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Internacional confirma evolução com Eduardo Baptista contra um Botafogo completamente disfuncional; confira as impressões do jogo

O Internacional de Eduardo Baptista começa a transformar a luta contra o rebaixamento em uma disputa com perspectivas mais favoráveis. A vitória por 3 a 0 sobre o Botafogo, neste sábado, no Beira-Rio, não representou apenas três pontos importantes na classificação do Brasileirão, mas também reforçou a impressão de que o Colorado encontrou um caminho para reagir na reta final da temporada. Com organização defensiva, intensidade e maior eficiência nas oportunidades criadas, a equipe gaúcha superou um adversário que pouco conseguiu produzir durante boa parte da partida e deixou a zona de rebaixamento, beneficiada também pela derrota do Corinthians para o Vasco.

O resultado ganha importância quando observado à luz do momento vivido pelo clube nas últimas semanas. Depois da derrota para o Mirassol, Eduardo Baptista prometeu que o time teria sua melhor semana do ano, mesmo diante de uma sequência de problemas no elenco e de suspensões de jogadores importantes. A declaração parecia ambiciosa diante das circunstâncias, mas a resposta contra o Botafogo mostrou que a mudança de comando começa a produzir efeitos que vão além do discurso. O Internacional apresenta comportamentos mais consistentes, consegue competir durante os 90 minutos e demonstra capacidade para aproveitar as fragilidades dos adversários.

Ainda há muito a ser feito para garantir a permanência na Série A, mas a vitória oferece motivos concretos para o torcedor acreditar em uma recuperação. Mais do que o placar, o desempenho coletivo indica uma equipe que começa a compreender melhor suas necessidades e a encontrar soluções dentro de campo. Ao mesmo tempo, a atuação do Botafogo expôs problemas que vão além de um resultado negativo, especialmente na intensidade do meio-campo, na organização defensiva e na capacidade de reagir quando a partida exige maior combatividade.

Eduardo Baptista transforma o Inter

O principal mérito do Internacional foi conseguir manter uma estrutura competitiva mesmo diante de ausências importantes. Mercado, Villagra e Vitinho estavam suspensos, enquanto Anthoni continuou fora da equipe. Maripán e Alan Patrick retornaram e contribuíram para a formação colorada, mas Eduardo Baptista também precisou confiar em jogadores que ainda buscavam espaço ou tentavam superar as críticas recebidas ao longo da temporada.

A escolha de Kauan Jesus para começar no gol foi uma das decisões mais relevantes. Depois de estrear contra o Mirassol, o jovem goleiro recebeu sua primeira oportunidade como titular em um confronto de grande importância para a luta contra o rebaixamento. A responsabilidade era considerável, especialmente porque o Internacional precisava vencer e não poderia se dar ao luxo de cometer erros que comprometessem a recuperação. Kauan, porém, respondeu com segurança e terminou a partida como um dos principais nomes do confronto.

O goleiro realizou três defesas importantes e ajudou a sustentar a vantagem colorada nos momentos em que o Botafogo conseguiu encontrar espaços para finalizar. Sua atuação foi decisiva para impedir que o adversário ganhasse confiança e voltasse à partida, especialmente quando a equipe carioca tentou aumentar o ritmo no segundo tempo. A recepção da torcida ao jovem após o apito final mostrou que o desempenho não passou despercebido e fortaleceu sua candidatura a uma sequência como titular, mesmo com a possibilidade de retorno de Anthoni.

A atuação de Kauan também ilustra uma característica importante do trabalho de Eduardo Baptista: a capacidade de encontrar respostas em jogadores que não estavam necessariamente consolidados entre as primeiras opções. Em um elenco pressionado pelos resultados e pelas ausências, recuperar a confiança de atletas contestados pode ser tão relevante quanto contar com os principais nomes disponíveis. O treinador precisa de alternativas, sobretudo em uma reta final na qual suspensões, lesões e desgaste físico podem alterar constantemente a escalação.

O desempenho coletivo, entretanto, foi o aspecto mais importante. O Internacional conseguiu combinar intensidade na disputa pela bola com maior organização para construir suas jogadas, sem depender exclusivamente de ações individuais. O time também demonstrou mais capacidade de transformar recuperações em ataques perigosos, um comportamento que ficou evidente no terceiro gol, marcado por Bernabei. A sequência começou com a recuperação da posse, passou pela participação de Alan Patrick e pela movimentação de Alerrandro, até terminar com a chegada do argentino ao setor ofensivo.

Esse tipo de jogada ajuda a explicar por que a mudança de treinador vem sendo acompanhada por uma percepção de evolução. O Colorado não apenas venceu, mas apresentou uma sequência de ações que demonstram entendimento coletivo e ocupação mais eficiente dos espaços. A diferença em relação ao período anterior, sob o comando de Paulo Pezzolano, é perceptível na maneira como a equipe reage às situações do jogo e consegue sustentar um plano de atuação.

