Para incentivar um nível maior de competitividade entre os fabricantes, os Regulamentos Técnicos da Fórmula 1 para 2026 e em diante permitirão que as fabricantes de unidades de potência realizem atualizações em motores homologados em situações específicas por meio de um novo mecanismo de desenvolvimento.
O sistema foi criado para o novo ciclo de motores da categoria e pretende evitar que alguma fabricante fique excessivamente atrás das rivais durante vários anos consecutivos sem possibilidade de recuperação.
Chamado de “ADUO”, o mecanismo funcionará como uma espécie de ferramenta regulatória para permitir correções de desempenho ao longo das temporadas entre 2026 e 2030. A sigla significa “Additional Development and Upgrade Opportunities”, algo que pode ser traduzido como “Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Atualização”.
Durante períodos específicos de cada temporada, a FIA monitorará o desempenho do motor a combustão interna de cada fabricante para criar um índice comparativo chamado “ICE Performance Index”.
Diversos fatores serão levados em consideração nessa análise. Entre eles estão a rotação do motor, o torque do eixo de entrada e a potência do MGU-K, além de um sistema de ponderação relacionado ao impacto da potência no tempo de volta ao longo das voltas medidas.
Apesar disso, a própria FIA reconhece que o sistema avalia apenas o desempenho do motor a combustão interna e, portanto, não representa totalmente o desempenho completo da unidade de potência, já que o sistema ERS também exerce papel fundamental na potência total entregue pelos carros.
Quando o sistema ADUO será ativado?
O ADUO entra em ação quando o motor de um fabricante apresenta desempenho significativamente inferior ao melhor conjunto do grid. De forma prática, se o motor a combustão interna de uma fabricante estiver 2% ou mais abaixo do melhor motor no índice de desempenho, a fabricante passa automaticamente a ter direito às oportunidades extras de desenvolvimento.
Segundo o Artigo 4.3 do Apêndice C5 dos Regulamentos Técnicos da Fórmula 1 de 2026, existem dois níveis diferentes de concessão de atualizações. Quando a diferença para o melhor motor for de pelo menos 2%, mas inferior a 4%, a fabricante poderá realizar uma atualização adicional durante a temporada atual e outra atualização extra na temporada seguinte.
Já as fabricantes cujo índice de desempenho estiver 4% ou mais abaixo do melhor motor terão direito a duas atualizações adicionais na temporada em andamento e mais duas no campeonato seguinte.
O objetivo principal do mecanismo é impedir que uma fabricante permaneça presa a uma grande desvantagem técnica por longos períodos devido ao congelamento parcial de componentes e às limitações tradicionais de desenvolvimento impostas pela Fórmula 1. Assim, a FIA tenta criar um equilíbrio entre estabilidade regulatória e manutenção da competitividade dentro do grid.
Períodos de monitoramento do desempenho dos motores
O regulamento também define períodos específicos nos quais o desempenho dos motores será analisado pela FIA. De acordo com o Artigo 4.2 do Apêndice C5 dos Regulamentos Técnicos de 2026, inicialmente estavam previstos três períodos de monitoramento durante a temporada.
Esses intervalos eram originalmente divididos entre as etapas 1 a 6, 7 a 12 e 13 a 18 do campeonato. No entanto, mudanças no calendário provocaram ajustes no primeiro período de avaliação. A primeira fase de monitoramento agora será formada pelas cinco etapas iniciais da temporada: Austrália, China, Japão, Miami e Canadá.
Os resultados dessa primeira análise deverão ser comunicados até, no máximo, duas semanas após o Grande Prêmio do Canadá. O segundo período de avaliação abrangerá as corridas entre Mônaco e Hungria, correspondendo às etapas 6 a 11 da temporada.
Já o terceiro período compreenderá as provas entre Holanda e Cidade do México, envolvendo as etapas 12 a 18 do campeonato. Depois que os resultados forem divulgados pela FIA, as fabricantes elegíveis para o ADUO receberão notificações oficiais detalhando quantas atualizações poderão utilizar e essas modificações poderão ser introduzidas já a partir da corrida seguinte à confirmação da elegibilidade.
Quais componentes poderão receber atualizações?
Uma vez ativado o ADUO, as fabricantes poderão aplicar desenvolvimentos em diferentes áreas da unidade de potência. Segundo a lista apresentada pela FIA, as atualizações permitidas incluem componentes do motor a combustão interna, sistema de escapamento, turbocompressor e válvulas wastegate ou pop-off.
Também poderão receber modificações componentes elétricos e sensores montados no motor ou no escapamento. Além disso, o sistema ERS e seus sistemas de resfriamento associados também poderão ser atualizados, assim como o MGU-K e a eletrônica de controle do carro. Outros itens autorizados incluem funções hidráulicas, fluidos e lastro.
O regulamento também estabelece algumas limitações importantes sobre a utilização dessas atualizações extras. As atualizações do ADUO não são cumulativas dentro da mesma temporada e só serão concedidas na primeira vez em que uma fabricante for considerada elegível para receber os benefícios do mecanismo.
Além disso, qualquer atualização não utilizada dentro da temporada correspondente será automaticamente perdida. Por exemplo, se uma fabricante receber uma atualização adicional para 2026 e outra para 2027, a atualização destinada a 2026 precisará obrigatoriamente ser utilizada antes do fim daquela temporada. Caso contrário, ela será descartada.
Já a atualização prevista para 2027 continuará válida normalmente para utilização naquele campeonato específico.
Com isso, a Fórmula 1 tenta criar um sistema que permita recuperação técnica sem abrir espaço para acúmulo ilimitado de vantagens regulatórias ao longo dos anos.
Foto: (Fórmula 1)