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Automobilismo Fórmula 1

Fórmula 1: Os assuntos que movimentaram o paddock de Silverstone

O piloto da Mercedes, George Russell, não poderia chegar em melhor momento para sua corrida em casa, em Silverstone. O britânico conquistou sua primeira vitória desde a abertura da temporada, na Austrália, ao vencer a etapa mais recente, na Áustria.

Mais importante do que o resultado em si foi o impacto que sua atuação teve sobre sua confiança, depois de enfrentar uma sequência de derrotas para seu companheiro de equipe em sua segunda temporada na Fórmula 1, Kimi Antonelli.

Russell começou a se perguntar o que precisava fazer para extrair o máximo desempenho da Mercedes, enquanto Antonelli parecia conseguir dominar o carro com mais facilidade. A situação era especialmente incômoda porque Russell havia sido dominante na Austrália e, considerando sua experiência e o desempenho do carro, era visto como amplo favorito ao título.

Em vez disso, acabou ficando 50 pontos atrás antes de reduzir a diferença para 40 na Áustria, ao superar Antonelli justamente em um circuito onde o italiano talvez tivesse demonstrado o melhor ritmo, embora não tenha conseguido transformar esse potencial em resultado.

Com isso, Russell chega a Silverstone, onde nunca terminou acima da quinta posição em nove participações, muito mais confiante e acreditando que pode conquistar sua primeira vitória diante da torcida britânica. “Tenho 100% de confiança em mim mesmo, mas ainda estou ganhando confiança para entender como colocar o carro na faixa ideal de desempenho”, afirmou durante o dia de atendimento à imprensa. 

“No ano passado, se você me perguntasse antes de uma sessão o quanto eu estava confiante de que o carro estaria em uma boa condição e de que eu faria uma volta perfeita, esse nível de confiança era muito maior porque eu entendia muito melhor o carro e os pneus do que entendo este ano, mas isso está melhorando a cada corrida.” contou Russell. 

“A Áustria, historicamente, sempre foi uma pista difícil para mim. Foi uma corrida com calor e pouca aderência. Essas normalmente são as condições de que menos gosto. Minha atuação não foi perfeita, não foi excelente, mas foi muito melhor do que teria sido três ou quatro corridas antes. Estou muito satisfeito com o progresso que fiz junto com minha equipe para encontrar um acerto melhor para o carro.” finalizou Russell. 

Antonelli, por sua vez, não parece abalado pelo retorno de Russell à boa fase. O jovem de 19 anos reconheceu que não fez um trabalho suficientemente bom na Áustria. Segundo ele, relaxou mais do que deveria depois de um excelente desempenho nos treinos de sexta-feira, permitindo que erros aparecessem.

A impressão é de que Antonelli não pretende repetir esse erro. O italiano chega animado para Silverstone, onde acredita ter boas chances. No ano passado, viveu uma fase muito difícil durante a etapa europeia da temporada, pontuando apenas duas vezes em nove provas, mas neste ano não apresentou os mesmos problemas.

Na atual temporada, venceu a primeira etapa em Mônaco e ocupava a segunda posição em Barcelona depois de ultrapassar Russell na pista, antes de abandonar por um problema na unidade de potência nas voltas finais. Na Áustria, demonstrou ritmo suficiente para vencer, mas uma interpretação equivocada da situação envolvendo bandeiras amarelas na classificação prejudicou sua posição de largada, obrigando-o a se contentar com o terceiro lugar.

Silverstone também desperta boas lembranças para Antonelli, já que foi nesse circuito que conquistou sua primeira vitória na Fórmula 2 e no mesmo fim de semana em que a Mercedes decidiu que ele estava pronto para subir à equipe principal da Fórmula 1 na temporada seguinte. “Tenho um grande fogo dentro de mim porque acho que as duas últimas corridas não correram como deveriam, considerando o ritmo que tínhamos”, afirmou.

“Acho que, em Barcelona, a corrida estava indo muito bem, mas tivemos aquele problema, o que foi uma pena. Já na Áustria, eu me senti muito bem no carro. Mas, na classificação, relaxei um pouco demais durante a sessão e não consegui extrair o máximo do carro e dos pneus. Depois ainda houve a questão da bandeira amarela, que George administrou muito bem. Ele fez o que precisava fazer. Do meu lado, simplesmente não fiz um trabalho bom o suficiente.” contou Kimi.

Ferrari prevê dificuldades para o fim de semana

A Ferrari viveu momentos bastante distintos nas últimas etapas. Lewis Hamilton experimentou o ponto alto ao conquistar sua primeira vitória em um Grande Prêmio pela Scuderia na Espanha. Logo depois, porém, a equipe enfrentou problemas com o desgaste dos pneus na Áustria e não conseguiu disputar um lugar no pódio.

