A Conmebol se posiciona institucionalmente contra a violência e o racismo em seus estádios através de uma série de ações promocionais nos jogos da Libertadores e da Sul-Americana, mas a violência em Independiente x La U parece mostrar que as ações não estão sendo efetivas. Desde que tivemos o retorno da presença do público no pós-pandemia, diversos casos de racismo e violência envolvendo confrontos entre policiais e torcedores estão sendo registrados pelas câmeras em praticamente todos os países participantes e com uma alta frequência preocupante, mas jamais tivemos ações realmente duras contra equipes envolvidas em confusões fora e principalmente dentro dos estádios, com as ações mais significativas envolvendo disputa de jogos com portões fechados.
El hincha de la U que tiraron los barra de independiente esta vivo 🙏🏻🙏🏻#VamosLaU pic.twitter.com/KmeHnMKnYc
— Icy🥶🇨🇱 (@ReformedVasco) August 21, 2025
No entanto, as cenas de extrema violência ocorridas em Independiente x Universidad de Chile ultrapassaram qualquer limite da falta de civilidade. Relatos de diversas testemunhas e jornalistas presentes no Estádio Libertadores da América mostraram cenas de pânico e terror, sendo tudo iniciado quando torcedores da “Barra Brava” (organizadas) chilenos atiraram uma bomba em direção às arquibancadas dos torcedores argentinos. A partir deste momento, a Conmebol não conseguiu mais controlar a situação e a violência desmedida por iniciada, com três feridos em estado grave, 10 feridos ao todo, mais de 90 presos e a possibilidade de mortos dentre as vítimas. As imagens que já correm o mundo impressionam pela tamanha violência, com vasos sanitários arrancados, sangue espalhado pelo estádio, adolescentes e crianças lutando com pedaços de madeira contra seus “inimigos” e um torcedor da La U que resolveu saltar da arquibancada para fora do estádio após ter sido encurralado por torcedores do Independiente.
Independiente x La U foi o caso mais violento em décadas
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2025/x/8/bHqpllSY2OR7Pfu0V4OQ/6d00717df456a7a20760cd36897b12b037b9bd10m.jpg)
A Conmebol soltou um comunicado oficial afirmando que o jogo não será retomado (paralisado aos 4′ do segundo tempo, com empate por 1×1) e que decidirá posteriormente quem avançará na disputa da Copa Sul-Americana, mas este assunto se tornou completamente secundário diante das imagens de extrema violência registradas. Até mesmo para os padrões sul-americanos, tivemos uma situação de gravíssima ocorrência na Argentina e que infelizmente enviou um recado ao restante do mundo de que a América do Sul não deveria mais receber jogos internacionais com a presença de torcedores visitantes em todos os países. Mesmo que não seja a maior parte das pessoas que agem de forma descabida, infelizmente temos que reconhecer a alta frequência de casos violentos dentro e fora dos estádios.
Por acá entró la barra de #Independiente para ir a cazar a los de Universidad de Chile. pic.twitter.com/T57WPGeCEn
— Lucas Gonzalez Diez (@Lugonzalezdiezz) August 21, 2025
Diante deste cenário, a Conmebol precisa aproveitar este caso extremo para fazer uma grande intervenção em relação à violência ocorrida em seus jogos, deixando claro que comportamentos como esse podem levar à multas severas e exclusão dos times (Independiente e Universidad neste caso) em campeonatos por uma ou mais temporadas, fazer deixar claro que violência não tem lugar na Libertadores e na Sul-Americana. Por fim, a Polícia Argentina falhou gravemente em oferecer proteção para todos os presentes, e falhou ainda mais quando solicitou que torcedores de organizadas do Independiente partissem para cima dos chilenos com o intuito de “reforçar o efetivo”, derramando ainda mais sangue dentro do estádio.
Imagem: EFE