inglatera x frança
Futebol Copa do Mundo

Inglaterra encerra a Copa com goleada histórica sobre a França e ganha confiança para o futuro

A disputa pelo terceiro lugar costuma ser tratada como uma partida de consolação, mas Inglaterra e França transformaram o duelo da Copa do Mundo de 2026 em um dos jogos mais emocionantes do torneio. Em um confronto com dez gols, mudanças de roteiro e grandes atuações individuais, os ingleses venceram por 6 a 4 e garantiram a medalha de bronze, alcançando sua melhor campanha em um Mundial desde o título conquistado em 1966.

Muito mais do que o resultado, o jogo mostrou duas equipes em momentos completamente diferentes dentro dos 90 minutos. A Inglaterra dominou amplamente o primeiro tempo e construiu uma vantagem que parecia definitiva. A França, por outro lado, reagiu de forma impressionante após o intervalo e esteve perto de transformar uma goleada sofrida em uma remontada histórica.

Mesmo sem valer uma vaga na final, a partida ofereceu importantes respostas para as duas seleções. Os ingleses encontraram motivos para acreditar em um ciclo promissor até a Eurocopa de 2028, enquanto os franceses encerraram a era Didier Deschamps com uma atuação marcada por extremos entre um primeiro tempo irreconhecível e uma segunda etapa de alto nível.

Inglaterra atropela no primeiro tempo e mostra força do elenco

Inglaterra venceu a França por 6 a 4 na disputa pelo terceiro lugar da Copa Arsenal
Foto: FIFA

Depois da frustrante eliminação para a Argentina na semifinal, a Inglaterra entrou em campo determinada a deixar uma impressão positiva. Desde os primeiros minutos, a equipe mostrou intensidade na marcação, agressividade para recuperar a posse de bola e eficiência nas finalizações.

O placar começou a ser construído logo aos três minutos, quando Declan Rice aproveitou um erro da saída de bola francesa para abrir o marcador. Pouco tempo depois, o volante ainda participou diretamente do segundo gol ao cobrar o escanteio que encontrou Ezri Konsa livre para ampliar de cabeça.

A vantagem cresceu rapidamente graças à grande atuação de Bukayo Saka. O atacante, que sequer havia saído do banco na semifinal contra a Argentina, aproveitou a oportunidade para responder dentro de campo e marcou dois gols ainda antes do intervalo.

Enquanto o setor ofensivo transformava praticamente todas as oportunidades em gols, Dean Henderson também aproveitava sua chance entre os titulares. Substituindo Jordan Pickford, o goleiro realizou importantes intervenções para impedir qualquer reação francesa ainda no primeiro tempo.

A superioridade inglesa ficou evidente também no comportamento coletivo. A equipe pressionava a saída de bola, ocupava rapidamente os espaços ofensivos e dificultava qualquer tentativa de construção da França. A diferença de intensidade entre as seleções foi um dos fatores determinantes para a vantagem de quatro gols construída antes do intervalo.

O desempenho mostrou que a Inglaterra possui alternativas importantes além dos jogadores considerados titulares absolutos. Saka foi decisivo, Henderson transmitiu segurança e, já na reta final do jogo, Jude Bellingham entrou para controlar o ritmo da partida e ainda marcou o último gol inglês, encerrando sua excelente Copa do Mundo com sete gols.

Mudanças de Deschamps transformam a França e Mbappé volta a decidir

deschamps
(Photo by Hector Vivas – FIFA/FIFA via Getty Images)

Se o primeiro tempo foi amplamente favorável à Inglaterra, o segundo apresentou uma França completamente diferente.

Insatisfeito com o desempenho da equipe, Didier Deschamps promoveu quatro alterações logo no intervalo. As entradas de Ousmane Dembélé, Lucas Digne e Dayot Upamecano mudaram a dinâmica da equipe e deram mais equilíbrio ao setor ofensivo.

