O CEO da Fórmula 1, Stefano Domenicali, confirmou que alternativas estão sendo consideradas caso os Grandes Prêmios do Catar e de Abu Dhabi, previstos para encerrar a temporada de 2026, precisem ser cancelados. Em março, a Fórmula 1 foi obrigada a cancelar os GPs do Bahrein e da Arábia Saudita, que estavam programados para meados de abril, em razão do conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel, iniciado no fim de fevereiro.
Embora um cessar-fogo esteja em vigor desde o começo de abril, a região segue em um cenário considerado extremamente instável, o que impede a realização de grandes eventos esportivos. Os organizadores das provas do Bahrein e especialmente da Arábia Saudita continuam pressionando pelo retorno das corridas ao calendário. Uma possível vaga entre os GPs do Azerbaijão e de Singapura chegou a ser considerada como alternativa.
Enquanto a Fórmula 1 segue monitorando constantemente a situação no Oriente Médio, a categoria permanece limitada até que exista uma declaração definitiva de paz. Como consequência, crescem as dúvidas sobre a realização das corridas do Catar e de Abu Dhabi, marcadas para 29 de novembro e 6 de dezembro.
Domenicali admite necessidade de decisão rápida
Stefano Domenicali confirmou que uma decisão precisará ser tomada com antecedência suficiente para evitar problemas logísticos. O mesmo teria até a pausa de verão da Fórmula 1, em agosto, para definir inicialmente se uma corrida poderia ocorrer na data de 4 de outubro.
“Assim como aconteceu durante a Covid, precisamos tentar ser o mais pragmáticos possível. O fato de termos retirado até agora as corridas do Bahrein e de Jeddah aconteceu porque sabíamos que não era possível ir até lá naquele momento. Especialmente porque somos entretenimento, um esporte que leva alegria e prazer.” afirmou Domenicali em entrevista ao jornal L’Equipe.
“É preciso ir a um lugar onde essa seja realmente a atmosfera. Esperamos, pela Fórmula 1, mas principalmente pelo mundo, que a situação melhore o mais rápido possível.” continuou o CEO.
Domenicali destacou ainda que os promotores das provas do Catar e de Abu Dhabi já iniciaram a venda de ingressos e que a procura está sendo muito forte.
“Os organizadores do Catar e de Abu Dhabi já estão vendendo ingressos, e as vendas estão indo muito, muito bem. Mas chegará um momento em que teremos de tomar decisões, porque isso não é como uma partida de futebol, onde existem apenas dois times, 22 jogadores e onde substituições são simples. No nosso caso existe toda a complexidade logística, além dos custos envolvidos” finalizou.
Remarcar corridas é considerado extremamente difícil
Domenicali também afirmou que remarcar ambas as corridas seria impossível dentro do atual calendário da Fórmula 1. Segundo ele, até mesmo encontrar espaço para apenas uma das provas seria extremamente complicado, já que o calendário possui poucas datas disponíveis.
“A remarcação das duas corridas é impossível. Mesmo remarcar apenas uma delas não será fácil, porque não existem muitos espaços disponíveis.” afirmou Domenicali.
Ainda assim, a possibilidade de utilizar a data de 4 de outubro segue sendo considerada viável pela categoria. Apesar das dificuldades, Domenicali garantiu que a Fórmula 1 possui planos alternativos preparados caso a situação geopolítica no Oriente Médio continue impedindo a realização dos eventos.
“Posso confirmar que temos um plano de contingência e, se as duas corridas do fim do ano não puderem acontecer porque a guerra ainda não terminou, teremos outras alternativas.” declarou.
As declarações deixam claro que a Fórmula 1 já trabalha internamente com cenários paralelos para assegurar o encerramento da temporada, evitando improvisações de última hora.
Las Vegas não será a etapa final da temporada
Uma das poucas certezas confirmadas por Domenicali é que o Grande Prêmio de Las Vegas, marcado para 22 de novembro, não encerrará a temporada de 2026. Questionado diretamente sobre essa possibilidade, o CEO da Fórmula 1 foi categórico ao negar. “Não, não será a última corrida do calendário. Posso confirmar isso.” afirmou.
A fala reforça que a categoria pretende manter pelo menos uma etapa adicional após Las Vegas, independentemente do desfecho envolvendo Catar e Abu Dhabi. Ao mesmo tempo, o posicionamento da Fórmula 1 evidencia o tamanho do desafio enfrentado pela organização diante das incertezas políticas e logísticas provocadas pelo conflito no Oriente Médio.
Mesmo com o interesse comercial elevado e forte venda de ingressos para as provas programadas, a prioridade da categoria continua sendo garantir condições adequadas para a realização dos eventos, tanto do ponto de vista operacional quanto em relação à segurança.
Até que exista maior clareza sobre a estabilidade da região, a Fórmula 1 seguirá avaliando alternativas e mantendo seu plano de contingência pronto para ser acionado caso necessário.
Foto: (Fórmula 1)