Os jogadores contestados ganham espaço e mudam o cenário do elenco

A recuperação do Internacional também passa pela valorização de atletas que enfrentavam questionamentos. Juninho é um exemplo dessa mudança, pois ganhou espaço com Eduardo Baptista e respondeu com uma atuação segura na defesa, coroada pelo gol que ampliou a vantagem para 2 a 0. O zagueiro aproveitou a sobra após a finalização de Maripán e concluiu como um centroavante, colocando a bola no canto esquerdo de Gabriel Batista.

O lance teve importância não apenas pelo placar, mas pelo significado individual. Em um momento no qual o time precisava de respostas de diferentes setores, Juninho demonstrou que poderia contribuir também em situações ofensivas, especialmente nas jogadas de bola parada e nos lances de segunda bola. Sua consolidação entre os titulares amplia as opções defensivas do treinador e reforça a ideia de que o desempenho atual está sendo construído com a participação de jogadores que ainda tentavam conquistar espaço.

Thiago Maia e Alerrandro também aparecem entre as apostas que começam a corresponder. A importância de ambos está ligada à capacidade de dar mais consistência ao funcionamento coletivo, seja na disputa pelo meio-campo, seja na movimentação ofensiva. Quando o treinador consegue extrair rendimento de atletas que não viviam seu melhor momento, o elenco passa a oferecer mais alternativas e a depender menos de um grupo reduzido de jogadores.

Aguirre foi outro destaque da tarde. Atuando de maneira avançada pelo lado direito, o argentino pressionou Alex Telles e conseguiu levar vantagem em diferentes momentos, oferecendo profundidade ao ataque colorado. Sua participação foi determinante na construção do primeiro gol, marcado por Matheus Bahia, e quase terminou com uma finalização por cobertura que teria transformado sua atuação em um dos grandes momentos da partida. O lance, porém, já havia sido interrompido por uma falta.

A liberdade concedida a Aguirre revela uma equipe mais disposta a explorar os corredores e ocupar o campo ofensivo. Em vez de concentrar suas ações apenas pelo centro, o Internacional encontrou caminhos para acelerar o jogo pelos lados e criar situações que desorganizaram a defesa adversária. Essa variedade ofensiva é importante para um time que precisa conquistar resultados sem depender de um único tipo de jogada.

Ronaldo também merece atenção. Frequentemente alvo de críticas, o volante apresentou uma atuação consistente, protegendo a defesa, participando da saída de bola e avançando quando encontrou espaço. A segurança oferecida pelo jogador ajudou o Internacional a competir no meio-campo, justamente um dos setores que costumam determinar o controle das partidas. As palmas recebidas ao deixar o gramado representaram um reconhecimento ao desempenho e podem contribuir para recuperar sua confiança.

O cenário sugere que Eduardo Baptista não está apenas reorganizando o time, mas também redefinindo a relação entre os jogadores e a torcida. A equipe passa a oferecer respostas em campo, e os atletas que conseguem corresponder recebem o reconhecimento que antes parecia distante. Em uma disputa contra o rebaixamento, essa recuperação de confiança pode ter impacto direto na continuidade do trabalho.

O Botafogo tem problemas de intensidade e organização defensiva

Se o Internacional merece reconhecimento pela atuação, o Botafogo precisa olhar para a derrota como um alerta sobre limitações que vêm aparecendo com frequência. A equipe de Tite chegou ao Beira-Rio sabendo que enfrentaria um adversário pressionado, desfalcado e obrigado a buscar os três pontos. Mesmo assim, encontrou dificuldades para competir desde o início e passou boa parte do primeiro tempo sem conseguir impor seu ritmo.

A chuva e as condições do gramado contribuíram para tornar o jogo mais truncado nos minutos iniciais. O campo pesado exigiu mais disputas físicas e dificultou a circulação da bola, cenário que favorecia uma equipe capaz de ganhar segundas bolas, pressionar o portador da posse e disputar cada espaço com intensidade. O Internacional conseguiu se adaptar melhor a essas condições, enquanto o Botafogo demonstrou dificuldades justamente em um dos aspectos mais importantes para competir naquele contexto: a combatividade do meio-campo.

Allan voltou a decepcionar na função de titular. O volante apresentou problemas na marcação, perdeu duelos e pouco contribuiu para a construção ofensiva, deixando o setor sem a consistência necessária para proteger a defesa e iniciar as jogadas. Montoro também encontrou dificuldades diante da intensidade física do confronto, enquanto Ferraresi cometeu erros de posicionamento, passe e tempo de bola em uma partida na qual a linha defensiva precisava de maior segurança.

A fragilidade ficou evidente nos gols sofridos. O Botafogo permitiu que o Internacional encontrasse espaços para avançar e não conseguiu reagir adequadamente às movimentações dos atacantes. No terceiro gol, a defesa deixou corredores abertos durante um contra-ataque que expôs a falta de organização na recomposição. O lance simbolizou uma equipe que, além de perder disputas individuais, também teve dificuldades para manter uma estrutura coletiva capaz de reduzir os riscos.

