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Igor Jesus dá show na Libertadores e faz Ancelotti se arrepender de tê-lo esquecido na Seleção

O atacante Igor Jesus resolveu responder da melhor forma possível à sua ausência na primeira lista de Carlo Ancelotti para a Seleção Brasileira: jogando bola. E jogando muito. Um dos principais nomes da posição no país, ele simplesmente colocou o jogo entre Botafogo e Universidad de Chile no bolso. Num momento em que o Glorioso precisava desesperadamente da vitória, lá estava ele, colocando o atual campeão da Libertadores de volta na briga por uma vaga na fase mata-mata.

Ancelotti, que está no Rio de Janeiro após divulgar sua primeira convocação e ser apresentado oficialmente no novo cargo, caiu direto em um baita confronto do Botafogo. Mesmo com um jogador a menos desde o primeiro tempo, o time cresceu no jogo, e muito por conta do desempenho absurdo de Igor Jesus, que tratou de deixar tudo mais tranquilo para os torcedores e para o time alvinegro.

Com o Botafogo precisando vencer para seguir com chances na Libertadores, o camisa 99 foi no limite. Usou cada recurso do repertório para ajudar o time. E quando Savarino achou Igor na área, o centroavante mostrou seu poder aéreo, venceu no alto e abriu o placar.

Mas o jogo de Igor Jesus vai muito além do gol marcado. Grande parte do que ele entrega em campo não aparece nas estatísticas, mas é o tipo de coisa que fica marcada na memória de quem estava no estádio, ou mesmo de quem tirou um tempo para ver o que ele fez contra os chilenos.

Igor Jesus x Universidad de Chile

Desde a temporada passada, Igor Jesus vem se firmando como um dos melhores atacantes do Brasileirão, e tem mantido esse nível. Contra a Universidad, com o Botafogo com 10 em campo, o camisa 99 foi mais que um jogador: pareceu trabalhar por três ou quatro. E não é exagero.

Não se trata de menosprezar os companheiros de equipe, longe disso. É só uma forma de exaltar o que ele fez no Nilton Santos. Com a missão de ganhar mesmo desfalcado, era comum ver Igor recebendo ligações imaginárias de zagueiros e goleiros, pedindo: “Segura essa bola aí no ataque, pelo amor de Deus!”. E ele segurava.

Quem conhece sabe: o pivô de Igor Jesus é refinado. Encarando dois, às vezes três marcadores, ele parecia dizer “Pode vir, que eu tô aqui!”. E eles vinham… e falhavam. Tentavam tirar a bola dele com tudo, e saíam no prejuízo.

É claro que os holofotes costumam ficar em quem finaliza, dá passe decisivo, recebe a bola com liberdade. Mas o impacto de Igor ia muito além disso. Ele movimentava os zagueiros, abria espaço, fazia “paredes” dignas de pick and roll da NBA, e às vezes nem tocava na bola, só chamava a marcação e liberava o jogo para outro.

Estava ligado o tempo todo. Sabia da importância da partida para o Botafogo seguir vivo. E mesmo quando perdia alguma dividida, lutava para recuperar. Bola difícil? Ele brigava. Passe torto? Tentava consertar.

Além do pivô e do jogo aéreo, tem algo que não dá para ignorar: a velocidade. Igor Jesus tem um arranque que é quase sacanagem. Para um centroavante do porte físico dele, parecer um ponta é quase injusto. Ele larga dos defensores com facilidade, e com o corpo que tem, é difícil tirarem a bola.

Em várias jogadas, segurava o jogo, esperava o time subir, recuava até a intermediária para participar da criação. É o tipo de atacante que todo técnico sonha em ter.

No fim das contas, talvez não estejam falando o suficiente sobre Igor Jesus. O que tem rolado de reconhecimento ainda é pouco, considerando o nível que ele tem mostrado. É só questão de tempo para cruzar o oceano e parar na Europa, e sinceramente? Vai ser difícil Carlo Ancelotti continuar ignorando o que ele anda fazendo com a camisa do Botafogo.

(Foto: Divulgação/Botafogo)