O técnico Hernán Crespo é a bola da vez do Botafogo, para colocar um ponto final nesta procura interminável por um profissional para essa posição. O treinador argentino já vivenciou o futebol brasileiro, e já esteve próximo de retornar nesta temporada com o Grêmio, porém, as conversas não evoluíram, mantendo-se sem emprego.
Sua primeira experiência no Brasileirão foi com o São Paulo, a campanha de Crespo em 2020/2021 foi interessantíssima para o clube tricolor. Diante de um jejum enorme de títulos, o treinador argentino conseguiu colocar seus comandados para trabalhar em sintonia, e os resultados apareceram de forma iminente.
Em seu currículo aos 49 anos, Hernán Crespo conta com a presença de quatro times (Defensa y Justicia, Al Duhail, São Paulo e Al Ain) e quatro conquistas (Copa Sul-Americana (20), Liga do Catar (22/23), Copa do Catar (22/23) e Champions Asiática (23/24)). Seu último trabalho foi no futebol asiático, onde chegou a conquistar o principal dos títulos, porém, a pressão devido a uma má fase de sua equipe, fez com que ele entregasse o cargo.
Alguns pontos são fortes para ser um impacto interessante para os jogadores do Botafogo, como o fato de ser um profissional de moral, e um ex-jogador que fez bonito no cenário mundial. Livre desde novembro de 2024, chama atenção o fato do clube carioca ter resolvido investir apenas nesta altura da temporada. Entretanto, falaremos aqui, como as equipes de Hernán Crespo se posicionavam e atuavam em seus campeonatos.
Estilo de Hernán Crespo
O técnico Hernán Crespo tem algumas ideias específicas sobre os seus times, apesar de ter passado apenas por quatro destinos, não se desprendeu delas. Um dos principais focos do argentino é pela presença de três zagueiros em suas formações, seja num 3-4-3, 3-5-2 ou para deixar um pouco mais claro, três defensores, com um volante e uma linha de quatro, um pouco atrás de dois atacantes.
Além de que, procura sempre contar com a posse de bola, trabalhar decidindo o rumo do confronto. É interessante porque é comum notar alguns times se postando com três zagueiros e visando apenas os contra-ataques, ter a posse não é algo tão pertinente, se ocorrer, beleza, mas não fazem questão de tê-la consigo.
Apesar de se prender as formações, Crespo gosta bastante de colocar alguns atletas para trabalharem em posições diferentes, terem outras funções. Não é nada muito bizarro quanto colocar um zagueiro para trabalhar de ponta-direita, o foco dele é suprir necessidades com o que está presente dentro de campo. Se for preciso adaptar, ele fará de tudo para que a movimentação dê certo.
Depois de ter conquistado o título da Copa Sul-Americana com o Defensa y Justicia, Hernán Crespo tomou o rumo do São Paulo. E assim que chegou, foi capaz de ser campeão do Paulistão em cima do Palmeiras de Abel Ferreira por 2 a 0, dando suas credencias numa exímia campanha com 11 vitórias, quatro empates e uma derrota para o Novorizontino, que ocorreu no início da competição.
No tricolor paulista já era possível ver essa variação de jogadores em funções diferentes, numa partida se via Igor Gomes trabalhando como segundo atacante, em outra o Gabriel Sara pegava essa posição para si. E os dois são meio-campistas, em outras situações, eram colocados em seus lugares de origem, mas esses cenários apareciam e davam certo ainda.
Normalmente, quando o Crespo acreditava que não consegue bater de frente com o time adversário, se rende aos quatro defensores. Essas situações ocorreram quando estava no Defensa, no Al-Ain quando tiveram o Al-Hilal como adversário na Champions da Ásia, e até no São Paulo em algumas partidas. Ele conta com inúmeras variações interessante, com cinco defensores até um 4-3-3, saindo dos três zagueiros.
Crespo em campo

Olhando para algumas das táticas de Crespo na época do São Paulo, era possível notar alguns pontos curiosos. Ao observar as saídas de bola, o treinador argentino utilizava bastante a capacidade de Thiago Volpi de utilizar os pés, algo que dá para ser possível com John, mas sem incrementar demais, porque não é das melhoras habilidades do profissional.
Se o adversário subia as linhas, os jogadores de Hernán Crespo recuavam para facilitar a saída, porém, aí que entra o goleiro com qualidade nos pés. Volpi era responsável por quebrar algumas linhas ofensivas do adversário com o passe de longa distância, encontrando um meia-esquerda que já aciona o atacante de costas com velocidade, para já receber num contra-ataque rápido.
E de uma hora pra outra, o sistema se posta dentro de campo a posse da bola. Na presença de um 3 mais dois, tendo o número específico de zagueiros que o argentino gosta de trabalhar, com o auxílio do volante e de um meia com alta capacidade de criação, que deve estar presente entre os escolhidos para começar no time titular do Botafogo, para melhorar a qualidade e elevar o nível da visão de jogo.
Diferente do tricolor paulista, dá para imaginar Marlon Freitas e Gregore auxiliando na saída de bola. O camisa 17 tem muita qualidade para acionar os seus companheiros em profundidade, e conseguiria ligar Igor Jesus, Savarino, Artur, quem quer que fosse num lançamento de longa distância, que poderia armar um contra-ataque veloz e fatal ao adversário.
Além deste apoio na saída de bola, Hernán Crespo é apegado a jogada do terceiro homem, que dá asas para uma triangulação rápida com pensamentos futuros. Essa movimentação dá muito certo com times bem treinados, que se conhecem bastante, sabendo exatamente os campos e espaços que seus companheiros estarão focados em atacar.
Ao observar o âmbito defensivo, os times do treinador argentino trabalham em marcação individual de forma forte e com pressão na saída de bola. Esse ponto é interessantíssimo, porque apresenta o gosto do Crespo de ter a posse da redonda, ao não tê-la mais, se apresentado focado e sem dar espaços com marcações por zona, para o seu adversário deixá-lo para trás.
A velocidade dos encaixes de Crespo chama bastante atenção, sem contar no fato dele deixar o lateral oposto livre de propósito. Diante desta movimentação, o time do argentino consegue contar com uma sobra defensiva no lado do atleta livre, que rapidamente, consegue fazer a cobertura se o jogo for invertido. Mais ou menos uma isca para o time com a posse da bola.
Foto: Marcelo Endelli/Getty Images