Xabi Alonso, Real Madrid Chelsea
Futebol La Liga

O início promissor do Real Madrid de Xabi Alonso

Três vitórias em três jogos. Esse é o saldo inicial do Real Madrid sob o comando de Xabi Alonso na Liga 2025/26. O novo técnico cumpre, assim, o duplo objetivo que traçou antes da primeira pausa internacional: continuar moldando a equipe segundo seu ideário tático e, ao mesmo tempo, obter os melhores resultados possíveis nesse processo de transição.

“Queremos acabar este primeiro bloco de três partidas, quase de última fase de preparação, crescendo. Contra o Oviedo demos um passo à frente e contra o Mallorca queremos dar outro, competindo, ganhando e fazendo um bom jogo em casa”, disse Xabi antes do duelo com o Mallorca. E a vitória sobre os bermellones, embora apertada, garantiu o pleno: nove pontos, seis gols marcados, apenas um sofrido e liderança compartilhada com o Athletic de Valverde e Nico Williams, aproveitando o tropeço do Barça em Vallecas.

Na prática, o Madrid de Xabi Alonso teve de “fazer o caminho andando”. Com apenas um amistoso — um 4 a 0 sobre o Innsbruck — e uma preparação de apenas 15 dias (de 4 a 19 de agosto), a equipe precisou internalizar em tempo recorde os conceitos que já vinham sendo ensaiados no Mundial de Clubes, competição que também foi montada às pressas pelo novo treinador e sua comissão técnica.

Bases lançadas no Mundial de Clubes

Desde a apresentação como técnico, o tolosarra deixou claro que sua aventura no banco do Real Madrid começaria, de fato, com a Liga 25/26. O Mundial de Clubes, para ele, foi uma oportunidade de adiantar processos, testar ideias e, quem sabe, buscar um título inédito na história do clube. O objetivo do clube era conquistar o primeiro Mundial de Clubes da história, mas a derrota para o PSG na semifinal — pesada no placar e pobre em competitividade — deixou uma lição dolorosa.

Apesar disso, as quase quatro semanas de concentração na Flórida serviram para colocar as bases do Madrid que Xabi está construindo. A equipe assimilou conceitos de jogo posicional, pressão alta e novas dinâmicas de meio-campo que hoje se vêem em Valdebebas.

Xabi Alonso sabe que o Real Madrid é um gigante acostumado a resultados imediatos, mas insiste na ideia de que o time ainda está em fase de crescimento. “Estamos construindo um projeto”, repetiu em várias entrevistas. E os primeiros jogos da Liga confirmam que o trabalho tem respaldo no campo.

Pressão alta: a marca registrada

A pressão alta é, sem dúvida, uma das grandes marcas desse novo Madrid. Não por acaso, os três gols contra o Oviedo no Tartiere nasceram de recuperações rápidas de bola. O primeiro foi de Tchouaméni, talvez o jogador mais beneficiado pelo novo estilo. O segundo, de Vinicius. E o terceiro, fruto de um esforço coletivo envolvendo Trent e Gonzalo.

O nível de intensidade aplicado pelo time é visivelmente maior do que o da temporada passada. Jogadores que antes ficavam mais resguardados agora participam ativamente da pressão, encurtando o campo e sufocando o adversário. Isso tem permitido ao Real Madrid não apenas recuperar a bola mais perto da área rival, mas também acelerar o ataque com mais perigo.

Tchouaméni, em especial, virou uma peça-chave no sistema de Alonso. Atuando como um híbrido entre volante e terceiro zagueiro, ele dá sustentação ao meio-campo e cobertura para os laterais subirem. Essa função tem permitido a Xabi flexibilizar o desenho tático e variar dentro dos jogos.

Versatilidade tática e decisões ousadas

Embora o ponto de partida seja o 4-3-3 tradicional do Real Madrid, Xabi já testou a defesa com três zagueiros e dois alas em diferentes momentos, principalmente quando precisa controlar o ritmo do jogo. Essa versatilidade tem sido elogiada pela imprensa espanhola, que vê no ex-meia um treinador moderno e adaptável.

O novo técnico também não tem medo de tomar decisões impopulares. No jogo contra o Oviedo, por exemplo, Vinicius começou no banco — algo impensável há um ano. No lugar, entrou Mastantuono, reforço recém-chegado ao Bernabéu em 18 de agosto, que rapidamente ganhou espaço no time.

Esses movimentos indicam que Xabi está mais preocupado em encontrar as melhores soluções coletivas do que em manter hierarquias pré-estabelecidas. Um sinal claro de que o Real Madrid entrou em uma nova era, onde meritocracia e conceito tático caminham juntos.

Um Real Madrid em construção, mas competitivo

Com apenas três jogos oficiais, é cedo para cravar até onde pode ir esse Real Madrid de Xabi Alonso. No entanto, o início perfeito na Liga 25/26 mostra que o projeto está no caminho certo. Nove pontos em nove possíveis, seis gols marcados, apenas um sofrido e um futebol mais intenso já animam a torcida.

O treinador tem repetido que o time ainda está “em pré-temporada” e que há muito a evoluir. Mas, ao mesmo tempo, o Real Madrid já colhe frutos de um trabalho iniciado às pressas no Mundial de Clubes e agora amadurecido em Valdebebas.

Se conseguir manter essa linha de evolução, mesclando intensidade, versatilidade tática e coragem para tomar decisões, Xabi Alonso poderá não apenas consolidar seu ideário no Santiago Bernabéu, mas também colocar o Real Madrid novamente no centro das grandes disputas da temporada — e, quem sabe, disputar títulos já neste primeiro ano completo no comando.