O Internacional encontrou na insistência o caminho para conquistar uma vitória fundamental na luta contra o rebaixamento. Em uma atuação tecnicamente pobre, talvez a pior desde a chegada de Eduardo Baptista, o Colorado superou o Coritiba por 1 a 0 no Beira-Rio, com um pênalti convertido por Alerrandro nos acréscimos. O resultado não apaga as dificuldades de uma equipe que voltou a apresentar problemas na criação e na organização ofensiva, mas oferece um alívio importante na reta final do Brasileirão e reforça uma característica que pode ser decisiva para a permanência: a disposição de continuar lutando mesmo quando o futebol não aparece.
A partida deixou claro que o Inter ainda está longe de encontrar uma solução para suas limitações. Sem Alan Patrick, o time perdeu sua principal referência criativa e teve dificuldades para construir jogadas diante de um Coritiba organizado, que conseguiu controlar boa parte do primeiro tempo e reduzir os espaços dos mandantes. A melhora depois do intervalo foi insuficiente para transformar o domínio territorial em oportunidades claras, e a equipe chegou aos minutos finais ameaçada por mais um resultado frustrante em casa.
Foi nesse cenário que a torcida ganhou importância e o time encontrou forças para insistir. Quando a qualidade técnica não foi suficiente, o Internacional recorreu à intensidade, à indignação e à pressão sobre o adversário. O pênalti convertido por Alerrandro aos 47 minutos do segundo tempo mudou o ambiente do Beira-Rio e garantiu três pontos que podem representar muito mais do que uma vitória isolada.
A ausência de Alan Patrick mostrou a dependência criativa do Inter
O primeiro tempo foi um retrato das dificuldades ofensivas do Internacional. A equipe encontrou um Coritiba bem organizado, com capacidade para fechar os espaços e dificultar a circulação de bola, mas também teve responsabilidade direta pela falta de produção. Sem conseguir acelerar as jogadas ou encontrar alternativas para superar a marcação, o Colorado passou a depender de iniciativas individuais que raramente resultaram em situações perigosas.
A ausência de Alan Patrick pesou nesse contexto. O meia é uma das principais referências técnicas do elenco e costuma dar a criatividade necessária para conectar o meio-campo ao ataque. Sem ele, Carbonero recebeu a responsabilidade de ocupar um espaço importante na construção, mas não conseguiu dar ao time a mesma capacidade de organizar as jogadas. O colombiano tentou algumas ações individuais, porém teve pouca influência no funcionamento coletivo e acabou substituído sem deixar uma contribuição significativa.
Villagra também percebeu a dificuldade e tentou assumir responsabilidades na construção, mas suas iniciativas não foram suficientes para mudar o cenário. O problema não estava apenas na atuação de um ou outro jogador, mas na falta de conexões entre os setores. O Inter tinha dificuldade para encontrar passes que rompessem as linhas do Coritiba e, quando conseguia avançar, não demonstrava coordenação suficiente para transformar a chegada ao campo ofensivo em uma oportunidade clara.
O nervosismo também prejudicou a equipe. A insatisfação com as decisões da arbitragem e com a postura do adversário foi aumentando à medida que o jogo não fluía. Em vez de encontrar tranquilidade para construir as jogadas, o Internacional passou a demonstrar ansiedade, como se cada erro aumentasse a pressão sobre os jogadores. Em uma partida na qual precisava vencer, essa tensão tornou ainda mais difícil executar ações simples com qualidade.
A atuação do Coritiba merece reconhecimento porque o visitante conseguiu explorar esse cenário. Sem precisar assumir grandes riscos, a equipe dificultou a progressão colorada e deixou o Inter desconfortável durante boa parte da etapa inicial. O Colorado teve mais responsabilidade pelo resultado que precisava buscar, mas não encontrou soluções para obrigar o adversário a mudar seu comportamento.
O segundo tempo teve mais insistência do que evolução coletiva
A expectativa era de que o intervalo permitisse ao Internacional reorganizar a construção ofensiva e encontrar maneiras de acelerar o jogo. Houve uma melhora em relação ao primeiro tempo, mas ela ficou abaixo do necessário. O time continuou apresentando dificuldades para criar oportunidades e não conseguiu estabelecer uma sequência de ataques que justificasse uma sensação de controle sobre o resultado.
