De criticado a herói. Everaldo, que virou meme na Copa do Mundo de Clubes com o infame grito “chuta, Everaldo!”, resolveu escutar o apelo da torcida tricolor nesta quarta-feira. No Beira-Rio, o atacante do Fluminense marcou dois gols e garantiu a vitória por 2 a 1 sobre o Internacional, pela ida das oitavas de final da Copa do Brasil. O resultado dá ao time carioca a vantagem do empate no jogo de volta, no Maracanã.
Foi uma noite em que o Fluminense soube ser cirúrgico, aproveitando os erros do Colorado e se fechando com inteligência. E foi também uma noite em que o Inter mostrou volume, mas pouca eficiência, e terminou o jogo sentindo que poderia ter feito mais.
O jogo
O início do jogo foi de controle do Internacional. A equipe de Roger Machado tentou ditar o ritmo, com intensidade no ataque e boas movimentações pelas pontas. Logo nos primeiros minutos, Carbonero tentou de fora da área e, em seguida, encontrou Alan Patrick na área, que quase abriu o placar.
Mas o futebol, muitas vezes, castiga quem não aproveita. E foi isso que aconteceu. Aos 13 minutos, uma falha coletiva da defesa colorada virou presente para Everaldo. Thiago Maia tentou afastar uma bola na entrada da área e complicou Bernabei. Serna se antecipou, bateu na trave, e no rebote, após erro de domínio de Vitão, Everaldo apareceu livre para abrir o placar para o Fluminense. Silêncio no Beira-Rio, exceção feita ao canto da torcida visitante.
O Inter tentou responder. Pouco depois, Bruno Henrique acertou um chute forte da entrada da área que explodiu na trave. A bola sobrou para Wesley, com o goleiro Fábio já fora da jogada. Era só empurrar para o gol vazio, mas o atacante chutou para fora, numa chance desperdiçada que faria falta mais tarde.
Ainda assim, a persistência gaúcha deu resultado. Aos 31 minutos, Wesley invadiu a área pela direita e bateu cruzado. Fábio conseguiu espalmar, mas Carbonero apareceu no rebote para empatar o jogo e reacender a esperança da torcida.
Só que o Fluminense foi letal. Se o Inter empatou, o Tricolor respondeu com rapidez e qualidade. Aos 38 minutos, Martinelli saiu da pressão com categoria, rompendo a primeira linha do Inter. A jogada seguiu com Nonato, que abriu na direita para Serna. O colombiano acelerou, deixou Aguirre para trás e cruzou rasteiro. Everaldo, de primeira, completou para as redes: 2 a 1, com eficiência de manual.
O segundo tempo começou com um ritmo mais cadenciado. O Fluminense parecia confortável com a vantagem e passou a manter a posse no campo de ataque, trocando passes e queimando tempo. O Inter, por outro lado, mostrava dificuldades para encontrar espaços. A equipe até teve mais posse, mas sem criatividade e sem a intensidade vista nos minutos iniciais.
Uma das poucas chances veio na bola parada: Alan Patrick cobrou escanteio, Vitão subiu mais que a zaga e cabeceou forte, mas por cima. Foi uma das raras finalizações do Inter na segunda etapa.
As substituições de Roger Machado não surtiram efeito. O time perdeu organização com as entradas, enquanto o Fluminense cresceu com a manutenção do trio Martinelli, Hércules e Nonato no meio. O domínio territorial era do Inter, mas o controle emocional e tático era todo do Fluminense.
Na reta final, o Inter tentou o abafa. Chegou a esboçar pressão com bolas alçadas na área, mas sem organização. Renato Gaúcho lançou Ganso nos minutos finais para tentar cadenciar o jogo e esfriar o ímpeto adversário — e funcionou. O Flu segurou a bola, fez o tempo passar e garantiu a vitória em Porto Alegre.
Um Fluminense inteligente, um Inter pouco eficiente
A vitória tricolor tem um nome: Everaldo. Mas também tem um plano por trás. O Fluminense não foi dominante em posse ou volume ofensivo, mas foi estratégico. Soube quando acelerar, quando esperar, e — principalmente — quando aproveitar os erros do adversário.
A atuação de Everaldo quebra uma sequência de críticas. Na Copa do Mundo, o atacante ficou marcado pelas más decisões. Nesta noite, mostrou oportunismo e frieza. Dois gols em duas oportunidades claras, em momentos-chave do jogo. Outro destaque foi o trio de meio-campo do Fluminense. Martinelli foi o maestro, Nonato foi o elo de ligação, e Hércules deu equilíbrio defensivo. Serna também merece menção: incisivo pela direita, participou dos dois gols.
O Inter, por sua vez, viveu uma montanha-russa emocional. Começou bem, com intensidade, mas sofreu com erros defensivos grosseiros. Thiago Maia e Vitão erraram nos momentos mais perigosos. O ataque produziu, mas desperdiçou demais. O gol perdido por Wesley no primeiro tempo pode ter mudado o rumo da partida.
As substituições de Roger também não ajudaram. O time caiu de produção no segundo tempo e só voltou a ameaçar no desespero final. Faltou repertório ofensivo e sobrou ansiedade.
Agora, o Fluminense tem a vantagem de jogar pelo empate no Maracanã, enquanto o Inter precisa vencer por dois gols de diferença para avançar no tempo normal. O desafio gaúcho é grande — ainda mais se Everaldo continuar escutando os gritos da torcida: “Chuta, Everaldo!”
(Foto: Lucas Mercon/Fluminense)