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Gareth Bale explica por que gestão pesa mais que tática no Real Madrid

Ídolo em finais, protagonista de gols históricos e dono de cinco títulos da Champions League. Mesmo assim, a passagem de Gareth Bale pelo Real Madrid sempre deixou uma sensação curiosa: foi extremamente vitoriosa, mas também cercada de críticas, lesões e uma relação por vezes turbulenta com a torcida e a imprensa espanhola, como se não tivesse feito o suficiente.

Agora, já aposentado, o ex-atacante galês resolveu abrir o jogo sobre alguns bastidores importantes da sua época no clube. Em entrevista recente, Bale falou sobre as diferenças entre dois técnicos que marcaram aquela era dourada em Madrid: Zinedine Zidane e Carlo Ancelotti.

E as revelações mostram que, dentro de um elenco cheio de estrelas, a fórmula do sucesso nem sempre passa por táticas mirabolantes.

Bale revela simplicidade tática de Zidane

Durante a entrevista, Bale surpreendeu ao explicar que Zidane não era um treinador focado em sessões táticas intensas ou extremamente detalhadas.

Segundo o galês, o francês tinha uma abordagem bastante direta no dia a dia.

“Ele jogou no futebol italiano e acho que pegou algo de lá. Não fazia muito. Se era contra o Barça ou o Bayern, fazíamos um pouco de tática. No resto, era mínimo.”

Os treinamentos, segundo Bale, seguiam um modelo relativamente simples. Nada de atividades extremamente complexas ou horas analisando posicionamento. A rotina geralmente incluía exercícios de posse de bola, um pequeno jogo entre os jogadores e finalizações. Depois disso, o treino praticamente terminava.

Mesmo em partidas importantes, o trabalho extra não era tão longo quanto muitos imaginariam.

“Nos jogos grandes fazíamos uns 15 minutos de tática defensiva, mais do que de ataque, e era basicamente isso.”

O respeito por Zidane dentro do vestiário

Se o trabalho tático não era o ponto central, o que fazia Zidane ser tão respeitado dentro do elenco?

Para Bale, a resposta é simples: a história do francês como jogador. Zidane chegou ao banco do Real Madrid já carregando o peso de ser um dos maiores nomes da história do futebol. Campeão do mundo, vencedor da Bola de Ouro e ídolo no próprio clube.

Isso fazia com que os jogadores naturalmente respeitassem suas decisões.

“O ponto forte dele era o respeito pelo que tinha feito como jogador. Todo mundo trabalhava duro por isso.”

Bale também contou que, em alguns momentos, Zidane participava dos treinos com os atletas e aí ficava evidente que o talento continuava ali. Mesmo depois de aposentado, o francês ainda impressionava tecnicamente.

Ancelotti ganha elogios de Bale pela gestão de grupo

Se Zidane impressionava pela aura e pelo respeito que transmitia, quando o assunto é gestão de elenco, Bale não esconde sua admiração por Carlo Ancelotti, atual treinador da Seleção Brasileira. O galês afirmou que o italiano tem uma capacidade rara de manter o grupo unido e motivado, algo fundamental em clubes gigantes como o Real Madrid.

“Carlo era simplesmente o cara. A gestão dele era a melhor.”

Segundo Bale, Ancelotti conseguia fazer até jogadores que estavam fora do time se sentirem importantes.

“Se você não jogava, ele fazia você sentir como se fosse o melhor amigo dele.”

Esse tipo de relação criava um ambiente mais leve no vestiário, algo essencial em um elenco cheio de estrelas e egos fortes.

Para Bale, o segredo no Real Madrid não é apenas tática

Outro ponto interessante levantado por Bale foi sua visão sobre o que realmente define o sucesso de um treinador no Real Madrid. Para ele, o clube tem tantos jogadores talentosos que o principal papel do técnico é saber administrar o grupo.

“Você não precisa ser o melhor treinador taticamente para estar no Real Madrid.”

A lógica do galês é simples: quando você tem craques em campo, o melhor caminho muitas vezes é deixá-los jogar.

“Só precisa gerir o grupo de jogadores e deixá-los fazer o que fazem.”

Isso não significa que a tática seja irrelevante, claro. Mas Bale acredita que a gestão humana é o verdadeiro diferencial.

Xabi Alonso entra na conversa sobre técnicos modernos

Durante a entrevista, Bale também comentou sobre o trabalho de Xabi Alonso, outro nome forte entre os treinadores da nova geração. Ao falar sobre a recente saída do espanhol de um cargo técnico, o galês afirmou que tentar controlar todos os detalhes pode acabar sendo um erro.

“Se você tenta fazer demais… os jogadores não querem voltar atrás.”

Para Bale, o pensamento dos atletas é mais simples do que muitos imaginam. Eles querem entrar em campo, jogar e vencer.

“Você só precisa ser um grande gestor.”

O legado de Bale no Real Madrid

Apesar das polêmicas que marcaram sua passagem, Gareth Bale deixou momentos inesquecíveis no Real Madrid. Entre eles está o golaço de bicicleta na final da UEFA Champions League Final 2018, um dos lances mais marcantes da história da competição.

O galês também foi decisivo em outras finais e ajudou o clube a construir uma das eras mais dominantes do futebol europeu.

Hoje, olhando para trás, Bale parece enxergar aquele período com mais leveza. Entre histórias de bastidores, treinadores com estilos completamente diferentes e um vestiário cheio de estrelas, suas declarações ajudam a revelar um pouco mais de como funcionava por dentro um dos times mais vencedores do século.

E deixam uma reflexão interessante: no futebol de elite, às vezes a chave do sucesso não está apenas no quadro tático, mas em saber lidar com quem está dentro dele.

Foto: Getty Images