Igor Jesus precisou de menos de três meses para sair do anonimato e se tornar titular da seleção brasileira. O atacante, que estreou no Botafogo em 17 de julho, já vestia a amarelinha como titular no dia 10 de outubro. Mas como o clube alvinegro identificou um jogador que, até então, tinha apenas 10 jogos na Série A e estava longe dos holofotes do futebol mundial?
Essa descoberta passa por Alessandro Brito, diretor de gestão esportiva do Botafogo. Foi ele quem conheceu Igor Jesus em 2014, quando ainda trabalhava como olheiro do Athletico-PR e se deparou com o garoto de 14 anos nas categorias de base do Coritiba, impressionado com sua força física e habilidade precoce.
Igor Jesus começou a ganhar destaque no futebol ainda no Mato Grosso, antes de se transferir para o Coxa. Jogou tanto na Série B quanto na Série A pelo clube paranaense e, aos 19 anos, se transferiu para o Shabab Al-Ahli, nos Emirados Árabes. Mesmo do outro lado do mundo, o atacante permaneceu no radar de Alessandro Brito, que tentou levá-lo para o Atlético-MG em 2021, sem sucesso.
A passagem pelo Oriente Médio foi marcada por uma lesão grave que o afastou dos gramados por um ano, mas, antes disso, Igor vivia uma fase inspirada, marcando 14 gols em 15 partidas. Ele chegou a despertar o interesse de clubes como Galatasaray e Olympique de Marselha, mas optou por permanecer nos Emirados.
O momento certo para o Botafogo agir por Igor Jesus
Quando Brito assumiu o departamento de scout do Botafogo em 2022, o nome de Igor Jesus voltou à pauta. Mesmo lesionado na época, o atacante era visto como uma aposta promissora para o futuro. Após a recuperação do jogador no segundo semestre daquele ano, o clube intensificou as análises, e um olheiro da Eagle Football foi enviado para acompanhar seus jogos in loco. O parecer foi positivo: era hora de tentar fechar negócio.
A primeira tentativa, no início de 2023, não avançou. O Shabab Al-Ahli, em boa situação financeira, não quis liberar o atleta e exigiu valores fora da realidade para o mercado brasileiro. Com paciência, o Botafogo aguardou o momento certo e assinou um pré-contrato com Igor para que ele se apresentasse na janela de transferências do meio do ano, após o fim de seu vínculo com o clube árabe.
Quando Igor Jesus desembarcou no Rio, o Botafogo recebeu uma proposta tentadora: outro clube dos Emirados ofereceu 10 milhões de euros (cerca de R$ 61 milhões) para levá-lo de volta. Além da oferta financeira, havia a possibilidade de naturalização para que ele jogasse pela seleção dos Emirados, já que estava a um ano de cumprir os requisitos legais.
Mas Igor tinha outros planos. Ele recusou a proposta de naturalização e decidiu se firmar no Botafogo, motivado pelo sonho de defender a seleção brasileira. Alessandro Brito, com o aval da diretoria, apoiou a decisão de não aceitar a oferta milionária. Hoje, o clube só cogita liberar o jogador por um valor consideravelmente maior.
