Viktor Gyokeres está voando, pelo menos quando veste a camisa da Seleção Sueca. O atacante foi o grande nome da vitória sobre a Seleção Ucraniana, marcando três gols em apenas 73 minutos e colocando seu país muito perto da classificação para a Copa do Mundo.
Agora, muda o cenário para Londres. No Arsenal, o mesmo Gyokeres ainda divide opiniões e não é por falta de qualidade, mas sim por uma questão de função dentro de campo.
Dois jogadores em um só?
O jogo contra a Ucrânia deixou uma impressão clara: existem duas versões de Gyokeres. E a diferença entre elas é gritante.
Sob o comando de Graham Potter, o atacante atua como um típico camisa 9. Fica mais fixo na área, participa diretamente das finalizações e é o ponto de referência ofensiva. Resultado? Três gols e uma atuação dominante. Já com Mikel Arteta, o papel é bem diferente.
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No Arsenal, Gyokeres se transforma em um jogador mais coletivo. Ele recua para participar da construção, ajuda na movimentação ofensiva e abre espaços para os companheiros. É um trabalho importante, mas que muitas vezes o afasta da zona mais perigosa do campo.
E isso se reflete nos números: apenas três finalizações nos últimos cinco jogos pelos Gunners. Para um centroavante, é um número que chama atenção e não de forma positiva.
Quando o Arsenal desembolsou cerca de €65 milhões para contratar Gyokeres junto ao Sporting CP, a expectativa era clara: um goleador.
E, sejamos justos, 16 gols na temporada não é um número ruim. Mas também não é exatamente o impacto devastador que muitos torcedores imaginavam.
Só que aqui entra um detalhe importante: talvez o problema não seja o jogador… e sim o contexto em que ele está inserido.
O Arsenal de Arteta não gira em torno de Gyokeres
O sistema de Arteta é baseado em controle de jogo, movimentação constante e versatilidade. O centroavante não é necessariamente o protagonista, ele é uma peça dentro de um mecanismo maior.
Gyökeres, nesse cenário, acaba sacrificando seu instinto goleador para ajudar o time a funcionar melhor coletivamente. Ele puxa marcação, abre espaços e facilita a vida de quem chega de trás.
Ou seja: faz o “trabalho invisível” que muitas vezes não aparece nas estatísticas. Enquanto isso, Potter fez algo bem direto com a seleção sueca: colocou Gyokeres onde ele rende mais.
Sem muitas invenções, o treinador transformou o atacante no centro das ações ofensivas. E a resposta veio rapidamente, com gols e protagonismo.
Após a partida, Potter não economizou nos elogios e classificou o jogador como “nível mundial”. Uma declaração forte, principalmente quando comparada à percepção de parte da torcida do Arsenal.
O dilema: adaptar o sistema ou manter o coletivo?
A grande questão para Arteta agora é estratégica. Vale a pena ajustar o sistema para potencializar Gyokeres como goleador? Ou o melhor caminho é manter o modelo atual, mesmo que isso limite o desempenho individual do atacante? Não existe resposta simples.
O Arsenal segue competitivo e brigando na parte de cima da tabela, o que reforça a ideia de que o sistema funciona. Por outro lado, é impossível ignorar que há um potencial ainda não totalmente explorado no camisa 9.
Talvez o caminho esteja no equilíbrio. Em jogos onde o Arsenal enfrenta defesas mais fechadas, liberar Gyokeres para atuar como referência pode ser a chave para destravar partidas. Já em confrontos mais exigentes, o papel coletivo continua sendo essencial.
O fato é que Gyokeres não desaprendeu a fazer gols. O hat-trick pela Suécia é prova disso.
No fim das contas…
O sueco vive um daqueles casos clássicos do futebol moderno: um grande jogador tentando se encaixar em um sistema que nem sempre potencializa suas principais virtudes.
Enquanto Potter mostrou o impacto de um atacante sendo protagonista, Arteta segue apostando no coletivo, mesmo que isso custe alguns gols no caminho.
E para o torcedor do Arsenal, fica a pergunta no ar: até quando o time vai abrir mão de ter um artilheiro “modo turbo” dentro da área?
Porque, quando Gyokeres é colocado nesse cenário… a resposta vem rápida e geralmente termina no fundo da rede.
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