Erling Haaland será, mais uma vez, o grande centro das atenções quando Inglaterra e Noruega se enfrentarem pelas quartas de final da Copa do Mundo de 2026. O atacante vive um torneio espetacular, já marcou sete gols e lidera uma seleção norueguesa que se tornou uma das grandes surpresas da competição. Para Thomas Tuchel, porém, a missão vai muito além de simplesmente marcar o camisa 9: será preciso neutralizar todo o sistema ofensivo criado para potencializar o astro do Manchester City.
A Inglaterra chega embalada pela boa campanha e pelo crescimento coletivo sob o comando do treinador alemão, mas sabe que um pequeno vacilo pode ser suficiente para Haaland decidir a partida. Afinal, poucos atacantes do futebol mundial transformam meia oportunidade em gol com tanta facilidade quanto o norueguês.
Por isso, Tuchel prepara uma estratégia que envolve desde a pressão no meio-campo até o posicionamento dos zagueiros, passando pelo controle das principais conexões ofensivas da Noruega. O objetivo é claro: fazer Haaland participar o mínimo possível do jogo.
Haaland vive uma Copa de outro nível
Os números ajudam a entender por que a Inglaterra trata Haaland como prioridade absoluta.
Dos 12 gols marcados pela Noruega nesta Copa do Mundo, sete saíram dos pés ou da cabeça do atacante. Isso representa quase 60% de toda a produção ofensiva da equipe. Em sua carreira pela seleção, o desempenho também impressiona: Haaland balança as redes, em média, a cada 71 minutos, um índice digno dos maiores centroavantes da história recente.
A atuação diante do Brasil, nas oitavas de final, reforçou essa condição. O camisa 9 venceu praticamente todos os duelos físicos contra a defesa brasileira, incluindo confrontos diretos com Gabriel Magalhães, e mostrou novamente que não depende de muitas oportunidades para decidir uma partida.
Se a bola chega em boas condições, a chance de gol é enorme. Por isso, a preocupação da Inglaterra não será apenas impedir que Haaland finalize, mas também cortar a origem dessas jogadas.
Martin Ødegaard é a engrenagem que faz tudo funcionar
Se Haaland representa o ponto final das jogadas, Martin Ødegaard é quem normalmente escreve o roteiro.
O meia do Arsenal continua sendo o cérebro da seleção norueguesa e lidera o número de passes para Haaland durante esta Copa do Mundo. Já são 12 conexões diretas entre os dois, além de três assistências no torneio.
Apesar de os números criativos não serem tão elevados quanto em outras temporadas, a influência de Ødegaard vai muito além das assistências. Contra o Brasil, por exemplo, foi ele quem controlou completamente o ritmo da partida.
A Noruega terminou aquele confronto com muito mais posse de bola do que se imaginava antes da bola rolar, algo que surpreendeu até Carlo Ancelotti. Vinícius Júnior admitiu após a eliminação que a seleção brasileira simplesmente não conseguiu pressionar a saída de bola adversária da forma planejada.
Thomas Tuchel certamente estudou esse jogo. A tendência é que Declan Rice, Elliot Anderson e até Jude Bellingham alternem momentos de pressão sobre odegaard, impedindo que o meia tenha liberdade para encontrar Haaland entre os zagueiros da Inglaterra.
Marcação individual talvez não seja suficiente
Marcar Haaland nunca é uma tarefa simples, e se Gabriel Magalhães junto de Marquinhos tiveram dor de cabeça, a Inglaterra precisará dobrar a atenção.
O atacante do Manchester City reúne força física, velocidade e uma inteligência impressionante para atacar espaços. Além disso, desenvolveu uma característica curiosa nos últimos anos: muitas vezes passa boa parte do jogo caminhando, dando a impressão de estar fora da partida.
É justamente nesse momento que mora o perigo.
Quando a defesa relaxa por alguns segundos, Haaland acelera, ganha profundidade e aparece em condições de finalizar. Não por acaso, Gary Neville costuma definir o norueguês como um jogador capaz de ficar “invisível” durante vários minutos antes de decidir tudo em apenas um lance.
