Pep Guardiola é visto como um dos melhores treinadores da história do futebol, e mesmo com esse fator, ainda tem espaço para seus erros, que estão longe de serem muitos, mais acontecem. No caso, o treinador espanhol pode ter deixado passar um talento que hoje começa a mostrar suas qualidades, longe de Manchester: se tratando de Maxi Perrone.
Enquanto o City segue competitivo em todas as frentes, um volante de apenas 21 anos desponta como cérebro de um Como ambicioso na Itália. E o detalhe que incomoda? Perrone já pertenceu ao universo de Guardiola, mas não ficou.
Guardiola e a extinção dos volantes organizadores
O futebol moderno corre, pressiona e acelera como nunca. Em contrapartida, perde algo precioso: o volante clássico, capaz de ordenar o time sem precisar aparecer no placar, sendo um ponto mais para segurar a estrutura toda do projeto. Jogadores como Busquets, Xabi Alonso ou Fernando Redondo viraram artigos de luxo, hoje em dia são outras peças que possuem essas responsabilidades, e mais um pouco.
Curiosamente, Guardiola sempre foi um dos maiores defensores desse perfil. Desde Barcelona até Manchester, seus times funcionaram melhor quando havia alguém capaz de pensar o jogo antes de executá-lo. Por isso, a ascensão de Maxi Perrone chama tanto a atenção. Por agora, não é uma posição muito carente para os Sky Blues, pelo simples fato de Rodri e Nico González já contemplarem esse local, mas um atleta tão jovem quanto Perrone seria interessantíssimo.
O Como de Fàbregas gira em torno de Perrone
Aos pés dos Alpes italianos, Perrone virou peça-chave de um Como que sonha alto, e tem encantado dentro das quatro linhas. No segundo ano como titular absoluto, ele é o responsável por equilibrar um time jovem, técnico e ofensivo. É quem protege a defesa, distribui o jogo e dá liberdade aos talentos criativos, e tem sido moldado por um profissional que entende bastante da região, se tratando de Guardiola.
Treinar sob o comando de Cesc Fàbregas ajuda a explicar parte dessa evolução. O ex-meia espanhol enxerga Perrone como uma extensão sua dentro de campo. Não por acaso, exige leitura de jogo, posicionamento e circulação de bola precisa, fundamentos que sempre encantaram Pep Guardiola.
O maior beneficiado é Nico Paz, que encontra em Perrone o escudo perfeito para se soltar em zonas decisivas. Sem o argentino segurando a base, dificilmente o Como teria a mesma fluidez e competitividade. A relação entre técnico e jogador é clara: Fàbregas ensina, Perrone executa e aprende. E o argentino responde com maturidade rara para a idade, jogando como quem entende o jogo dois passos à frente.
De promessa argentina a erro estratégico?
Nascido em 2003, Maxi Perrone é mais um produto da rica base do Vélez Sarsfield. Seu talento chamou cedo a atenção do Manchester City, que o contratou ainda jovem. O problema? Ele quase não jogou, não teve espaço para ter a transição, e absover os principais pontos do alto nível, uma situação que muitos talentos andam passando nos Sky Blues de Pep Guardiola.
Vieram empréstimos para Las Palmas e depois para o próprio Como, até que o clube italiano decidiu comprá-lo em definitivo. O valor da transferência chama atenção: apenas 13 milhões de euros. Para um jogador com esse perfil, raro, técnico e cada vez mais valorizado, o negócio pode entrar na lista de decisões que até Guardiola gostaria de revisar, ou pelo menos mudar caso tivesse a possibilidade de voltar no tempo.
Maxi Perrone não é chamativo. Não vive de gols, nem de dribles virais. Vive de inteligência, posicionamento e passe. Exatamente o tipo de jogador que Guardiola costuma transformar em peça central de seus times. Talvez por isso a sensação de oportunidade perdida seja tão forte. Perrone parece feito sob medida para o futebol que Guardiola defende, e ainda assim, escapou.
O contexto que torna tudo ainda mais sensível
O momento do City dá ainda mais peso à discussão. Rodri, pilar absoluto do meio-campo de Guardiola, retorna de uma lesão grave já perto dos 30 anos. A reposição tentada até agora não mostrou ter o teto necessário para comandar um time que disputa tudo. Apesar de estar tendo seus bons momentos, a questão é que ter um nível muito alto a ser seguido como exemplo.
Enquanto isso, Perrone cresce longe, amadurece e começa a aparecer no radar de gigantes europeus. O volante que poderia ter sido preparado com calma dentro do sistema de Guardiola agora se valoriza fora dele e, se voltar, custará muito mais.
Foto: IMAGO