutos finais, como mostrou o gol sofrido no Maracanã.
A equipe tem criado mais, finalizado mais, e parece mais confiante, mas o treinador ainda precisa encontrar o equilíbrio defensivo. Os ajustes são necessários especialmente para jogos decisivos — como o próximo, pela Sul-Americana.
O Fluminense volta a campo na quarta-feira (23) contra o Unión Española, fora de casa, pela Copa Sul-Americana, onde também briga pela liderança do grupo. No sábado (26), o compromisso é nacional: clássico contra o Botafogo, no Nilton Santos, pela 6ª rodada do Brasileirão.
Mesmo com o tropeço, o saldo do Fluminense com Renato Gaúcho é positivo. O time subiu na tabela, reencontrou sua identidade ofensiva e recuperou nomes importantes. Mas o empate diante do Vitória serve como um alerta claro: em uma Série A tão competitiva, qualquer vacilo é punido. E para quem sonha em brigar pelo G4 ou até por título, cada ponto perdido no Maracanã pesa.
(Foto: Marina Garcia/FFC)



