O líder do campeonato da Fórmula 2, Leonardo Fornaroli, chamou a atenção devido as declarações do Team Principal da Invicta, James Robinson, de que o seu piloto ainda não tem uma vaga em uma equipe da Fórmula 1 de imediato. Por que isso está acontecendo agora?
Primeiro, temos que entender quem é o piloto italiano. Fornaroli, de 20 anos, vem do título da Fórmula 3 em 2024, superando Gabrielle Mini, e aceitando o convite da Invicta para o lugar de Gabriel Bortoleto, o atual campeão da F2. Seguindo os passos do brasileiro, Leo lidera o campeonato de pilotos por dezessete pontos, conquistando sete pódios no ano com três vitórias (duas Sprint e uma Feature – corrida principal). Caso confirme o título, se tornará o quinto piloto a vencer F3 e F2 na primeira oportunidade se juntando a Bortoleto, Oscar Piastri, George Russell e Charles Leclerc.
O seu caminho para buscar uma vaga na F1 se assemelha muito ao de outro brasileiro, Felipe Drugovich, que sem fazer parte de qualquer academia de pilotos, venceu o campeonato de 2022. Porém, Drugo não venceu na Fórmula 3 e só foi ser campeão da F2 no seu terceiro ano na categoria.
Para Robinson, Fornaroli não deve em nada a qualquer piloto da F2. Por se tratar de um piloto “Moneyball”, termo bastante utilizado no exterior para se tratar de alguém mais inclinado aos dados e estatísticas e gastando apenas o necessário para montar sua equipe. Não só ele foi comparado com Bortoleto como foi colocado como alguém “mais forte” no que diz respeito ao seu desenvolvimento como piloto. Não só na pista, como acertando carros.
O Team Principal da Invicta também atribuiu que o seu estilo “low profile” é o que esteja afastando as equipes de apostar no jovem piloto italiano. “Ele não faz movimentos espalhafatosos que alguns pilotos fazem”, disse Robinson. “Ele não faz dancinhas idiotas no pódio e nem fala demais com a imprensa”, concluiu.
Pode até ter um ponto de verdade nesse discurso, afinal quantos de nós não vimos alguém que ganhava pelo carisma ou por baboseiras ditas em público, mas que na hora de mostrar o talento não conseguia chamar a atenção devida por não entregar resultados?
Os caminhos para Leonardo Fornaroli
Leclerc era apradinhado pela Ferrari desde muito novo, sendo acompanhado de perto por outra joia da equipe de Maranello, Jules Bianchi. George Russell é o mesmo caso, mas pela Mercedes onde o seu chefe de equipe também é o seu empresário: Toto Wolff. Oscar Piastri era piloto da academia Renault ao vencer a F2 e ficou na Alpine como terceiro piloto até vir a bomba em que ele desmentiu a própria equipe francesa e foi para a McLaren. A equipe inglesa que investiu em Gabriel Bortoleto, agenciado pelo piloto Fernando Alonso, onde deu os primeiros passos no seu desenvolvimento até ganhar a oportunidade na Sauber para correr na categoria principal em 2025.
Infelizmente, o mesmo não pode ser dito para Drugovich. O piloto brasileiro aceitou a oferta da Aston Martin para ser piloto de testes e desenvolvimento de uma equipe que não tem uma academia própria de pilotos. Em quase três anos de vínculo, o brasileiro aparece de forma esporádica em treinos livres e corre nas categorias de Endurance, sendo a mais recente nas 24 Horas de LeMans. O sonho de correr na Fórmula 1 o fez recusar ofertas da Fórmula Indy. E o seu futuro é incerto, porque mesmo andando bem com o equipamento que tem em mãos, está refém de Alonso e Lance Stroll. A Cadillac é uma alternativa, mas sabe-se bem pouco sobre um interesse real da novata de 2026 e o brasileiro.
Seja por “proteção” desde cedo ou encontrando as pessoas certas no caminho para acompanhar o desenvolvimento, os pilotos talentosos irão se destacar e terão uma oportunidade de ingressar na Fórmula 1 de alguma maneira. Resta saber qual caminho será levado pelo italiano. O “acordo do século”, como Robinson fala, é para um diamante bruto a ser lapidado. A pista fala, e ele está fazendo por merecer.