A escolha por manter boa parte da escalação habitual não produziu o resultado esperado. A única mudança inicial foi a entrada de Medina no lugar de Ziyech, que começou no banco após sentir um desconforto na partida anterior. A opção por preservar a estrutura poderia oferecer continuidade, mas o desempenho mostrou que a equipe precisava de uma resposta mais efetiva para enfrentar a intensidade do Internacional.

Tite reconheceu que o Botafogo esteve abaixo de seu potencial e destacou a necessidade de se tornar mais competitivo. A análise encontra respaldo no que aconteceu em campo: o time demorou a reagir, sofreu dois gols antes de conseguir aumentar a pressão e deixou espaços que permitiram ao adversário administrar o resultado. Para um treinador conhecido pela valorização da organização, o desafio será corrigir os problemas sem perder a capacidade de construir jogadas e controlar o ritmo.

A reação tardia não foi suficiente para ameaçar a vitória colorada

O Botafogo apresentou uma melhora no segundo tempo, quando passou a buscar o ataque com mais frequência e conseguiu criar algumas oportunidades. Ziyech obrigou Kauan Jesus a trabalhar, enquanto Marçal acertou a trave em uma das melhores chances da equipe carioca. A reação, entretanto, aconteceu tarde demais para alterar de maneira significativa o cenário da partida.

O Internacional já havia construído uma vantagem de dois gols e demonstrava maior controle emocional sobre o confronto. Mesmo quando o Botafogo conseguiu avançar, o Colorado contou com a segurança de seu goleiro e com uma estrutura defensiva mais organizada para impedir que a pressão se transformasse em uma ameaça real ao resultado. O terceiro gol, marcado por Bernabei, praticamente encerrou qualquer possibilidade de reação e evidenciou novamente a diferença de intensidade entre as equipes.

A derrota deixa o Botafogo com 39 pontos, ainda a seis da marca considerada necessária para assegurar a permanência na Série A. O próximo compromisso, contra o Remo, em Belém, ganha importância justamente porque a equipe precisa interromper a sequência de resultados negativos e recuperar a capacidade de competir durante toda a partida. O adversário está em situação delicada na tabela, mas isso não elimina a necessidade de uma atuação mais consistente.

O principal problema para Tite será fazer com que a reação observada no segundo tempo apareça desde o início. Contra o Internacional, a equipe demorou a disputar o jogo com a intensidade necessária e acabou pagando caro por isso. Em um campeonato no qual a margem de erro diminui a cada rodada, não basta melhorar depois de sofrer gols: é preciso apresentar organização e agressividade suficientes para evitar que o adversário controle o confronto.

Sair do Z-4 muda o ambiente, mas a permanência ainda exige regularidade

Para o Internacional, a vitória representa um avanço importante na classificação e na confiança do elenco. Com 35 pontos, o Colorado chegou à 16ª colocação e ultrapassou o Corinthians, que permaneceu com 33 após perder por 3 a 2 para o Vasco. A vantagem de dois pontos não permite qualquer acomodação, mas muda o cenário imediato de uma equipe que passou sete rodadas dentro da zona de rebaixamento.

O resultado também dá sustentação ao discurso de Eduardo Baptista. A promessa de uma semana de recuperação poderia ter se transformado em mais uma declaração frustrada caso o time não respondesse em campo. Em vez disso, o Internacional venceu de maneira convincente e mostrou que a mudança de comando começa a produzir efeitos na organização, na intensidade e no rendimento de jogadores que estavam sob pressão.

Ainda assim, a permanência na Série A não está garantida. A distância para os concorrentes continua pequena, e uma sequência negativa pode devolver o clube à zona de rebaixamento. Por isso, o desafio de Eduardo Baptista será transformar a evolução demonstrada contra o Botafogo em um padrão de desempenho, evitando que a vitória seja tratada como um episódio isolado.

A equipe precisa manter a segurança defensiva, aproveitar melhor as oportunidades e preservar a competitividade mesmo quando não conseguir controlar o jogo. A atuação de Kauan Jesus mostrou a importância de contar com um goleiro capaz de decidir, mas o objetivo deve ser reduzir a necessidade de intervenções tão determinantes. Da mesma forma, o crescimento de jogadores como Juninho, Ronaldo e Aguirre amplia as alternativas do treinador, desde que o rendimento seja mantido nas próximas rodadas.

A torcida tem motivos para recuperar a esperança, sobretudo porque o time voltou a demonstrar comportamentos que estavam em falta. O Internacional não venceu apenas por aproveitar erros do adversário: construiu o resultado com participação coletiva, intensidade e capacidade de responder às exigências da partida. Essa combinação é fundamental para quem precisa disputar cada ponto até o fim do campeonato.

No Beira-Rio, o Colorado deu um passo importante para deixar de ser uma equipe refém da pressão e passar a construir sua própria reação. A vitória sobre o Botafogo não encerra a luta contra o rebaixamento, mas confirma que o trabalho de Eduardo Baptista começa a oferecer respostas concretas. Para transformar o alívio em permanência, o Internacional precisará repetir essa postura nas próximas rodadas. A diferença é que, depois de uma atuação convincente e da saída do Z-4, o clube volta a ter motivos reais para acreditar.

(Foto: Roberto Vinicius/AGIF)