Outra preocupação envolve sua capacidade de se desvencilhar dos marcadores. Na última temporada da Premier League, nenhum atacante conseguiu escapar da marcação dentro da área com tanta frequência quanto ele.
Por isso, Tuchel sabe que apenas colocar um zagueiro colado em Haaland provavelmente não resolverá o problema.
Konsa e Guehi terão missão das mais complicadas
A dupla de zaga da Inglaterra, que é formada por Ezri Konsa e Marc Guéhi deve ser mantida pelo treinador inglês. Os retrospectos individuais contra Haaland apresentam cenários diferentes.
Konsa enfrentou o atacante duas vezes nas últimas temporadas e conseguiu limitar bastante sua produção, permitindo apenas quatro finalizações, nenhuma delas convertida em gol.
Já Guéhi também encarou o norueguês em duas oportunidades quando defendia o Crystal Palace, mas viu Haaland marcar duas vezes.
Apesar disso, existe um trunfo importante por parte da Inglaterra. Guéhi, John Stones e Nico O’Reilly conhecem muito bem o camisa 9 por dividirem o ambiente da Premier League. Essa convivência pode ajudar na leitura dos movimentos do atacante durante a partida.
Mesmo assim, a expectativa é de um confronto extremamente desgastante durante os 90 minutos.
A Noruega tem outras armas perigosas
Se a Inglaterra pensa que basta controlar Haaland pode acabar tendo uma surpresa desagradável. A seleção comandada por Ståle Solbakken possui outras peças capazes de desequilibrar.
Uma das principais dúvidas do treinador está justamente na ponta esquerda.
Antonio Nusa iniciou quatro das cinco partidas da Noruega nesta Copa do Mundo e chama atenção pela velocidade e capacidade no drible. Foi dele, por exemplo, um dos gols mais bonitos da campanha diante da Costa do Marfim.
Por outro lado, Andreas Schjelderup entrou muito bem contra o Brasil e mudou completamente o jogo. O atacante do Benfica distribuiu duas assistências para Haaland naquela partida e já soma três passes para gol no torneio, mesmo tendo disputado menos minutos que diversos titulares.
Independentemente de quem começar jogando, a Inglaterra precisará de atenção especial pelo lado direito da defesa, setor que ainda apresenta algumas incertezas devido aos problemas físicos enfrentados pelo elenco inglês.
Sorloth oferece um desafio diferente para Inglaterra
Outro nome que pode ganhar importância é Alexander Sorloth. Embora seja centroavante de origem, o atacante costuma atuar aberto pela direita na seleção justamente para dividir espaço com Haaland.
Sua função é diferente da exercida nos clubes. Além da capacidade de finalizar, Sørloth utiliza muito bem o porte físico para prender zagueiros, disputar bolas aéreas e abrir espaços para as infiltrações do camisa 9.
Contra o Brasil, acabou substituído ainda no intervalo, quando Solbakken optou por uma equipe mais técnica. No entanto, diante da força física da Inglaterra, existe a possibilidade de o treinador voltar a apostar em sua presença desde o início.
Muito além de Haaland
Embora toda a atenção naturalmente esteja voltada para Erling Haaland, Thomas Tuchel sabe que o segredo para vencer a Noruega passa pelo controle coletivo da partida. Neutralizar Odegaard, impedir as arrancadas, junto das jogadas individuais de Nusa ou Schjelderup e reduzir os espaços para Sorloth podem ser medidas tão importantes quanto limitar o principal artilheiro do torneio.
A Inglaterra chega embalada e com um elenco capaz de competir em alto nível, mas terá pela frente uma seleção extremamente organizada e confiante após eliminar o Brasil. Se conseguir interromper as principais conexões ofensivas da Noruega e impedir que Haaland receba a bola em condições favoráveis, a equipe inglesa dará um passo enorme rumo à semifinal. Caso contrário, bastará um único descuido para que o centroavante mostre, mais uma vez, por que é um dos atacantes mais temidos do futebol mundial.
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