O Tottenham decidiu agir cedo para a próxima temporada. Com uma atuação forte e determinada nesta janela de transferências, o clube deseja manter desta maneira para continuar com o bom desempenho adquirido ao final da temporada 2025/26. O técnico Roberto De Zerbi aparenta receber as ferramentas necessárias para que jogue futebol do seu modo.
Trata-se de uma abordagem considerada incomum utilizada pelo Tottenham. Uma vez que nos últimos anos, o clube londrino optou por um ritmo mais lento no mercado de transferências, buscando assim o melhor negócio possível.
O impacto da atuação menos acelerada no mercado de transferências
Esta postura mais lenta trouxe prejuízos para o Tottenham no decorrer dos anos, especialmente no verão passado, quando perdeu a chance de contratar Morgan Gibbs-White e Eberechi Eze. Apesar disso, alguns relatos confirmaram que os Spurs estavam em uma posição extremamente favorável para fechar negócio com ambos.
O clube resolveu assinar o contrato com Xavi Simons, um jogador de qualidade, mas que sempre foi uma alternativa no banco de reservas. Já que o Tottenham preferia um criador de jogadas pronto para a Premier League, o jogador holandês demorou um período para se adaptar à Inglaterra.
A atual janela de transferências do Tottenham
O Tottenham não quer cometer o mesmo deslize que quase o levou para a Championship. Os novos jogadores foram identificados rapidamente e contratados com eficiência implacável, diversas vezes a um custo elevado.
Os Spurs anunciaram as contratações de Jan Paul van Hecke, Martin Dúbravka, Andy Robertson, Marcos Senesi, Mateus Fernandes e Sandro Tonali até a segunda-feira (06 de julho). Cada um destes reforços jogava na Premier League na temporada passada e todos possuíam experiência recente na elite do futebol inglês.
Nomes como Van Hecke, Fernandes e Tonali custaram um total combinado de £ 237 milhões. Os demais foram contratados sem custos de transferência, porém cada um deles recebeu salários consideráveis.
Além disso, esses reforços sinalizaram uma transformação na estratégia de transferências do Tottenham. Ainda que tenha havido algumas contratações de atletas prontos para o time principal nos últimos anos, uma quantidade enorme de tempo e dinheiro foi gasta na aquisição de jovens promissores que os Spurs entendiam que poderiam ser os jogadores de classe mundial de que precisavam.
Desde o verão de 2024, jogadores como Archie Gray, Lucas Bergvall, Wilson Odobert, Mathys Tel, Kota Takai, Luka Vuskovic e Souza foram contratados com 20 anos ou menos por ao menos £5 milhões (Takai) e no máximo £40 milhões (Gray). A exceção foi Odobert, que tinha alguma experiência anterior na Premier League (29 jogos pelo Burnley em 2023-24). Havia um foco evidente no planejamento para o futuro do Tottenham.
O clube londrino não depositou todas as suas fichas nesse pensamento, porque também investiu pesado em jogadores prontos para a equipe principal, como a contratação mais cara da história do clube até aquele momento, Dominic Solanke. Ainda assim, esses reforços foram superados por outras contratações que possuíam, em sua maior parte, um objetivo voltado exclusivamente para o futuro.
A expectativa sobre o trabalho de Roberto De Zerbi
A decisão deste planejamento aconteceu para entregar ao treinador italiano Roberto De Zerbi as contratações que ele considera fundamentais para evitar qualquer possibilidade de flertar novamente com o rebaixamento. Depois do comandante ter mantido o Tottenham na Premier League sem possuir novas contratações, tendo um elenco repleto de lesões e um grupo insuficiente de atletas disponíveis, haveria boas razões para apoiá-lo.
De Zerbi teve que adaptar as táticas voltadas à posse de bola, que normalmente adota para obter resultados rápidos e tirar os Spurs de momentos conturbados. Desde que assumiu o comando técnico, apenas dois clubes tiveram uma sequência inferior a dez passes terminando em chute ou toque na área adversária em relação à média de 1,3 por jogo do Tottenham. Na temporada de 2023/24 pelo Brighton, apenas o Manchester City (7,7 por jogo) e o Arsenal (5,6) tiveram uma média maior de sequências desse tipo do que a do seu time (4,4).
A meta principal será fazer com que o Tottenham atue com uma quantidade levemente superior ao elogiado período em que treinou o Brighton. Isto simbolizaria uma construção de jogo mais paciente e ataques menos rápidos.
Créditos da foto da capa: Reprodução/Getty Images

