Hulk expõe distanciamento de Eduardo Dominguez com elenco e deixa futuro em aberto; ele ainda é essencial ao Galo?
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Hulk expõe distanciamento de Eduardo Dominguez com elenco e deixa futuro em aberto; ele ainda é essencial ao Galo?

Hulk vive um dos momentos mais delicados de sua passagem pelo Atlético-MG. Após o empate com o Deportivo Riestra pela Sul-Americana, o atacante desabafou na zona mista da Arena MRV, revelando pendências internas, criticando indiretamente o técnico Eduardo Domínguez e deixando claro que seu futuro no Galo está em aberto. 

Aos 39 anos (completará 40 em julho), o ídolo, que já foi sinônimo de liderança e gols, agora parece mais preocupado em expor desconfortos do que em inspirar o elenco.

O atacante afirmou que os salários estão em dia, mas existem “pendências” que não quis detalhar por respeito à instituição. Ele lembrou que já teve oportunidade de expor problemas em janeiro, quando quase foi para o Fluminense, mas preferiu silenciar. 

Agora, com a possibilidade de saída na janela de julho, Hulk sinalizou que, ao deixar o clube, poderá falar tudo o que considera necessário. Esse tom enigmático e reivindicativo não combina com a imagem de capitão e maior ídolo recente do Galo.

Críticas veladas a Domínguez e o ambiente interno

Hulk também comentou as declarações de Domínguez sobre falta de entrega do elenco. Classificou o tom do treinador como “pesado”, mas defendeu que não há problema de comprometimento físico, citando dados de GPS. Para ele, o problema está na eficiência tática: “correr melhor, acertar mais e perder menos”. Ao mesmo tempo, evitou comentar diretamente sobre Renan Lodi, dizendo preferir resolver questões internamente.

Esse tipo de declaração pública, mesmo que embalada em tom de “respeito”, revela um distanciamento claro entre o capitão e o treinador. Um ídolo da magnitude de Hulk deveria ser o principal unificador do vestiário, especialmente em um momento de instabilidade. Em vez disso, suas palavras alimentam a percepção de um elenco dividido e de um líder mais preocupado com pendências pessoais do que em puxar o time para cima.

Decadência técnica e física evidente de Hulk

O problema maior é que Hulk já não é mais o mesmo jogador que encantou a torcida atleticana. Em julho fará 40 anos e vive uma clara fase de declínio técnico e físico. Ano passado, começou a ser utilizado como reserva e já demonstrou incômodo. Nesta temporada, alterna entre titular e banco, mas o rendimento caiu drasticamente.

Em 12 jogos no Brasileirão, número importante, pois com 7 ou mais partidas um jogador fica impedido de defender outro clube na mesma competição, Hulk marcou apenas 1 gol e deu 3 assistências. Somando todas as competições, são apenas 5 gols e 3 assistências em 22 jogos. Números muito modestos para quem já foi artilheiro implacável e referência absoluta do ataque alvinegro.

Sua mobilidade diminuiu, a finalização perdeu precisão e a capacidade de decidir jogos grandes já não é a mesma. O Atlético-MG, que vive momento de reconstrução sob Domínguez, precisa de jogadores que elevem o nível coletivo, não de nomes que, apesar da história, já não conseguem sustentar o peso de ser protagonistas.

O Galo precisa olhar para frente

Hulk é, sem dúvida, um dos maiores ídolos da história recente do clube. Sua passagem deixou momentos inesquecíveis e títulos importantes. Mas ídolo não significa intocável. O momento atual exige que o Atlético-MG priorize o presente e o futuro, não o passado glorioso.

Se Hulk decidir sair em julho, o clube deve tratar a saída com respeito, mas sem drama. O Galo precisa de um centroavante mais jovem, com maior intensidade e capacidade de pressionar a defesa adversária, características que Domínguez valoriza. Manter um jogador em declínio apenas por gratidão pode atrasar o processo de reconstrução.

O desabafo de Hulk expõe mais do que pendências financeiras ou táticas. Revela um ídolo que, aos poucos, se distancia do papel de líder que o clube tanto precisa. O Atlético-MG tem de decidir se ainda pode contar com ele como peça central ou se chegou a hora de agradecer pelos serviços prestados e abrir espaço para uma nova geração.

O Galo vive um momento de transição. Manter o foco no coletivo e na evolução tática deve ser prioridade. Hulk ainda pode contribuir em alguns jogos, mas já não é mais o protagonista capaz de carregar o time nas costas. O futuro do Atlético-MG não pode depender de um ídolo em decadência.

Foto: Globo.