A diferença foi mais perceptível na disposição do que na qualidade das jogadas. O Inter passou a demonstrar maior urgência, tentou ocupar o campo adversário e procurou aumentar a pressão, mas ainda faltavam criatividade e precisão para transformar esse esforço em perigo real. A equipe parecia compreender a importância dos três pontos, porém não conseguia encontrar uma maneira eficiente de chegar ao gol.
O erro de Vitinho perto do fim resumiu a frustração colorada. O atacante teve a oportunidade de deixar João Bezerra em condições de enfrentar Pedro Morisco, mas falhou na execução e mandou a bola diretamente para fora. Era uma chance importante em uma partida na qual as oportunidades não apareciam com frequência, e o desperdício aumentou a sensação de que o Inter deixaria escapar mais pontos no Beira-Rio.
A dificuldade também mostra que a chegada de Eduardo Baptista ainda não resolveu os problemas estruturais do time. As vitórias anteriores haviam recuperado a confiança e devolvido ao estádio parte de sua força, mas o confronto com o Coritiba mostrou que o Colorado continua dependente de determinadas referências técnicas e ainda precisa desenvolver alternativas quando não consegue impor seu plano inicial.
Isso não significa que o resultado deva ser desvalorizado. Em uma disputa contra o rebaixamento, vencer uma partida mesmo sem apresentar bom futebol pode ser fundamental. O problema aparece quando a entrega passa a ser a principal solução disponível, porque a intensidade ajuda a competir, mas não substitui a necessidade de criar, controlar o ritmo e executar melhor as jogadas.
O Inter conseguiu encontrar uma maneira de continuar pressionando até o fim, mas precisará aproveitar a vitória como ponto de partida para corrigir as dificuldades. A permanência na Série A não será construída apenas com gols nos acréscimos, e a equipe terá de mostrar maior consistência para não depender de situações tão extremas nas próximas rodadas.
O Inter está vivo, mas ainda precisa melhorar o desempenho
A vitória levou o Internacional aos 38 pontos e à 16ª posição, permitindo que o clube terminasse a rodada fora da zona de rebaixamento caso os resultados de Grêmio e Corinthians fossem favoráveis. A equipe ainda depende de outros jogos para consolidar sua situação, mas o resultado representa um alívio importante em uma disputa na qual cada ponto pode alterar a classificação.
O Colorado mostrou que consegue competir mesmo quando não apresenta qualidade suficiente para controlar uma partida. A entrega, a indignação e o apoio da torcida foram fundamentais para que o time continuasse buscando o resultado até os acréscimos. Em uma luta pela permanência, essa disposição tem valor, especialmente quando o ambiente está tomado pela pressão e os jogadores precisam encontrar forças para continuar tentando.
No entanto, a vitória não deve esconder o tamanho dos problemas. O Internacional teve dificuldades para criar sem Alan Patrick, não conseguiu encontrar alternativas ofensivas consistentes e demonstrou nervosismo durante boa parte do confronto. A atuação foi um alerta para Eduardo Baptista, que precisará desenvolver soluções para quando sua principal referência criativa estiver ausente e encontrar maneiras de evitar que a ansiedade comprometa o desempenho coletivo.
O resultado também reforça a importância dos próximos compromissos no Beira-Rio. O Inter precisa transformar a vitória sobre o Coritiba em confiança e regularidade, sem imaginar que a entrega demonstrada nos minutos finais será suficiente para garantir a permanência. A equipe ainda tem limitações técnicas e táticas que podem ser exploradas pelos adversários, especialmente se continuar dependendo de lances isolados para decidir partidas.
O Internacional saiu de campo com três pontos que podem mudar o destino de sua temporada, mas não com a sensação de que encontrou uma solução definitiva. A vitória foi construída no sofrimento, na insistência e na capacidade de acreditar até o último instante, enquanto a torcida assumiu a responsabilidade de empurrar o time quando o futebol não oferecia respostas. O Colorado continua ameaçado, mas está vivo na luta contra o rebaixamento. Agora, precisa transformar essa indignação em desempenho para que o alívio conquistado diante do Coritiba não seja apenas momentâneo.
(Foto: JP Pacheco/Coritiba)



