A Inglaterra encerrou a fase de grupos da Copa do Mundo de 2026 cumprindo o principal objetivo: avançar em primeiro lugar. Com vitórias sobre Croácia e Panamá e empate sem gols contra Gana, os ingleses terminaram líderes do Grupo L e chegam ao mata-mata sem grandes sustos.
Mas nem tudo convenceu.
Apesar da campanha sólida em números, o desempenho deixou sinais positivos e também pontos que podem preocupar para a sequência do torneio. A Inglaterra comandada por Thomas Tuchel terá pela frente a República Democrática do Congo na fase eliminatória e sabe que precisará elevar o nível se quiser voltar a conquistar uma Copa do Mundo.
Segundo projeções recentes do supercomputador da Opta, a Inglaterra aparece entre as seleções com chances reais de título.
A fase de grupos deixou algumas lições importantes para a Inglatera.
Bellingham respondeu às dúvidas e virou peça central
Antes da Copa, um dos debates mais presentes entre torcedores e analistas era sobre quem deveria ocupar espaço no meio-campo inglês.
Jude Bellingham respondeu dentro de campo.
O meia voltou a aparecer em momentos decisivos e foi um dos jogadores mais influentes da equipe na primeira fase. Contra a Croácia, marcou um gol importante logo no início do segundo tempo após arrancada individual. Diante do Panamá, abriu o placar aproveitando cobrança de escanteio de Bukayo Saka e depois participou diretamente do segundo gol.
Mas sua influência foi além dos números ofensivos.
Bellingham terminou a fase de grupos entre os líderes ingleses em grandes chances criadas, desarmes e conduções de bola concluídas. A atuação reforçou seu peso técnico e afastou questionamentos sobre sua vaga entre os titulares.

Bola parada funciona, mas ataque ainda precisa produzir mais
Um dos pontos fortes da Inglaterra até aqui foi o aproveitamento em bolas paradas.
Saka e Declan Rice tiveram papel importante nesse aspecto, principalmente em escanteios e jogadas ensaiadas. A Inglaterra conseguiu transformar esse recurso em uma arma consistente durante os três jogos.
No entanto, existe um alerta.
Em vários momentos, a Inglaterra mostrou dificuldade para criar situações claras com a bola rolando. Contra a Croácia, precisou de um pênalti e uma jogada de escanteio para assumir o controle. Contra Gana, não encontrou soluções ofensivas. Já diante do Panamá, novamente precisou de uma bola parada para destravar o confronto.
No mata-mata, depender excessivamente desse tipo de lance pode se tornar um problema.

Elliot Anderson oferece novas possibilidades para Tuchel
Outro ponto positivo da campanha inglesa foi o desempenho de Elliot Anderson.
O meio-campista ganhou espaço e mostrou capacidade para sustentar o setor central praticamente sozinho em alguns momentos dos jogos.
Contra o Panamá, participou constantemente da construção ofensiva e terminou como o jogador inglês com mais toques na bola.
Ao longo da fase de grupos, Anderson liderou a equipe em passes que quebraram linhas, disputas vencidas e recuperações de posse.
O desempenho abre possibilidades para Tuchel ajustar o sistema durante as partidas e utilizar jogadores mais ofensivos sem perder totalmente o equilíbrio.

Kane segue decisivo, mas falta confiança nas alternativas
Harry Kane continua sendo o centro do projeto ofensivo da Inglaterra.
Com três gols em três partidas, o atacante alcançou uma marca histórica e se tornou o maior artilheiro inglês em Copas do Mundo.
O problema é que Tuchel praticamente não rodou o setor.
Ollie Watkins recebeu poucos minutos até aqui, enquanto Ivan Toney sequer entrou em campo. A sensação é que o treinador deposita confiança quase exclusiva em Kane.
Em uma competição longa e desgastante, essa dependência pode cobrar seu preço.
Ainda mais considerando o alto volume de minutos acumulados pelo atacante ao longo da temporada.

Laterais preocupam e podem virar problema no mata-mata
Se existe um setor que gera preocupação clara na Inglaterra, é a defesa pelos lados.
Lesões reduziram significativamente as opções disponíveis e deixaram o elenco sem profundidade natural para as laterais.
A ausência de jogadores especializados obrigou Tuchel a improvisar soluções e alterar funções dentro do sistema defensivo.
Pelo lado direito, poucas opções oferecem características realmente naturais para a posição. No lado esquerdo, o cenário também não inspira segurança.
O problema ganha peso justamente porque o mata-mata tende a expor mais esse tipo de fragilidade.

Defesa ainda passa sensação de vulnerabilidade
Embora tenha sofrido apenas dois gols na fase de grupos, a defesa inglesa não transmitiu total confiança.
Os adversários encontraram espaços em diferentes momentos e conseguiram criar oportunidades importantes.
Contra o Panamá, houve inclusive um gol anulado que esteve perto de mudar completamente a narrativa da partida.
Já diante de Gana, existiram lances contestados que poderiam ter complicado a situação inglesa.
A Inglaterra chega ao mata-mata classificada e competitiva, mas com pontos claros para corrigir.
Se avançar de fase, o caminho tende a ficar muito mais duro — e enfrentar seleções de alto nível ofensivo exigirá uma defesa mais segura e um ataque menos dependente de bolas paradas.
A fase de grupos foi suficiente para classificar.
Agora começa o teste que realmente mede candidatos ao título.
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