O Fortaleza vive um 2025 de muitas dúvidas e poucas respostas. A derrota na estreia da Libertadores por 3 a 0 para o Racing, dentro do Castelão, foi mais um capítulo preocupante de uma temporada que ainda não engrenou. O time comandado por Juan Pablo Vojvoda parece longe daquele Fortaleza competitivo e organizado que o torcedor se acostumou a ver nos últimos anos. A falta de evolução dentro de campo já começa a gerar um questionamento inevitável: será que o ciclo do treinador argentino está chegando ao fim?
Um ano de atuações ruins e frustrações no Fortaleza
O Fortaleza iniciou a temporada com expectativas altas. Depois de boas campanhas em competições nacionais e internacionais nos últimos anos, o clube investiu em reforços de peso para 2025. A diretoria trouxe nomes como o volante argentino Pol Fernández, o experiente zagueiro David Luiz e, mais recentemente, o atacante Deyverson. No papel, o time parecia ter tudo para brigar por títulos e seguir competitivo. Mas, na prática, o desempenho tem sido frustrante.
A derrota para o Racing escancarou os problemas do time. O Fortaleza foi dominado do início ao fim, sem conseguir reagir diante de um adversário que soube explorar as fragilidades da equipe. O meio-campo não conseguiu segurar a posse de bola, a defesa se mostrou vulnerável e o ataque praticamente não existiu. Essa tem sido a tônica do time em 2025: um futebol previsível, lento e sem intensidade.
E o pior é que essa atuação ruim contra os argentinos não foi um caso isolado. O Fortaleza já vinha dando sinais de alerta desde a decisão do Campeonato Cearense, quando foi superado pelo Ceará nos dois jogos e viu seu maior rival levantar a taça. Perder um título estadual já é algo doloroso para a torcida, mas a forma como aconteceu só aumentou a insatisfação. O time parecia sem reação, sem alma, sem aquele espírito combativo que marcou os melhores momentos da “Era Vojvoda”.
A paciência da torcida e da diretoria está se esgotando?
O nome de Juan Pablo Vojvoda sempre foi sinônimo de respeito e confiança no Fortaleza. Desde que chegou, o treinador argentino mudou o patamar do clube, levou o time a disputar competições continentais e conquistou títulos importantes. Mas o futebol tem memória curta, e quando os resultados não vêm, a pressão aumenta.
A paciência da torcida já dá sinais de esgotamento. Os protestos após a derrota para o Racing mostraram que a relação entre Vojvoda e os tricolores não é mais a mesma. Muitos questionam se ele ainda consegue extrair o melhor desse elenco ou se o desgaste natural de um ciclo longo está cobrando seu preço.
A diretoria, até o momento, mantém apoio ao treinador, mas também sabe que a margem de erro está cada vez menor. O Fortaleza tem desafios importantes pela frente e, se não houver uma mudança de postura rapidamente, a temporada pode escapar das mãos antes mesmo do meio do ano.
Problemas táticos e falta de identidade
O grande problema do Fortaleza de 2025 é que o time parece sem identidade. Nos anos anteriores, mesmo quando os resultados não eram os melhores, o time tinha uma ideia de jogo clara: uma equipe intensa, organizada e com transições rápidas. Agora, tudo parece confuso.
As contratações feitas pela diretoria, em teoria, eram para reforçar pontos fracos do elenco. Mas, até agora, Pol Fernández não conseguiu dar dinamismo ao meio-campo, David Luiz tem sofrido fisicamente e Deyverson, que chegou recentemente, ainda não teve tempo de mostrar se pode ser uma peça decisiva. Mas a questão vai além dos jogadores. O sistema tático parece não funcionar. A defesa falha em lances simples, o meio-campo tem dificuldade para criar e o ataque não consegue ser efetivo.
Fica a dúvida se Vojvoda conseguirá encontrar soluções para reverter esse cenário ou se a história dele no Fortaleza está perto do fim. O treinador já deu provas de que sabe reinventar o time em momentos difíceis, mas dessa vez o desafio parece ainda maior.
O que esperar daqui para frente?
O Fortaleza precisa reagir rápido. O time ainda tem competições importantes pela frente e, se quiser salvar a temporada, precisa reencontrar seu melhor futebol. Para isso, talvez seja necessário que Vojvoda faça mudanças profundas na equipe, tanto em termos de escalação quanto na forma de jogar.
Se o Fortaleza continuar apresentando o mesmo futebol apático e sem brilho, a pressão sobre Vojvoda só vai aumentar. E, no futebol, quando um treinador entra nesse ciclo de críticas e desconfiança, é difícil reverter a situação. O argentino tem crédito, tem história e tem o respeito de muitos torcedores, mas precisa provar, dentro de campo, que ainda pode levar esse time a novos patamares.
Caso contrário, a diretoria pode se ver obrigada a tomar uma decisão difícil nas próximas semanas. Será que estamos vendo o começo do fim da “Era Vojvoda” no Fortaleza? Se o futebol não melhorar, essa pergunta pode ter uma resposta muito em breve.
(Foto: Mateus Lotif / Fortaleza)