O domingo foi particularmente complicado para Charles Leclerc, cuja sequência difícil desde o pódio conquistado no Japão continuou também na Áustria.

Questionado sobre a possibilidade de reverter essa situação em Silverstone, Leclerc mostrou pouco otimismo. Segundo ele, o circuito possui muitas retas, justamente um dos pontos em que a Ferrari perde desempenho para Mercedes, Red Bull e McLaren. “Não é um fim de semana em que esperamos ser particularmente fortes”, afirmou.

“Aqui há muito mais retas e poucas curvas para recuperar energia, então espero um fim de semana difícil para nós. Infelizmente, as próximas duas etapas, pelo menos no papel, não são muito favoráveis para o nosso carro, mas faremos o nosso melhor.” contou Leclerc. 

Leclerc acrescentou que trabalhou intensamente nas últimas semanas. Tenho trabalhado muito nas últimas semanas. O sábado na Áustria foi muito melhor. No domingo, na corrida, não fomos tão fortes como equipe e também tive dificuldades com algumas coisas. Então continuo trabalhando, mantendo a cabeça baixa e espero que dias melhores venham.”

Hamilton compartilha da mesma avaliação. Disputando sua vigésima temporada na Fórmula 1 em Silverstone, ele acredita que conquistar uma décima vitória no circuito será uma missão complicada. “Obviamente tivemos grandes atuações antes. O fato é que, como foi possível ver na corrida, perdemos bastante tempo. Acho que perdemos cerca de quatro décimos nas retas. É muito difícil recuperar isso nas curvas.”

“Acho que temos um carro muito bom na essência, mas precisamos continuar trabalhando para maximizar tudo o que conseguimos, obter os melhores resultados possíveis e marcar o máximo de pontos até conseguirmos reduzir essa diferença.” finalizou Hamilton. 

Alonso avalia futuro, enquanto Silverstone espera público recorde

A Aston Martin revelou nesta semana que sua aguardada primeira atualização da temporada será apresentada na etapa da Hungria, a última antes das férias de verão. A Honda também deve introduzir uma evolução aproximadamente no mesmo período.

O desempenho desse pacote terá influência no processo de decisão de Fernando Alonso sobre permanecer ou não na categoria após esta temporada. Mesmo assim, o espanhol explicou que esse não será o único fator levado em consideração. “Não será apenas isso. Acho que é uma combinação de fatores. Não é apenas o chassi. Também precisamos ver algum progresso do lado do motor, algo que planejamos para as próximas corridas.”

“Eu me sinto bem com a equipe, sei que todos estão trabalhando ao máximo e me sinto confiante. Mas, no fim das contas, também preciso pensar comigo mesmo sobre o que farei no próximo ano. Não será apenas o desempenho que tivermos na Hungria. Existem outras coisas sobre a mesa.” contou Alonso. O bicampeão mundial deve tomar sua decisão definitiva durante o verão europeu, embora esteja inclinado a permanecer na Aston Martin por mais uma temporada.

Enquanto isso, Silverstone já vive um ambiente de grande entusiasmo antes mesmo do início das atividades de pista. Os organizadores esperam receber entre 565 mil e 575 mil espectadores durante o fim de semana, número que representaria um recorde para um fim de semana de Grande Prêmio da Fórmula 1.

O público terá cinco pilotos britânicos para apoiar: George Russell, Lewis Hamilton, Lando Norris, Ollie Bearman e o estreante Arvid Lindblad. Norris contará novamente com sua arquibancada exclusiva, a Landostand, uma estrutura com capacidade para 16 mil pessoas localizada no fim da reta Hangar, na curva Stowe, e que já está completamente esgotada.

O piloto afirmou que mal pode esperar para ver a arquibancada da pista. “Mal posso esperar, sinceramente, para vê-la do carro amanhã. Espero que ela distraia todo mundo, porque está muito chamativa. Até tenho uma viseira com tonalidade extra para conseguir enxergar passando pela Stowe.”

“Ela é muito maior e muito melhor do que no ano passado. A arquibancada é enorme. Estive lá nesta manhã para ver as pessoas que já estavam presentes, a loja, muito mais áreas de hospitalidade, música, DJs e coisas desse tipo. Quero apenas que todos que estão lá, todos que vieram me apoiar, se divirtam e aproveitem mesmo quando não estivermos na pista.” contou Norris. 

“É algo especial, porque ainda me vejo apenas como um garoto que quer correr e gosta de pilotar. Ao mesmo tempo, existe toda essa parte incrível, que é ter uma torcida e tantos apoiadores. Quando vejo tudo isso reunido, ainda me sentindo aquele garoto comum, é realmente inacreditável perceber o tamanho disso e ver quantas pessoas estão aqui para me apoiar. É algo com que sempre sonhei.” finalizou Norris. 

Foto: (Fórmula 1)