A principal consequência dessas mudanças foi a participação muito maior de Kylian Mbappé e Michael Olise.

Na etapa inicial, ambos praticamente desapareceram do jogo. Após as alterações, passaram a receber a bola em melhores condições e assumiram o protagonismo da reação francesa.

A partida ficou extremamente aberta, favorecendo uma seleção que possui um dos ataques mais talentosos do futebol mundial. A França passou a criar oportunidades em sequência e fez a defesa inglesa trabalhar muito mais do que nos primeiros 45 minutos.

Mesmo assim, a reação encontrou obstáculos importantes.

Quando o empate parecia próximo, Malo Gusto cometeu pênalti sobre Djed Spence. Bukayo Saka converteu a cobrança e completou seu hat-trick, tornando-se apenas o quarto jogador da história da Inglaterra a marcar três gols em uma partida de Copa do Mundo.

Pouco tempo depois, Jude Bellingham aproveitou os espaços deixados pela defesa francesa para marcar o sexto gol inglês e praticamente encerrar qualquer esperança de empate.

Apesar da derrota, alguns números individuais chamaram atenção.

Mbappé encerrou a Copa com dez gols e quatro assistências, assumindo a liderança da artilharia do torneio. Além disso, chegou aos 21 gols em Copas do Mundo, estabelecendo um novo recorde histórico da competição.

Michael Olise também deixou sua marca. Com duas assistências diante da Inglaterra, terminou o Mundial com sete passes para gol, tornando-se o jogador com maior número de assistências em uma única edição da Copa do Mundo.

O resultado deixa lições importantes para as duas seleções

Inglaterra - Thomas Tuchel
Foto: Dylan Martinez/Reuters

Embora o jogo valesse apenas a terceira colocação, ele pode representar muito mais do que uma simples medalha de bronze para a Inglaterra.

Após a eliminação diante da Argentina, existia o risco de a equipe encerrar a competição pressionada pelas críticas. A goleada sobre a França ameniza esse cenário e reforça que o elenco continua competitivo para os próximos grandes torneios.

Outro aspecto importante foi a demonstração de profundidade do grupo. Mesmo sem Harry Kane, principal referência ofensiva da seleção nos últimos anos, a Inglaterra conseguiu produzir seis gols utilizando diferentes protagonistas.

Bukayo Saka mostrou que pode assumir ainda mais responsabilidades ofensivas, Bellingham confirmou seu crescimento como um dos principais jogadores da nova geração inglesa e Henderson aproveitou a oportunidade para fortalecer sua disputa pela titularidade no gol.

Do lado francês, o resultado encerra oficialmente um ciclo histórico.

Didier Deschamps deixa o comando da seleção após mais de uma década transformando a França em uma das maiores potências do futebol mundial. Desde que assumiu o cargo em 2012, conquistou a Copa do Mundo de 2018 e manteve a equipe constantemente entre as favoritas nas principais competições internacionais.

A atuação diante da Inglaterra resumiu bem o momento atual da equipe. O primeiro tempo evidenciou problemas defensivos, pouca intensidade sem a bola e dificuldades coletivas. Já a segunda etapa mostrou que a qualidade individual do elenco continua sendo capaz de recolocar a França em qualquer partida.

Para a Inglaterra, a vitória também serve como ponto de partida para um novo objetivo. A Eurocopa de 2028 será disputada em casa, ao lado de Escócia, País de Gales e Irlanda, aumentando naturalmente a expectativa por um título que os ingleses jamais conquistaram.

Depois de terminar a Copa do Mundo com uma atuação ofensiva convincente, derrotando uma das seleções mais fortes do planeta, os ingleses encerram o torneio com mais confiança do que frustração. Se conseguirem manter a evolução apresentada por nomes como Saka, Bellingham e Rice, a equipe chegará ao próximo ciclo internacional como uma das principais candidatas a voltar a disputar títulos importantes.

(Foto de capa: Chandan Khanna / AFP)

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Kaique