O futebol, quando é bonito, transcende vitórias e derrotas. Ele se transforma em emoção pura, em momentos compartilhados que unem estranhos em abraços e gritos. Para milhões de americanos, o gol de Landon Donovan contra a Argélia na Copa do Mundo de 2010 foi exatamente isso: o instante que marcou o primeiro grande momento viral da seleção dos Estados Unidos e ajudou a colocar o futebol no mapa global.
Naquele 23 de junho de 2010, em Pretória, na África do Sul, Donovan não apenas classificou os EUA para as oitavas de final. Ele criou uma memória coletiva que ainda ecoa 16 anos depois. O grito do narrador Ian Darke, “Go, go, USA!”, se tornou icônico. O vídeo de reações de torcedores americanos explodiu no YouTube, com milhões de visualizações. Aquele gol não foi apenas esportivo: foi cultural.
O contexto de uma seleção em transição
Antes da Copa de 2010, o futebol americano vivia um momento delicado. A seleção havia brilhado em 2002, chegando às quartas de final, mas fracassou na fase de grupos em 2006. Landon Donovan, então com 28 anos, carregava a expectativa de ser o líder da equipe. O sorteio colocou os EUA em um grupo difícil: Inglaterra, Eslovênia e Argélia. Ninguém esperava grande coisa.
O empate em 1 a 1 com a Inglaterra deu esperança. A virada épica contra a Eslovênia, de 0 a 2 para 2 a 2, mostrou garra. Mas foi contra a Argélia que tudo se definiu. Os EUA precisavam vencer para avançar. A partida foi tensa, com chances perdidas e pressão crescente. Aos 90 minutos, o placar ainda era 0 a 0. A eliminação parecia inevitável.
O momento mágico: Donovan entra para a história
Tim Howard, o goleiro americano, foi fundamental. Em uma das últimas jogadas, ele fez uma defesa impressionante e, rapidamente, lançou a bola para o ataque. Donovan recebeu, avançou e serviu Jozy Altidore. O centroavante cruzou para Clint Dempsey, que finalizou. O goleiro argelino Rais M’Bolhi espalmou, mas a bola sobrou nos pés de Donovan.
Sem hesitar, o atacante chutou de primeira para o fundo da rede. Explodiu o estádio. Explodiu a América. “Go, go, USA!” bradou Ian Darke. Donovan correu para o escanteio, cercado por companheiros em êxtase. Aquele gol classificou os EUA e quebrou o jejum de vitórias em estreias de fase de grupos desde 1930.
Donovan, que já era ídolo, se eternizou. Anos depois, ele confessou que não pensou: foi puro instinto. O gol se tornou o mais assistido da história do futebol americano no YouTube. Vídeos de torcedores reagindo, bares lotados e salas explodindo de alegria viralizaram. Muitos americanos que não acompanhavam futebol se apaixonaram naquele instante.
O legado que ultrapassa as quatro linhas
Aquele momento não foi só um gol. Foi um ponto de virada cultural. Sebastian Berhalter, hoje jogador da seleção, pulou a escola para assistir. “Foi algo especial”, recorda. Donovan, ao ver os vídeos de torcedores, chorou. “Não imaginava que o país se importasse tanto”, disse.
O gol ajudou a popularizar o futebol nos EUA. A MLS cresceu, a seleção ganhou visibilidade e uma geração inteira se apaixonou pelo esporte. Donovan se tornou o rosto dessa transformação. Seu legado vai além de números: 57 gols pela seleção, recorde de assistências, participações em Copas. Mas é o gol contra a Argélia que o define.
A partida contra a Argélia: Drama até o final
A partida foi dramática. A Argélia acertou a trave logo no início. Os EUA dominaram, mas desperdiçaram chances. Dempsey acertou o travessão. Quando o relógio marcava 90 minutos, Howard lançou longo. O resto é história.
A Itália, que empatou com os EUA no primeiro jogo, viu o recorde de Zoff ser quebrado por Sanon em 1974. Agora, Donovan quebrava outro tabu. Os EUA avançaram e enfrentaram Gana nas oitavas, caindo nos pênaltis. Mas o impacto daquele gol contra a Argélia foi eterno.
Por que Donovan é o maior da história americana?
Donovan é, para muitos, o maior jogador da história dos EUA. Sua carreira na MLS, na seleção e na Europa (Everton) mostra versatilidade e liderança. Mas o que o diferencia é o momento. Em 2010, ele carregou uma nação nas costas. O gol contra a Argélia não foi só classificação: foi inspiração.
Hoje, com o futebol americano mais forte, com a MLS crescendo e seleções jovens brilhando, Donovan é referência. Ele comentou jogos, inspirou crianças e ajudou a mudar a percepção do esporte no país.
O momento que ainda inspira
Dezesseis anos depois, o gol de Donovan continua vivo. Vídeos de reações ainda recebem comentários emocionados. Torcedores lembram exatamente onde estavam. Aquele instante mostrou que o futebol americano podia sonhar grande.
Para Donovan, foi o ápice. Para o país, o começo de uma nova era. O “soccer” nos EUA deve muito àquele chute no último minuto. E, enquanto a seleção se prepara para 2026, o legado de 2010 segue inspirando.
Haiti, Escócia, Marrocos e Brasil esperam os EUA em 2026. Mas o espírito de Donovan, garra, instinto e superação, continua presente. O gol contra a Argélia não foi só um gol. Foi o marco que mostrou ao mundo que o futebol americano tinha chegado.
Foto: Kevork Djansezian.
