O Crystal Palace viveu os 12 meses mais históricos de toda a sua trajetória recente no futebol europeu. O responsável por essa transformação atende pelo nome de Oliver Glasner. Entre títulos inéditos, crises internas, ameaças de saída e campanhas históricas, o técnico austríaco encerrou sua passagem pelo clube deixando um legado gigantesco em Selhurst Park.
Quando o presidente do clube, Steve Parish, conheceu Glasner no fim de 2023, dificilmente imaginava que aquele encontro mudaria completamente a história do Crystal Palace. O responsável pela aproximação foi o diretor esportivo Dougie Freedman, admirador do trabalho do austríaco na Bundesliga.
Na época, Roy Hodgson ainda comandava a equipe, mas a pressão por mudanças aumentava cada vez mais. Glasner chamou atenção não apenas pelos resultados conquistados no Wolfsburg e no Eintracht Frankfurt, mas principalmente pela personalidade forte e pela ideia moderna de futebol.
Poucos meses depois, Hodgson deixou o cargo e Glasner assumiu oficialmente o Crystal Palace. O que veio na sequência superou qualquer expectativa imaginável para um clube que historicamente brigava apenas por permanência na Premier League.
Em pouco mais de um ano, o treinador conduziu a equipe às conquistas da FA Cup, da Community Shield e da Conference League, transformando completamente a mentalidade do clube londrino.
Conquistas históricas mudaram mentalidade do Crystal Palace
O impacto de Glasner foi imediato dentro do elenco. Jogadores e dirigentes passaram a enxergar o Crystal Palace de maneira completamente diferente. O clube deixou de pensar apenas em sobreviver na Premier League e começou a acreditar na possibilidade real de disputar títulos.
O meio-campista Adam Wharton resumiu bem a mudança interna causada pelo treinador austríaco. Segundo ele, Glasner fez o elenco entender que o clube poderia competir de igual para igual contra qualquer adversário.
A conquista da FA Cup sobre o Manchester City marcou um divisor de águas. O Palace finalmente conquistava um grande troféu após mais de um século de espera.
Logo depois, veio outro feito simbólico: a vitória sobre o Liverpool na Community Shield, novamente no estádio de Wembley, palco que se tornou praticamente uma segunda casa para o clube naquele período mágico.
Mas a caminhada esteve longe de ser tranquila. O ambiente nos bastidores ficou extremamente turbulento durante boa parte da temporada. Um dos primeiros golpes aconteceu quando a UEFA puniu o Crystal Palace por questões ligadas à multipropriedade envolvendo o empresário John Textor.
O clube inglês acabou retirado da UEFA Europa League e rebaixado para a Conference League, decisão que gerou enorme revolta interna.
Steve Parish chegou a classificar a situação como uma das maiores injustiças já vistas no futebol europeu. Mesmo assim, o elenco conseguiu manter o foco competitivo.
Crise interna quase provocou saída de Glasner
Apesar dos títulos, os bastidores de Selhurst Park viveram momentos extremamente tensos. O principal foco do conflito envolvia o mercado de transferências e a preocupação de Glasner com o enfraquecimento do elenco.
A saída de Eberechi Eze para o Arsenal abalou bastante a equipe. Pouco depois, o clube também esteve muito próximo de perder o zagueiro e capitão Marc Guéhi para o Liverpool.
Segundo informações da imprensa inglesa, Glasner ficou furioso com a possibilidade de perder mais uma peça importante justamente antes da primeira grande campanha europeia do clube. O austríaco teria ameaçado pedir demissão caso a diretoria autorizasse a transferência.
A negociação acabou sendo cancelada de última hora após o Palace não conseguir contratar um substituto para Guéhi. Mesmo assim, o desgaste entre treinador e diretoria aumentou bastante.
No início de 2026, a situação ficou ainda pior. O time entrou em sequência terrível de 12 jogos sem vitória, despencou na tabela da Premier League e quase viu sua campanha europeia desmoronar.
O momento mais humilhante aconteceu na eliminação histórica para o modesto Macclesfield na FA Cup, considerada uma das maiores zebras da competição.
Poucos dias depois, Glasner surpreendeu ao anunciar que deixaria o clube ao fim da temporada. A declaração aumentou ainda mais a tensão nos bastidores e dividiu a torcida.
Final europeu encerrou passagem histórica de Glasner
Mesmo em meio ao caos, Steve Parish decidiu manter confiança total no treinador. Internamente, existia a percepção de que Glasner era o técnico mais importante da história recente do clube e que sua permanência até o fim da temporada era essencial.
A decisão acabou mudando completamente o rumo do Crystal Palace. O time se recuperou na reta final da temporada, cresceu na Conference League e alcançou uma campanha histórica até a final continental.
Na decisão disputada em Leipzig, o Palace derrotou o Rayo Vallecano por 1 a 0 e conquistou o primeiro título europeu de sua história.
O troféu também garantiu vaga automática na próxima edição da Europa League, encerrando de forma épica a trajetória de Glasner no clube inglês.
Após a partida, o treinador afirmou que sua passagem pelo Crystal Palace representa um capítulo especial na história do clube, mas deixou claro que acredita em novos momentos grandiosos no futuro da equipe.
A sensação entre torcedores e jogadores é de gratidão absoluta. Glasner não apenas conquistou troféus inéditos, mas mudou completamente a ambição do Crystal Palace dentro do futebol europeu.
Hoje, o clube que antes comemorava permanências na Premier League passa a sonhar com conquistas continentais. E grande parte dessa transformação nasceu justamente dos 12 meses intensos, turbulentos e históricos vividos sob o comando de Oliver Glasner.
Foto: X/Conference League



