A Holanda é figurinha carimbada na história da Copa do Mundo por ser a que mais chegou em finais sem nunca ter vencido, acumulando três vice-campeonatos. É tido por muitos como a “grande seleção que nunca venceu o mundial”. Indo para a sua 12ª participação, o objetivo é ir o mais longe possível. Mas como tudo no futebol, pode ir além do que muitos acreditam.
Num grupo acessível e bem equilibrado, os holandeses/neerlandeses terão bons duelos contra Japão e Suécia e uma perigosa Tunísia na última rodada. A Holanda tem um histórico de nunca ter sido eliminada na fase de grupos, então o sinal de alerta estará ligado para os respectivos confrontos.
Após chegar a final de 2010 e ser terceira colocada em 2014, a seleção laranja ficou de fora da Copa de 2018 e retornou em 2022 fazendo um campeonato protocolar, onde no grande jogo das quartas-de-final diante da Argentina, usou da criatividade para forçar a prorrogação, mas caiu nos pênaltis para a futura campeã.
Com bons resultados no ciclo para a Copa de 2026, a seleção chega com confiança para o mundial. Algumas caras bastante conhecidas, inclusive uma delas vista de perto pelo público brasileiro, fazem dessa seleção uma das candidatas a ser surpresa na América do Norte.
Como joga a Holanda?

Após ser demitido do Barcelona em 2021, Ronald Koeman assume a seleção holandesa após a Copa de 2022. Seu esquema varia entre o 4-2-3-1 e o 4-3-3 no papel. Na prática, o desenho do time em campo se altera de acordo com as características dos jogadores e de como eles se portam na partida.
É uma seleção que joga pra frente, com seu lateral-direito Denzel Dumfries sendo o mais ofensivo da linha de defesa atuando como ala e até como ponta, como fazia atuando pela Inter de Milão. Com Micky Van de Ven ou Nathan Aké na esquerda, aparece uma configuração com um zagueiro mais preso junto a linha de defensores, mas ambos com qualidade para sair jogando e até usando da força física como trunfo para vencer os duelos.
Do meio-campo para frente, bastante técnica com De Jong, Gravenberch, Gakpo, Koopmeiners e Reijnders. E seja com um ou três atacantes, o que não falta é qualidade nas peças que Koeman tem ao seu dispor na Holanda para extrair o melhor futebol de seus comandados.
Num grupo competitivo, podemos ver uma seleção jogando e deixando jogar. Contra adversários mais fracos, a Holanda utiliza os três atacantes como preferência. Mas recentemente, tem aberto mão para ter mais meio-campistas e atuando com um atacante móvel, o famoso “falso 9”.
Principais jogadores

Capitão da seleção e do Liverpool, Virgil Van Dijk é o nome de maior peso entre os holandeses no futebol atual. Aos 34 anos, pode estar fazendo sua última Copa do Mundo, então uma passagem de bastão não seria fora de questão. O possível substituto é o seu parceiro de defesa, Micky Van de Ven, do Tottenham. Zagueiro canhoto e de 25 anos, vem de uma temporada bem turbulenta pelo clube inglês, mas demonstrou seu valor como um dos melhores da posição.
Para o ataque, o nome mais conhecido está atuando em terras brasileiras: Memphis Depay. O atacante do Corinthians é o maior artilheiro da Laranja Mecânica com 52 gols, e três deles foram marcados em mundiais. Além dele, o autor do gol mais criativo da Copa do Catar, Wout Weghorst, do Ajax, está no elenco junto com Donyell Malen (Roma/ITA).
Mais um nome que ganhou notoriedade nas últimas temporadas é o de Justin Kluivert, meia-atacante do Bournemouth. Ele se junta a outros nomes badalados como Frenkie De Jong (Barcelona/ESP), Cody Gakpo (Liverpool/ING), Tijjani Reijnders (Manchester City/ING), Ryan Gravenberch (Liverpool/ING), Denzel Dumfries (Internazionale/ITA), Teun Koopmeiners (Juventus/ITA) e Crysencio Summerville (West Ham/ING).
Para o gol, mescla de muita juventude com dois goleiros de 23 anos: Bart Verbruggen (Brighton/ING) e Robin Roefs (Sunderland/ING). Esse é outro ponto a se destacar: é uma seleção com média de idade de 27 anos, sendo apenas seis com 30 anos de idade ou mais.
Como foi o ciclo para a Copa do Mundo?
Com Koeman no comando, a Holanda fez um ciclo pós-2022 com bons resultados. Começando na Nations League de 2022/23, a Laranja Mecânica caiu para a Croácia na prorrogação e amargou o quarto lugar. Nas eliminatórias para a Euro, venceu seis das oito partidas que disputou em seu grupo, com ambas as derrotas sendo para a França.
Na Eurocopa, uma primeira fase irregular não impediu os holandeses de se classificarem. E após bater Romênia e Turquia, fez um embate épico contra a Inglaterra onde perdeu de virada com um gol nos acréscimos do segundo tempo. Isso virou o lema da Holanda, com fases de grupos abaixo do esperado e crescendo no mata-mata.
Para a Nations League de 2024/25, o roteiro parecia o mesmo da Euro. Terminando em segundo no grupo B com apenas duas vitórias em seis jogos, fez jogo duro contra outra candidata a título na Copa: a Espanha. Com dois empates, a Holanda ficou pelo caminho contra os espanhóis nos pênaltis ainda nas quartas-de-final.
Para as eliminatórias, nenhum perigo. Se classificando de forma invicta e com sobras. Sequência invicta que se estende desde 14/10/24, quando perdeu para a Alemanha na fase de grupos da Nations League. Até o momento em que este texto está sendo publicado, são 14 jogos de invencibilidade (8 vitórias, 6 empates).
Onde pode chegar?
O resultado na fase de grupos será crucial no caminho neerlandês. Caso vença o grupo, ela enfrentaria o segundo grupo C, podendo ser Marrocos ou Escócia. Numa hipotética oitavas-de-final, enfrentaria o segundo lugar do grupo A ou o segundo lugar do grupo B. Se avançar para as quartas, pode se deparar diante de uma Alemanha ou uma França.
Se ficar em segundo, ela foge desse grupo. Mas iria para o outro lado da chave e enfrentaria o primeiro lugar do grupo C, possivelmente sendo o Brasil. Em caso de resultado positivo, o caminho seria mais “tranquilo” nas fases seguintes com apenas a Noruega ameaçando em uma quartas-de-final.
Se ficar em terceiro, vai depender de qual chave pegar de acordo com a sua campanha. Com exceção dos líderes dos grupos C e F, os demais primeiros colocados enfrentarão os terceiros e com isso o caminho pode ser acessível ou, se seguir o roteiro, problemático de acordo com o peso-pesado que poderá aparecer.
A Holanda tem futebol para se classificar e seria um completo desastre se ficar na primeira fase. A depender dos cenários listados, ela pode ter obstáculos muito grandes para superar se quiser conquistar o seu primeiro mundial. Se ficar em primeiro, as probabilidades são maiores de avançar e ganhar casca. Ficando em segundo ou terceiro, vai ter que se superar.
Os jogos da Holanda na Copa do Mundo
14/6 – 17:00: Holanda x Japão (AT&T Stadium – Arlington)
20/6 – 14:00: Holanda x Suécia (NRG Stadium – Texas)
25/6 – 20:00: Tunísia x Holanda (Arrowhead Stadium – Kansas City)
